Minas Gerais: Empresas em Alta de 6% em 2026, Mas Fechamentos Aceleram com Juros Altos

Minas Gerais amplia saldo de empresas em 6% em 2026, mas fechamentos também aceleram
Minas Gerais registrou um saldo positivo de 89.939 empresas entre janeiro e abril de 2026, representando um crescimento de 6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse aumento foi impulsionado pela expansão na abertura de novos negócios em todo o estado.
Apesar da expansão, o ritmo de encerramento de empresas mineiras também apresentou aceleração. Este cenário é um reflexo direto de um mercado que ainda enfrenta desafios significativos, como taxas de juros elevadas e o endividamento crescente entre os empreendedores.
Os dados, divulgados pelo Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Memp), mostram que 216.578 empresas foram abertas e 126.639 fecharam no primeiro quadrimestre de 2026. No mesmo período de 2025, os números foram de 199.163 aberturas e 114.326 fechamentos.
Microempresas lideram o ranking de novas aberturas
No recorte de novos negócios, as microempresas se destacam, respondendo por quase 95% dos registros. Do total de empreendimentos abertos no primeiro quadrimestre de 2026, 205.956 são desse porte, o que reforça a importância das pequenas empresas na dinâmica econômica de Minas Gerais.
O economista Fernando Sette Jr, docente do Centro Universitário UniBH, avalia que o avanço de 6% no saldo líquido de empresas em Minas Gerais pode ser interpretado como um sinal de aceleração da atividade econômica. No entanto, ele ressalta a necessidade de uma análise mais aprofundada.
“Ninguém abre empresa esperando retração. O aumento das aberturas indica alguma confiança na atividade econômica e na possibilidade de consumo e geração de renda”, explica Sette Jr.
Qualidade do crescimento e desafios do mercado
Apesar do saldo positivo, o economista alerta que ainda não é possível afirmar uma aceleração econômica robusta para Minas Gerais. O ponto crucial, segundo ele, é analisar a qualidade desse crescimento.
“O predomínio das microempresas indica um empreendedorismo pulverizado, ligado a pequenos negócios, serviços e formalização. Embora amplie a atividade econômica, o dado exige cautela: mais importante que abrir empresas é a capacidade de sobrevivência, geração de emprego e ganho de produtividade ao longo do tempo”, argumenta o economista.
O cenário de juros elevados e endividamento, conforme destacado pelo economista, representa um obstáculo significativo para a sustentabilidade e o crescimento desses novos negócios, exigindo estratégias de gestão financeira eficientes.
Polos econômicos concentram novos negócios em Minas Gerais
Analisando a distribuição geográfica, Belo Horizonte lidera a lista de cidades com maior número de aberturas, registrando 38.578 novos negócios entre janeiro e abril de 2026. Em seguida, aparecem Uberlândia com 12.676, Contagem com 9.769 e Juiz de Fora com 6.294.
Segundo o economista Fernando Sette Jr, esse protagonismo das capitais e grandes centros é coerente com a geografia econômica do estado. A capital mineira concentra o maior mercado consumidor, serviços e um ecossistema empreendedor mais desenvolvido.
Uberlândia se consolida como um polo logístico e empresarial no interior, beneficiada por sua posição estratégica e conexão com o agronegócio e tecnologia. Contagem mantém sua força industrial e comercial, enquanto Juiz de Fora reforça seu papel como hub regional da Zona da Mata.
“Esses números mostram que a expansão de empresas mineiras está acontecendo, mas ainda muito concentrada nos polos de maior densidade econômica, infraestrutura e capacidade de consumo”, conclui Sette Jr.
O cenário econômico em Minas Gerais em 2026, portanto, apresenta um quadro de expansão no número de empresas, com forte participação das micro e pequenas empresas, mas que exige atenção aos desafios impostos pelo contexto de juros altos e endividamento, além da concentração geográfica dos novos empreendimentos.