Lista de Empréstimos Suspeitos do Banco Master: 23 Empresas Imobiliárias em Investigação pela PF - Brasa Noticias

Lista de Empréstimos Suspeitos do Banco Master: 23 Empresas Imobiliárias em Investigação pela PF

Banco Master e Fundos de Investimento sob Escrutínio: 36 Empresas Devedoras em Investigação pela Polícia Federal

Uma lista com 36 empresas que contraíram empréstimos suspeitos com o Banco Master tornou-se o centro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal. A maioria dessas companhias, 23 delas, está diretamente ligada ao ramo imobiliário, hotelaria e construção civil.

Os empréstimos, que somam mais de R$ 18 bilhões, foram injetados nos fundos DMais e Bravo, administrados pela gestora Reag. Segundo as investigações, esses fundos teriam sido utilizados para mascarar créditos de má qualidade e inflar artificialmente o valor de ativos financeiros, configurando uma fraude bilionária.

A Folha teve acesso a detalhes sobre cada uma das 36 empresas e os empréstimos realizados. A concentração de negócios imobiliários na lista levanta questões sobre a relação dessas operações com a trajetória do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e sua família, que possui histórico no setor imobiliário.

Setor Imobiliário Predomina na Lista de Empresas Investigadas

Das 36 empresas investigadas, uma parcela significativa, 23, atua diretamente nos setores imobiliário, de hotelaria e construção. Essa concentração reforça a ligação entre as operações do Banco Master e os negócios de Daniel Vorcaro, que presidiu o Grupo Multipar, uma empresa do ramo imobiliário, antes de ingressar no Master.

Empresas como Malibu Construtora e Incorporadora, R2 Holding, Revee Real Estate Venues & Entertainment Participações, RMEX Construtora e Incorporadora, S&J Consultoria e Incorporação, Resort do Lago Caldas Novas, SI 02 Empreendimentos e Incorporações Imobiliárias, Mirante Investimentos Imobiliários, Super Empreendimentos e Participações, Tavira Empreendimentos Imobiliários e W 50 Empreendimentos Imobiliários estão entre as citadas.

Outras companhias do setor imobiliário na lista incluem Bloko CP, Bloko Urbanismo, Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, BTG Empreendimentos e Locações e Serviços, CRL SPE I Empreendimentos e Participações, CRl SPE X Empreendimentos e Participações, FDC Empreendimentos, Administração e Participação, Gran Viver Urbanismo, WAM Hotéis e Resorts, WAM Hotéis Multipropriedade e Resort do Lago Caldas Novas, e Lever Securitizadora.

Fraude Bilionária e Ciranda Financeira sob Investigação

A operação da Polícia Federal aponta para uma fraude bilionária, onde recursos tomados pelas empresas com o Banco Master eram repassados aos fundos geridos pela Reag. Ao todo, as 36 empresas pegaram R$ 10,405 bilhões que foram destinados ao fundo DMais e outros R$ 8,379 bilhões ao fundo Bravo.

Um caso emblemático é o da Brain Realty Consultoria e Participações, que, apesar de ter um capital social de R$ 2 milhões, tomou um empréstimo de quase meio bilhão de reais do Master. Os recursos, contudo, não foram utilizados na própria empresa, mas aplicados em fundos da Reag, caracterizando uma ciranda financeira.

A Lever Securitizadora, embora não atue diretamente na construção, figura na lista por estruturar títulos como CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), usados para financiar o setor imobiliário e o agronegócio. Esses instrumentos, apesar de legítimos, podem ser vulneráveis a fraudes se o lastro não for transparente.

Outras Empresas e Respostas dos Investigados

As 13 empresas restantes na lista incluem BMQ Mirage Comercial Exportadora e Importadora, Calisto Empreendimentos e Participações, Daus Indústria de Alimentos, EBN Comércio, Importação e Exportação, Gran Carnes Indústria e Comércio de Carnes, Griffood Brasil Alimentos, Ifly Brazil Indoor Skydiving, Lorde Participações, MKS Soluções Integradas, Redevco Capital Partners, Renogrid Energia, Revolution do Brasil Adaptação Veicular e RKO Alimentos. Há a possibilidade de que algumas destas também tenham atividades no setor imobiliário.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) declarou que acompanha e analisa movimentações no mercado de valores mobiliários e toma as medidas cabíveis, mas não comenta casos específicos.

Algumas empresas se manifestaram. A Daus Alimentos informou ter tido recursos investidos em fundos da Reag até outubro passado, encerrando o negócio diante dos fatos divulgados na Operação Carbono Oculto. A iFLY esclareceu não ter qualquer relação comercial com o Banco Master ou com a CSBF DTVM (antiga REAG TRUST DTVM), focando em sua atividade de centros de voo indoor. A Lever Securitizadora detalhou que atua exclusivamente na estruturação técnica de operações de securitização, sem conceder ou tomar empréstimos, e que suas operações são válidas e lastreadas em créditos. A Revolution do Brasil afirmou que, embora mantenha relação com o mercado financeiro, não possui operações em aberto com o Banco Master. A WAM negou categoricamente qualquer envolvimento em esquemas ilícitos, destacando sua atuação nos setores de incorporação imobiliária, hotelaria e turismo e que suas operações financeiras seguem práticas regulares de mercado.

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