Dólar Sobe Levemente no Brasil: Leilão do BC e Tensão Geopolítica Moldam Cotação

Dólar Sustenta Leves Ganhos no Brasil em Dia de Correção e Leilão do BC

O dólar fechou a quarta-feira (6) com um leve viés positivo frente ao real brasileiro. Este movimento ocorreu em um dia marcado pela correção após uma forte queda no pregão anterior e pela realização de um leilão de swap cambial reverso pelo Banco Central (BC). O comportamento da moeda norte-americana no Brasil contrastou com o cenário internacional, onde o dólar apresentou desvalorização frente a diversas outras divisas.

A expectativa de um possível acordo entre Irã e Estados Unidos para o fim da guerra no Oriente Médio impulsionou a queda do dólar no exterior. No entanto, no mercado brasileiro, a moeda americana à vista encerrou o dia com uma alta de 0,17%, atingindo R$ 4,9207. No acumulado do ano, o dólar acumula uma desvalorização de 10,35% em relação ao real.

No mercado futuro, o dólar para junho subia 0,19% por volta das 17h04, negociado a R$ 4,9505 na B3. A operação de swap cambial reverso, realizada pelo BC, tem o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro, o que tende a impulsionar a cotação da moeda americana.

Intervenção do Banco Central e Impacto no Mercado

Após iniciar o dia em baixa, acompanhando o movimento externo, o dólar começou a apresentar leves ganhos no Brasil após o Banco Central vender 10.000 contratos de swap cambial reverso, equivalentes a US$ 500 milhões. Esta operação, conhecida no mercado como tendo o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro, é um impulso de alta para a moeda, que por sua vez tende a influenciar o mercado à vista.

Diferentemente de outras ocasiões, o BC não realizou simultaneamente um leilão de venda de dólares à vista, operação conhecida como “casadão”. A atuação focada no swap reverso visa facilitar a redução de posições compradas em dólar no mercado futuro por parte dos investidores. Isso ocorre em um momento em que o cenário externo sugere uma moeda americana mais fraca.

Cenário Externo e a Busca por um Acordo de Paz

Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, explicou que a atuação do BC com swap reverso é pontual e busca ajudar na liquidez, atuando para os dois lados do mercado. Ele ressaltou que o Banco Central não busca definir uma cotação de equilíbrio, mas sim corrigir movimentos muito agudos. A volatilidade recente do dólar foi justificada pelo noticiário sobre a guerra, que levou a moeda de R$ 5,13 para um pico de R$ 5,31 em março, antes de se aproximar dos R$ 4,90 com a expectativa de um acordo de paz.

A esperança de um acordo entre Irã e EUA ganhou força com notícias de que ambos os países estariam perto de um memorando para encerrar o conflito. O presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou essa expectativa, afirmando que as negociações estavam indo bem e que um acordo era possível. Essa perspectiva de paz contribuiu para a desvalorização do dólar globalmente.

Correção Pós-Queda e Fluxo Cambial

Profissionais do mercado também apontaram que um ajuste de alta nas cotações do dólar ante o real era esperado após a forte queda do dia anterior, quando a moeda atingiu seu menor valor desde janeiro de 2024. O Brasil se destacou como uma exceção à tendência global de desvalorização do dólar, impulsionado pela intervenção do BC e pela correção natural do mercado.

Em paralelo, o Banco Central informou que o Brasil registrou um fluxo cambial total positivo de US$ 9,291 bilhões em abril. Este resultado reverte o forte fluxo negativo de US$ 6,350 bilhões observado em março, primeiro mês do conflito no Oriente Médio. A notícia sobre o fluxo cambial positivo também contribui para um ambiente mais favorável ao real.

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