Cobertores com “cheiro de guardado”? Descubra o jeito certo de armazenar suas peças

Com a chegada da primavera e a aproximação dos dias mais quentes, muitas famílias começam a guardar os cobertores, edredons e mantas que foram indispensáveis durante o inverno. No entanto, um erro bastante comum pode comprometer a conservação dessas peças: armazená-las em sacos plásticos.

Especialistas em cuidados têxteis alertam que essa prática, apesar de parecer prática e segura contra poeira, é uma das principais causas do indesejado “cheiro de guardado” — além de favorecer a proliferação de fungos e mofo.

O problema do saco plástico

Guardar cobertores em sacos plásticos cria um ambiente fechado, sem circulação de ar. O tecido não consegue “respirar”, o que gera acúmulo de umidade natural presente nas fibras e até mesmo no ar. Essa umidade, por sua vez, é o que provoca o cheiro desagradável conhecido como “cheiro de guardado”.

Segundo especialistas em lavanderia e higienização doméstica, o plástico também potencializa o risco de mofo e bolor, especialmente em regiões úmidas do Brasil ou em armários que não recebem ventilação adequada. “O mofo não precisa de muita água para se proliferar. Uma mínima concentração de umidade em ambiente abafado já é suficiente para manchar o tecido e causar odores persistentes”, explica a consultora em organização doméstica Camila Lemos.

Riscos para a saúde

Não se trata apenas de uma questão estética ou de cheiro. O mofo e o bolor liberam esporos no ambiente, que podem causar alergias respiratórias, crises de asma e rinite. Para pessoas com imunidade baixa, a exposição contínua pode ser ainda mais prejudicial.

Dormir com um cobertor que ficou guardado em más condições significa inalar essas partículas durante horas, aumentando o desconforto e os riscos à saúde. Crianças e idosos, por serem mais sensíveis, são os mais afetados.

Impactos no tecido

Além do cheiro, guardar em sacos plásticos pode comprometer a durabilidade dos cobertores. O acúmulo de umidade pode manchar as fibras, provocar amarelamento e até deixar a peça áspera ao toque. Em alguns casos, o tecido pode perder maciez e até desbotar.

Edredons e cobertores de lã, que são mais grossos, sofrem ainda mais, pois levam mais tempo para secar completamente após a lavagem e retêm mais umidade.

Como guardar corretamente

A boa notícia é que é possível armazenar seus cobertores sem correr riscos e sem ocupar tanto espaço. Veja as recomendações de especialistas:

1. Lave antes de guardar

Nunca guarde um cobertor usado sem lavar. O suor, as células mortas da pele e resíduos de poeira ficam impregnados nas fibras, servindo de alimento para fungos e bactérias. A lavagem deve ser feita de acordo com a etiqueta da peça — muitas podem ser lavadas em máquina, mas outras exigem lavagem profissional.

2. Seque totalmente

Mesmo que o cobertor pareça seco, deixe-o exposto em local arejado por algumas horas antes de dobrar e guardar. O ideal é secar ao sol, que ajuda a eliminar fungos e bactérias. Se for usar secadora, selecione a temperatura adequada para não danificar as fibras.

3. Prefira sacos de TNT ou algodão

Diferente do plástico, tecidos como TNT e algodão permitem a circulação de ar, evitando o abafamento. Esses sacos funcionam como “capas protetoras respiráveis” que mantêm a peça livre da poeira e, ao mesmo tempo, preservam a ventilação.

4. Use caixas organizadoras respiráveis

Caixas de papelão rígido ou caixas plásticas com respiros também são opções, desde que as peças estejam envolvidas em TNT ou algodão.

5. Aposte em sachês aromáticos naturais

Sachês com lavanda, cravo-da-índia, canela em pau ou até pedrinhas de cedro ajudam a manter o cheiro agradável e afastam insetos como traças. Evite produtos químicos muito fortes, pois o cheiro pode impregnar no tecido e causar alergias.

6. Guarde em local seco e arejado

O armário deve ser limpo regularmente e, se possível, arejado algumas horas por mês. Em regiões úmidas, pequenos desumidificadores de ambiente podem ser úteis.

Alternativas para economizar espaço

Muitas pessoas recorrem ao saco plástico por causa do espaço reduzido. De fato, sacos a vácuo podem reduzir em até 70% o volume dos cobertores. No entanto, se o objetivo for preservar a peça, eles devem ser usados com cautela.

A recomendação é utilizá-los apenas para curtos períodos, como mudanças ou viagens, e nunca como solução de armazenamento por meses. Nesse caso, o risco de umidade e mau cheiro volta a aparecer.

Para economizar espaço sem comprometer a conservação, vale investir em organizadores de cama-baú, prateleiras altas do guarda-roupa ou até mesmo malas limpas e arejadas, desde que com a proteção adequada.

Truques caseiros contra o “cheiro de guardado”

Se, mesmo com todos os cuidados, o cheiro indesejado surgir, existem algumas soluções caseiras para recuperar os cobertores:

  • Arejar ao sol: bastam algumas horas de exposição direta ao sol para eliminar grande parte dos odores.

  • Bicarbonato de sódio: polvilhe levemente sobre o cobertor, deixe agir por algumas horas e depois sacuda ou aspire. O bicarbonato neutraliza odores.

  • Vinagre branco: na lavagem, adicione meia xícara de vinagre branco no compartimento do amaciante. Ele elimina odores e ajuda a amaciar o tecido.

  • Sprays caseiros: misture água com algumas gotas de óleo essencial de lavanda e borrife levemente no cobertor antes de usar.

Cuidados extras com diferentes tipos de cobertor

Cada material exige atenção especial:

  • Cobertores de lã: devem ser lavados a seco ou à mão, com sabão neutro, para não encolher. Guarde sempre em TNT, nunca em plástico.

  • Edredons de microfibra: podem ser lavados em máquina, mas é importante secar completamente. Dobrar bem e armazenar em saco respirável é essencial.

  • Cobertores de algodão: mais resistentes, mas também precisam ser guardados limpos e secos. São menos suscetíveis a mofo, mas ainda podem ficar com cheiro de guardado se abafados.

Por que o “cheiro de guardado” é tão comum?

O fenômeno acontece pela combinação de três fatores: falta de ventilação, presença de umidade e armazenamento prolongado. Armários fechados, especialmente em climas tropicais como o Brasil, criam o cenário perfeito para esse tipo de odor.

Segundo especialistas, esse cheiro não é apenas incômodo, mas um sinal de que microrganismos estão ativos no tecido. Ou seja, é um alerta de que a peça precisa ser higienizada novamente antes do uso.

Botão Voltar ao topo