Haddad explica papel do Banco Central na supervisão de bancos e cita alertas sobre irregularidades no Banco Master

Haddad detalha responsabilidade do Banco Central na fiscalização bancária e revela alertas sobre o Banco Master
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, esclareceu que a supervisão de instituições financeiras, como o Banco Master, é de responsabilidade exclusiva do Banco Central (BC). Ele destacou que já possuía conhecimento sobre as irregularidades no Banco Master desde o segundo semestre de 2024 e que levou os fatos à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em entrevista ao podcast 3 Irmãos, Haddad reiterou que o Ministério da Fazenda não tem a função de supervisionar bancos. Essa tarefa, segundo ele, cabe integralmente ao Banco Central, que detém o dever de monitorar as atividades do sistema financeiro. O ex-ministro ressaltou que a gestão do BC, sob o comando de Roberto Campos Neto, indicado pelo então presidente Bolsonaro, foi alertada sobre as situações em diversas ocasiões.
Haddad também mencionou que Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, já estava ciente da fraude bancária ao assumir o cargo em janeiro de 2025. Ele informou que, no último mês da gestão de Campos Neto, um processo administrativo contra o Banco Master já havia sido iniciado, indicando que as preocupações sobre a instituição não eram novas.
Irregularidades no Banco Master e atuação de Haddad
O ex-ministro explicou que as irregularidades no Banco Master ganharam força no último trimestre de 2024. Nesse contexto, ele afirmou que todas as informações relevantes foram encaminhadas ao conhecimento do Procurador-Geral da República e da Polícia Federal, culminando na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do banco.
Haddad negou veementemente ter recebido Daniel Vorcaro ou qualquer representante do Banco Master. Ele declarou ter sido procurado diversas vezes por terceiros com o intuito de intermediar um encontro com o banqueiro, mas garantiu que tais reuniões nunca ocorreram, reforçando sua postura de distanciamento.
Classificação de organizações e possível cortina de fumaça
Em outro ponto da entrevista, Fernando Haddad comentou sobre a classificação de organizações como o PCC e o CV como terroristas pelos Estados Unidos. Ele sugeriu que essa medida pode, por vezes, ser utilizada como uma cortina de fumaça, desviando a atenção de questões financeiras, como as envolvendo o Banco Master.
A declaração de Haddad sublinha a importância da supervisão rigorosa por parte do Banco Central e a necessidade de transparência no sistema financeiro, além de levantar questionamentos sobre o uso de estratégias de comunicação em contextos sensíveis.