Dólar Afunda com Tensão Geopolítica Menor e Inflação Controlada nos EUA: Real Ganha Força

Dólar em Queda Livre: Alívio Geopolítico e Inflação Sob Controle nos EUA Impulsionam o Real

O dólar registrou uma queda significativa nesta quinta-feira, 28, acompanhando a tendência global da moeda americana, mas manteve-se acima da marca de R$ 5,03. A diminuição das tensões geopolíticas, especialmente com sinais de progresso nas negociações entre Irã e Estados Unidos, e a divulgação de dados de inflação comportados nos EUA, abriram caminho para a valorização das moedas de países emergentes.

O real brasileiro demonstrou um desempenho superior em relação a outras moedas latino-americanas, recuperando parte das perdas recentes. Essas perdas foram atribuídas a ruídos políticos internos, particularmente em relação ao caso conhecido como “Flávio Day 2.0”.

A moeda brasileira pode ter sido beneficiada também pela combinação de menor aversão ao risco no mercado internacional com a manutenção dos preços elevados do petróleo, um fator que historicamente favorece os termos de troca do Brasil. Conforme informação divulgada pela Agência Estadão, o dólar à vista operou em terreno negativo na maior parte do dia, com uma mínima de R$ 5,0238, encerrando o pregão com uma baixa de 0,57%, a R$ 5,0318.

Tensão Geopolítica e Inflação: Os Motores da Valorização do Real

A dinâmica do mercado de câmbio tem sido fortemente influenciada pela “guerra diplomática” entre EUA e Irã, gerando oscilações no apetite por risco. “Hoje tivemos uma reviravolta. Começamos o dia com notícias de ataques, mas depois veio a informação de um acordo para prorrogar o cessar-fogo, o que trouxe alívio para o mercado”, explicou Jacques Zylbergeld, superintendente de câmbio do Banco Rendimento.

Zylbergeld ressalta que, embora o caso “Dark Horse” tenha abalado parcialmente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, o destino do real no curto prazo parece mais atrelado ao comportamento do dólar no exterior. A inflação nos EUA, apesar de dados comportados, ainda preocupa o Federal Reserve (Fed).

“O Banco Central americano está com uma dor de cabeça com os preços de energia. Os dados de inflação hoje não trouxeram grande alívio. O mercado segue projetando mais riscos de alta de juros nos Estados Unidos. Isso deixa o dólar mais forte no exterior e impede a taxa de câmbio de voltar para a casa de R$ 4,90”, afirma Zylbergeld.

Petróleo Estável e Índice Dólar em Baixa Contribuem para o Cenário Positivo

Os preços do petróleo apresentaram leve alta, impulsionados pelas notícias sobre as negociações de paz no Oriente Médio. O contrato do Brent para agosto, referência para a Petrobras, fechou em alta de 0,49%, a US$ 92,70 o barril. Relatos indicaram um acordo preliminar entre EUA e Irã para um memorando de entendimento de 60 dias, prevendo a extensão do cessar-fogo, negociações sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuava cerca de 0,20% no fim da tarde, operando próximo aos 99,00 pontos. As taxas dos Treasuries também exibiram queda discreta, concentrada nos juros de longo prazo.

Inflação nos EUA: Dados Abaixo do Esperado, Mas Banco Central Mantém Vigilância

O índice de preços de gastos com consumo (PCE) nos Estados Unidos, métrica de inflação preferida pelo Federal Reserve, veio ligeiramente abaixo das expectativas em abril. No entanto, o indicador permanece rodando em torno de 3% na comparação anual, bem acima da meta de 2% do Fed.

“A medida de inflação preferida do Federal Reserve não foi tão alta quanto se temia, mas isso fará pouco para dissuadir os membros do Fed de abandonar uma postura cada vez mais conservadora”, alertou James Knightley, economista-chefe internacional do ING, em nota a clientes. Ele acrescentou que o BC americano só suavizará o tom quando tiver confiança de que a escalada dos preços de energia cessou, o que depende, em parte, de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.

O mercado de futuros de juros nos EUA, monitorado pelo CME Group, está dividido entre dezembro deste ano e janeiro de 2027 para a próxima elevação de juros. Declarações de dirigentes do Fed, como John Willians e Alberto Musalem, indicam que a política monetária permanece restritiva e que a possibilidade de novas altas de juros, embora não iminente, não pode ser descartada.

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