Fim da 6x1 no Congresso: Equipe Econômica Vê Aprovação Madura, Mas Alerta Para Risco de Texto Prejudicar Governo Lula - Brasa Noticias

Fim da 6×1 no Congresso: Equipe Econômica Vê Aprovação Madura, Mas Alerta Para Risco de Texto Prejudicar Governo Lula

Fim da 6×1 no Congresso: Equipe Econômica Vê Aprovação Madura, Mas Alerta Para Risco de Texto Prejudicar Governo Lula

A equipe econômica do governo Lula vê com otimismo a possibilidade de aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso ainda no primeiro semestre. O cenário eleitoral e a adesão de diferentes espectros políticos impulsionam a pauta, que ganha força com estudos indicando impactos gerenciáveis para as empresas.

No entanto, a principal preocupação reside na formatação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Fontes indicam que um texto mal elaborado, repleto de exceções e sem clareza, poderia gerar mais insegurança do que benefícios, a ponto de o próprio governo se posicionar contra a medida.

A aprovação da redução da jornada de trabalho é vista como uma pauta positiva para o presidente da Câmara, Arthur Lira, e para os parlamentares que buscam marcar suas gestões com conquistas. A pressão do ano eleitoral, somada à aderência da proposta em diferentes vertentes políticas, cria um ambiente propício para o debate e a votação.

Estudo do Ipea Confirma Viabilidade da Redução de Jornada

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) serviu de base para o argumento governista, apontando que o impacto da redução da jornada para 40 horas semanais é similar a aumentos recorrentes no salário mínimo. A maioria das empresas, segundo o Ipea, teria capacidade de absorver essa mudança.

O aumento no custo médio do trabalho para um celetista em uma jornada de 40 horas seria de 7,84%, de acordo com a análise do Ipea. Contudo, a equipe econômica avalia a necessidade de um período de transição, respeitando as particularidades de diferentes setores e portes de empresa, com as maiores empresas tendo maior capacidade de adaptação.

Risco de “Catado de Exceções” na PEC

O grande receio é que a PEC se torne um “catado de exceções”, comprometendo a clareza e a segurança jurídica da nova legislação. Advogados trabalhistas alertam que a alteração da Constituição por meio de emenda, sem diferenciação setorial ou mecanismos de adaptação claros, pode gerar insegurança jurídica imediata e aumento de custos no curto prazo.

A advogada Elisa Alonso, do RCA Advogados, sugere que a redução da jornada poderia ser implementada por meio de negociação coletiva setorial, sem a necessidade de alterar a Carta Magna. “Uma vez na Constituição, eu tenho que seguir”, ressalta, indicando que a rigidez da norma fundamental não comporta nuances específicas.

Produtividade e Impactos Setoriais em Debate

O setor privado, por sua vez, superestima os impactos financeiros da mudança, segundo o governo, que aposta em ganhos de produtividade. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, estimou um impacto de R$ 178 bilhões para o setor com a redução para 36 horas semanais, conforme a PEC original da deputada Érica Hilton.

No agronegócio, uma análise preliminar aponta para um risco de 20% a 25% de defasagem de vagas caso a nova escala seja adotada. Apesar dessas preocupações, o governo vislumbra externalidades positivas para a economia, como a redução da pressão sobre o SUS e o INSS, impulsionado pelo atual nível de desemprego, o menor da série histórica.

Caminho para a Aprovação e Desafios Constitucionais

A avaliação é que um texto acordado é essencial para que a aprovação ocorra até o meio do ano, evitando que o tema se torne apenas promessa de campanha. O desafio é acomodar as diversas variáveis dentro da Constituição, garantindo que a mudança seja benéfica para os trabalhadores sem gerar instabilidade econômica. A redução da jornada de trabalho é um objetivo social legítimo, mas sua implementação requer cuidado e planejamento.

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