Lula Cobra Agilidade de BB e Caixa em Crédito para Motoristas de App e Táxi: Entenda os Impasses e a Expansão do Programa Move Brasil

Lula pressiona Banco do Brasil e Caixa por maior agilidade na liberação de crédito para motoristas de aplicativo e táxi.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra insatisfação com o ritmo de liberação de crédito para o programa Move Brasil Táxi e Aplicativos. Em reunião com os presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, Lula cobrou maior celeridade nos financiamentos de veículos para esses trabalhadores.
O governo destinou R$ 30 bilhões para a linha de crédito com taxas subsidiadas, mas apenas R$ 3,55 bilhões foram liberados até o momento, o que representa apenas 12% do total disponível. O prazo para adesão ao programa se encerra em 15 de setembro, data de validade da medida provisória que o criou.
A lentidão na execução do programa desagrada ao núcleo político do governo, que via no Move Brasil uma oportunidade de aumentar a popularidade de Lula junto a esses grupos, especialmente em um ano eleitoral. Conforme divulgado pela Folhapress, o governo arca com os subsídios e um fundo garantidor para reduzir riscos aos bancos, mas as instituições financeiras enfrentam obstáculos na concessão.
Dificuldades na Concessão de Crédito e Críticas do Governo
Um dos principais entraves apontados é a dificuldade de muitos motoristas em comprovar a capacidade de pagamento das parcelas do financiamento. Além disso, restrições cadastrais, como dívidas antigas ou processos judiciais, tornam o acesso ao crédito praticamente inviável para alguns interessados. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou a postura dos bancos, afirmando que eles “têm sido excessivamente restritivos na concessão de crédito e deveriam olhar com mais respeito para esses trabalhadores”.
Reunião com Presidência e Expansão do Programa
A reunião entre Lula e os presidentes dos bancos foi descrita como dura, com cobranças diretas para acelerar as concessões. Além da pressão por agilidade, o presidente solicitou que os bancos melhorem o atendimento e forneçam explicações detalhadas nos casos de recusa de crédito, visando mitigar reclamações sobre negativas sem justificativa clara. Nessa mesma ocasião, o governo decidiu expandir o programa, aumentando o valor máximo do veículo para R$ 200 mil e incluindo mais opções de veículos híbridos.
Mudanças e Dúvidas Sobre o Impacto da Expansão
Os bancos já haviam implementado ajustes, como a desconsideração de gastos com aluguel de veículo no cálculo da renda disponível e a incorporação da expectativa de queda nas despesas com combustível para carros elétricos. Contudo, há dúvidas se o aumento do valor máximo do financiamento será suficiente para impulsionar os empréstimos, visto que o tíquete médio atual é de R$ 103 mil e a demanda por veículos acima de R$ 150 mil é considerada baixa por algumas instituições.
Expectativas Elevadas e Análise de Viabilidade pelos Motoristas
Alguns envolvidos nas discussões avaliam que o governo pode ter criado uma expectativa muito alta ao destinar R$ 30 bilhões inicialmente, um valor expressivo para o programa. A meta pode ter se mostrado mais ambiciosa do que a capacidade de execução dos bancos ou a entrega pelas concessionárias. Fatores como a decisão dos motoristas em assumir uma nova dívida e os custos adicionais, como o seguro do veículo, também pesam na análise individual de viabilidade.
Dados e Taxas do Programa Move Brasil
O Move Brasil Táxi e Aplicativos oferece taxas de juros de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, significativamente abaixo da média de mercado, que gira em torno de 28% ao ano para financiamento de automóveis. Apesar do interesse inicial das concessionárias em junho, o volume de aprovações tem sido baixo. Relatos indicam que motoristas de aplicativos enfrentam negativas e redução na pontuação de crédito após múltiplas consultas bancárias, e muitos acreditavam erroneamente que conseguiriam o financiamento mesmo com restrições no nome.