Lula no G7: Expectativa por tarifas dos EUA e veto à carne pela UE dominam agenda internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a França com uma agenda repleta de expectativas e desafios na 50ª Cúpula do G7. O evento, que reúne as sete maiores economias do mundo, será palco de discussões cruciais sobre o futuro das relações comerciais do Brasil com potências como os Estados Unidos e a União Europeia.
A participação de Lula na cúpula, que ocorre de 15 a 17 de junho, ocorre em um momento de tensões comerciais e decisões importantes que podem impactar diretamente a economia brasileira. Dentre os pontos de maior atenção, destacam-se a possibilidade de avanços na resolução de tarifas de exportação impostas pelos EUA e a preocupação com o veto da União Europeia à carne brasileira.
A viagem de Lula ao G7 também marca um período de intensos contatos diplomáticos. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, do Ministério das Relações Exteriores, confirmou que, embora não haja confirmação de um encontro bilateral com o presidente americano Donald Trump, os contatos entre os governos seguem de forma intensa. Este seria o primeiro contato pós-designação formal de facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA, medida que o Brasil buscava evitar.
Veto da União Europeia à carne brasileira gera preocupação
Um dos pontos de maior atenção na pauta de Lula é a relação com a União Europeia. Recentemente, o bloco europeu oficializou a proibição da importação de carnes, miúdos, peixes e mel produzidos no Brasil, com veto previsto para entrar em vigor a partir de 3 de setembro. Essa decisão, anunciada após a entrada provisória do acordo Mercosul-UE, já foi publicada no Diário Oficial da União Europeia.
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough expressou a surpresa e a preocupação do Brasil com a medida, indicando que o tom da discussão com os europeus, caso ocorra, será de apreensão. O objetivo é buscar soluções para reverter ou mitigar os efeitos deste veto, que afeta um setor vital da economia brasileira.
Expectativa de avanços nas relações com os Estados Unidos
Apesar da falta de confirmação sobre um encontro bilateral entre Lula e Donald Trump durante o G7, a expectativa é que as discussões sobre tarifas de exportação e a investigação comercial conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) avancem. Em seu último encontro na Casa Branca, ambos os líderes orientaram suas equipes a apresentarem propostas para resolver o impasse, mas até o momento, nenhuma solução concreta foi apresentada.
A designação de facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA é outro ponto sensível que pode ser abordado. O governo brasileiro avalia que essa medida poderia abrir precedentes para ações militares ou sanções econômicas severas, algo que o país busca evitar a todo custo.
Agenda de Lula no G7: desenvolvimento e governança global
O presidente Lula participará de três eventos principais durante a cúpula. No dia 16 de junho, ele discursará em uma sessão de líderes sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, com foco na ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A intenção é defender um maior apoio financeiro de países industrializados a nações em desenvolvimento.
No dia seguinte, 17 de junho, Lula abordará o tema do crescimento econômico equilibrado e a necessidade de reformas na governança global, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a ONU. O dia será concluído com a participação em um almoço dedicado à discussão sobre Inteligência Artificial (IA).
Encontro bilateral com o Japão e possível reunião com Macron
Um encontro já confirmado na agenda de Lula é com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Este será o primeiro contato oficial entre ambos e abre a possibilidade de negociações para um futuro acordo comercial entre o Japão e o Mercosul. Além disso, uma provável reunião bilateral com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron, também está em pauta.