Ibovespa fecha em alta impulsionado por Vale e bancos, superando pressão da Petrobras e incertezas globais

Ibovespa fecha em alta impulsionado por Vale e bancos, superando pressão da Petrobras e incertezas globais
O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira em território positivo, registrando uma alta de 0,51% e alcançando 171.906,72 pontos. O índice chegou a avançar para 173 mil pontos durante o dia, mas perdeu força no período da tarde. O desempenho foi sustentado principalmente pelas ações da Vale e do setor financeiro, que compensaram a queda da Petrobras, influenciada pela desvalorização do petróleo no mercado internacional.
A queda do barril de petróleo Brent para novembro, que recuou 2,3% e atingiu US$ 90,54, impactou negativamente os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras, que cederam mais de 2%. A estatal foi a única entre as maiores empresas da bolsa a fechar em baixa. Em contrapartida, a mineradora Vale, além de grandes bancos como Itaú e Bradesco, e outras empresas como B3, Itaúsa e BTG Pactual, apresentaram forte valorização.
A performance positiva da Vale foi atribuída por analistas a um fluxo comprador de volta à empresa, o que pode indicar um retorno de investidores estrangeiros à bolsa brasileira. Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, destacou que a Vale é uma das principais ações do Ibovespa e sua recuperação é um sinal relevante.
Petróleo em queda e o impacto na inflação e juros
A desvalorização do petróleo contrastou com a tensão crescente no Oriente Médio, onde os Estados Unidos impuseram sanções contra empresas e indivíduos ligados ao Irã. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, também ameaçou excluir do sistema financeiro do dólar países com laços econômicos com Teerã. Apesar dos receios geopolíticos que impulsionaram o preço do petróleo nos últimos meses, houve espaço para uma correção, segundo operadores do mercado.
Essa correção no preço do petróleo traz um alívio na perspectiva da inflação global e beneficia empresas sensíveis aos juros no Brasil. Marcel Andrade, head de Investments Solutions da SulAmérica Investimentos, observou que a queda da commodity melhora o desempenho de empresas expostas aos juros e reforça a expectativa de que o Banco Central continue a reduzir a taxa Selic. O Índice de Consumo (ICON) subiu 0,22% no dia, com destaque para a alta de 1,67% da Ambev, a ação de maior peso no índice.
Cautela macroeconômica e política limitam ganhos do Ibovespa
As altas do Ibovespa ainda são vistas como um ajuste tímido por grandes investidores institucionais, após uma sequência de quedas em agosto, período em que o índice acumulou perdas de 3,42%. Receios globais e locais continuam a impedir uma entrada mais consistente de recursos, tanto de investidores institucionais domésticos quanto de alocadores estrangeiros.
Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, ressaltou que o cenário macroeconômico e político interno exige cautela dos operadores, atuando como contrapeso aos ganhos corporativos. O ambiente político brasileiro, somado ao avanço do calendário eleitoral, adiciona uma camada extra de incerteza e volatilidade, reforçando a cobrança do tradicional prêmio de risco por parte dos investidores.