Dólar Dispara e Atinge R$ 5,15 com Números Fortes de Emprego nos EUA, Aumentando Apostas em Alta de Juros do Fed

Dólar sobe 1,78% e fecha em R$ 5,1572 com dados de emprego nos EUA impulsionando o índice DXY.

O mercado de câmbio brasileiro sentiu o impacto direto dos dados robustos de emprego divulgados nos Estados Unidos nesta sexta-feira, 5. O dólar disparou e encerrou o pregão em alta de 1,78%, cotado a R$ 5,1572, o maior valor de fechamento desde o início de abril. Essa valorização da moeda americana reflete um movimento global, com o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, superando os 100 pontos pela primeira vez desde abril.

Os números do Departamento do Trabalho dos EUA mostraram a criação de 172 mil vagas em maio, superando significativamente as projeções de 125 mil. Além disso, os dados de abril e março foram revisados para cima, indicando um mercado de trabalho americano surpreendentemente resiliente. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, e o salário médio por hora apresentou alta de 0,3%, em linha com as expectativas.

Essa força no mercado de trabalho dos EUA alimenta as expectativas de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, possa considerar novas altas na taxa de juros ainda neste ano. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicou um aumento nas apostas para uma elevação em dezembro, atingindo 70% de chances. Conforme divulgado pelo Estadão, a economista Isadora Junqueira, da Az Quest, ressaltou que “o número do payroll reforça que o foco do Fed deve permanecer na inflação. Com inflação mais alta e mercado de trabalho mais forte, haveria pouco espaço para o Fed pensar em queda de juros. O cenário é cada vez mais de estabilidade ou alta.”

Impacto no Real e no Carry Trade

A alta expressiva do dólar impactou negativamente o real, que acumula perdas de 2,27% na primeira semana de junho e 1,82% em maio. Embora o real tenha sofrido mais que outras divisas no dia, ele ainda figura entre as moedas com melhor desempenho em 2026, apesar de as perdas anuais terem se ampliado para 6,04%.

Chris Turner, chefe de estratégia de mercados do banco ING, alertou, em nota, que “o ambiente de dólar mais forte está começando a se mostrar um obstáculo para o carry trade com o real”. Ele também mencionou que o cenário político doméstico, com a melhora na aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode estar pesando sobre a moeda brasileira. Contudo, Turner ponderou que, se não houver uma disparada nas taxas dos Treasuries e do dólar, o real pode encontrar “um bom suporte”, devido aos juros locais ainda elevados e ao status do Brasil como exportador líquido de petróleo.

Mercado de Juros e Petróleo Reagem

A divulgação dos dados de emprego nos EUA provocou um aumento generalizado nos rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana, especialmente na ponta mais curta. O retorno do papel de dois anos, sensível às expectativas de juros, subiu mais de 10 pontos-base, alcançando 4,17%. Paralelamente, os preços do petróleo recuaram mais de 2%, mas essa queda não aliviou a percepção de risco, visto que os preços do barril se mantêm acima de US$ 90 na semana.

Cenário Econômico Doméstico e Perspectivas

A ausência de indicadores econômicos relevantes na agenda doméstica e novidades no front político contribuíram para que o dólar ensaiasse uma baixa na abertura. No entanto, a divulgação do payroll americano a partir das 9h30 virou a maré. O economista Paulo Gala, professor da FGV-SP, destacou que os números do payroll tiveram um impacto imediato no mercado local, impulsionando o dólar para R$ 5,15 e acentuando a deterioração observada na quarta-feira anterior, com o desmonte de posições em ativos brasileiros e a disparada dos juros longos.

Gala também apontou que, com a inflação brasileira já acima de 3% em quatro meses e expectativas anuais acima de 5%, o Banco Central do Brasil tem seu espaço para cortar a taxa Selic reduzido. Essa situação se agrava diante de um dólar pressionado e de uma economia americana que, apesar de sinais mistos, demonstra força. A tendência, segundo ele, é de manutenção ou até mesmo alta dos juros americanos, o que impacta diretamente o mercado de câmbio e a atratividade dos ativos brasileiros.

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