Fibromialgia: Projeto Aprovado na Câmara Pode Garantir Auxílio-Doença e Aposentadoria por Invalidez Sem Carência Mínima

Fibromialgia: Ampliação de Direitos Previdenciários e Atendimento Prioritário Avança no Congresso

Um projeto de lei aprovado na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados sinaliza uma importante mudança no reconhecimento da fibromialgia como condição capaz de gerar benefícios previdenciários. A proposta visa facilitar o acesso ao auxílio-doença e à aposentadoria por invalidez para pessoas diagnosticadas com a síndrome, mesmo que não tenham cumprido o tempo mínimo de contribuição exigido atualmente. A medida, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado e sancionada pela Presidência, também contempla a inclusão de pacientes com fibromialgia em leis de atendimento prioritário e preferencial.

Atualmente, a legislação previdenciária exige uma carência mínima de 12 contribuições mensais para a concessão do auxílio-doença, com exceções para doenças específicas listadas pelo governo. O projeto em questão busca incluir a fibromialgia nesse rol de exceções, desde que a condição comprovadamente incapacite o segurado para o trabalho. Essa alteração é vista como crucial, dado que a fibromialgia, apesar de não ser detectável por exames convencionais, pode impor dores intensas, fadiga crônica e limitações significativas na vida profissional.

Além do auxílio-doença, a proposta abrange a aposentadoria por invalidez, que passará a ser chamada de aposentadoria por incapacidade permanente. Para ter acesso a este benefício, será necessária uma perícia médica do INSS que ateste a impossibilidade total e permanente de o paciente retornar às suas atividades laborais. Essa mudança representa um avanço significativo no reconhecimento da fibromialgia como uma síndrome que pode, de fato, comprometer a capacidade de trabalho de forma definitiva.

Conforme informação divulgada pela Câmara dos Deputados, o projeto altera regras do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e também impacta servidores públicos, buscando uniformizar o tratamento e ampliar a proteção social para todos os trabalhadores. O texto ainda precisa ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de seguir para votação em plenário na Câmara e, posteriormente, no Senado.

Benefícios Previdenciários Sem Exigência de Carência

A principal mudança proposta pela matéria é a dispensa do cumprimento da carência mínima de 12 contribuições mensais para o acesso ao auxílio-doença para pessoas com fibromialgia. A condição para isso é a comprovação de que a doença compromete a capacidade para o trabalho. Isso significa que um segurado diagnosticado com fibromialgia incapacitante poderá receber o benefício mesmo que tenha contribuído por um período menor que o exigido pela legislação atual. Essa medida visa amparar financeiramente aqueles que, devido à intensidade dos sintomas, são forçados a se afastar de suas atividades profissionais.

Aposentadoria por Invalidez e Impacto para Servidores Públicos

A proposta também prevê a concessão de aposentadoria por invalidez, agora denominada aposentadoria por incapacidade permanente, para portadores de fibromialgia em estágio que cause incapacidade total e definitiva para o trabalho. A avaliação será feita por meio de perícia médica do INSS. Similarmente, o Estatuto do Servidor Público será alterado para garantir o direito à aposentadoria por fibromialgia incapacitante aos servidores públicos. Essa ação busca equiparar os direitos entre trabalhadores da iniciativa privada e do setor público.

Atendimento Prioritário e Inclusão Social

Além dos benefícios previdenciários, o projeto de lei amplia o direito ao atendimento prioritário em serviços públicos e privados. Pacientes com doenças crônicas graves, como a fibromialgia, passam a integrar o grupo que já conta com essa garantia, ao lado de idosos, gestantes e pessoas com deficiência. O texto ainda propõe a criação de níveis de prioridade para organizar o atendimento. Para comprovar o direito, será aceito relatório médico emitido pelo SUS com validade de até um ano, havendo também a possibilidade de inclusão da informação na carteira de identidade.

Outro avanço importante é a inclusão de pessoas com obesidade no direito a assentos preferenciais no transporte público, juntamente com portadores de doenças crônicas incapacitantes. Essa medida reforça as políticas de inclusão e acessibilidade, reconhecendo as dificuldades de mobilidade enfrentadas por esses grupos e alinhando-se a práticas já existentes em diversas cidades.

Próximos Passos e Reconhecimento da Fibromialgia

Apesar da aprovação na Comissão de Saúde, o projeto ainda percorrerá outras instâncias do Congresso Nacional. Ele passará pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, se aprovado, seguirá para votação na Câmara e no Senado. Somente após a sanção presidencial a medida entrará em vigor. O reconhecimento da fibromialgia como uma condição incapacitante, mesmo sem marcadores visíveis em exames, é um passo fundamental para combater o preconceito e garantir que pacientes recebam o suporte necessário para lidar com os desafios diários impostos pela síndrome, como dores crônicas, fadiga e distúrbios do sono.

O projeto também estabelece prazos máximos para diagnóstico e tratamento de pacientes com suspeita de esclerose múltipla no SUS, reforçando o acesso ao cuidado especializado. Essas atualizações legislativas, conforme informações, visam aprimorar o atendimento e a proteção social para pessoas com diversas condições de saúde.

Botão Voltar ao topo