Dólar Dispara para R$ 5,22 com Tensão no Oriente Médio e Risco Eleitoral no Brasil

Dólar atinge R$ 5,22 em dia de aversão ao risco global e preocupações com o cenário eleitoral brasileiro.

O dólar americano encerrou o pregão desta terça-feira (18) cotado a R$ 5,2216, marcando o terceiro dia consecutivo de alta e superando a marca de R$ 5,20. A moeda norte-americana registrou seu pico de R$ 5,2221 no final das negociações, refletindo um comportamento de aversão ao risco nos mercados internacionais.

Essa valorização do dólar alinha-se a um movimento global, onde divisas de mercados emergentes sofrem pressão. A manutenção do preço do petróleo tipo Brent acima dos US$ 90 o barril, devido às crescentes incertezas sobre o conflito no Oriente Médio, é um dos principais fatores que contribuem para esse cenário de instabilidade cambial.

Apesar de uma leve queda no dia anterior, o dólar acumula ganhos expressivos em agosto, totalizando 2,98%. No ano, a moeda ainda apresenta perdas de 4,87%. As informações e dados foram divulgados pela Agência Estadão.

Incertezas geopolíticas e o impacto no petróleo

O conflito no Oriente Médio e as tensões em torno do Estreito de Ormuz têm mantido o petróleo Brent em patamares elevados. O contrato para outubro fechou em leve alta de 0,17%, a US$ 91,02 o barril. O presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou o clima de tensão ao afirmar que não há negociações em andamento com o Irã e publicar uma imagem de Ormuz como território americano.

Embora a alta do petróleo geralmente favoreça economias exportadoras de commodities, como o Brasil, através da melhora dos termos de troca e perspectivas de fluxo comercial, o mercado local não tem demonstrado apetite pelo chamado “trade do petróleo”. Isso se deve tanto à aversão global ao risco quanto à cautela com a proximidade das eleições presidenciais no Brasil.

Análise econômica e perspectivas para o dólar

Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, aponta que, mesmo com a saída de recursos da bolsa brasileira, o fluxo cambial não indica uma crise. No entanto, ele ressalta que o crescente peso do risco eleitoral corrobora a previsão de que o dólar pode permanecer acima de R$ 5,167. A proximidade das eleições no Brasil adiciona uma camada de incerteza ao cenário.

José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, observa que o real não tem reagido positivamente à alta do petróleo nem à queda do índice DXY (que mede o comportamento do dólar contra seis moedas fortes). Ele destaca que, tecnicamente, R$ 5,30 representa um importante nível de resistência para a moeda americana.

Cenário internacional e o Federal Reserve

O índice DXY operou com leve viés de alta, circulando os 99,640 pontos. Após a divulgação de indicadores econômicos mais fracos nos EUA, as atenções se voltam para a ata do último encontro do Federal Reserve (Fed). Espera-se que o documento confirme a divisão interna no banco central americano sobre a necessidade de um aperto monetário.

Chris Turner, chefe de estratégia global de mercados do banco ING, pondera que a alta nos preços de energia tende a impulsionar o dólar, tanto pela independência energética dos EUA quanto pela possibilidade de apostas em alta de juros pelo Fed. O aumento recente das taxas dos Treasuries longos, em meio ao estresse nos mercados globais, também pressiona as divisas de países emergentes, como o real brasileiro.

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