Café Transforma Vale do Jequitinhonha: Renda de R$ 640 Milhões e Futuro Promissor na Chapada de Minas

O café se tornou um motor de desenvolvimento para o Vale do Jequitinhonha, região que antes era sinônimo de escassez. A cafeicultura floresce na Chapada de Minas, especialmente em Capelinha, gerando uma receita impressionante de cerca de R$ 640 milhões por ano e demonstrando um potencial transformador para a economia local.
O Vale do Jequitinhonha, conhecido por seus desafios com a seca e baixos índices de renda, está experimentando uma reviravolta econômica graças ao café. Na área conhecida como Chapada de Minas, que engloba municípios como Capelinha, a produção de café consolidou-se como uma atividade primordial. Essa força cafeeira movimenta anualmente perto de R$ 640 milhões, abrangendo desde a agricultura familiar de subsistência até grandes empreendimentos.
A Fazenda Jacutinga, localizada em Capelinha, é um exemplo emblemático dessa transformação. Iniciada como um projeto de aposentadoria para os produtores Clênio Lamounier e Paulo Sadi, a propriedade de 85 hectares de café se tornou um modelo de tecnologia e sustentabilidade. A fazenda não só gera renda e melhora a qualidade de vida dos moradores locais, mas também impacta positivamente o fornecimento de água na região.
“Fizemos sete pequenos barramentos para segurar a água da chuva e, com essa água, conseguimos irrigar tudo isso e garantir aos nossos vizinhos, abaixo da fazenda, um volume de água que eles não tinham”, explica Lamounier. Essa iniciativa demonstra a importância do armazenamento de água para otimizar o uso em uma região com chuvas concentradas em poucos meses, mas com potencial para produção agrícola o ano todo.
A busca por soluções para a escassez hídrica levou a Fazenda Jacutinga a alcançar autossuficiência em água e energia elétrica. “Irrigamos 85 hectares de café e, ainda assim, liberamos mais água do que entra na fazenda para os nossos vizinhos. Consumimos 10 mil kWh por mês de energia elétrica e produzimos esse mesmo volume mensalmente em nossas usinas fotovoltaicas”, ressalta Sadi.
A propriedade, segundo Sadi, poderia expandir ainda mais sua autossuficiência energética se houvesse maior liberdade para produzir biocombustíveis, como o álcool a partir da cana-de-açúcar. No entanto, obstáculos governamentais impedem essa atividade. Sadi afirma com convicção: “Afirmo que, mesmo na pior terra do Vale do Jequitinhonha, consigo ter uma fazenda autossuficiente em tudo. Onde existe isso no mundo? Só no nosso Brasil”.
Café impulsiona negócios e a economia da Chapada de Minas
A história da Fazenda Jacutinga se conecta à cadeia produtiva do café através da Jequitinhonha Alimentos, empresa sediada em Capelinha. Essa parceria integra a produção do campo ao consumidor final, fortalecendo a cafeicultura na região. Luiz Carlos Moreira, CEO da Jequitinhonha Alimentos, destaca o diferencial da Chapada de Minas, com altitude e clima que protegem as lavouras de geadas, garantindo grãos de alta qualidade.
Moreira iniciou a Jequitinhonha Alimentos em 1997 como um pequeno torrador. Com o crescimento, a empresa expandiu para moagem nos pontos de venda e, em 2000, começou a empacotar café sob sua própria marca. Atualmente, a empresa oferece cafés tradicionais, extraforte e uma linha premium, além da marca Poema Café, voltada para cafés gourmet e especiais.
As 22 cidades da Chapada de Minas produzem cerca de 400 mil sacas de café anualmente, movimentando aproximadamente R$ 640 milhões. “O dinheiro pode não ficar todo aqui, mas sustenta o trabalho, outros negócios e os serviços públicos, pelo pagamento de impostos”, observa Moreira. Essa movimentação financeira demonstra o impacto socioeconômico do café no Vale do Jequitinhonha.
Da lavoura à xícara: a jornada do café Jequitinhonha
A Jequitinhonha Alimentos possui uma operação industrial em Capelinha para processar parte da produção regional. A empresa recebe a matéria-prima, realiza a triagem dos grãos e os submete ao processo de torra. A unidade tem capacidade para produzir 12 toneladas por dia, com uma produção mensal estimada em 200 toneladas de café.
Após a torra, o café é empacotado na própria unidade e distribuído pela frota da empresa. O percurso do grão se completa em pontos de venda como a cafeteria e livraria Papo em Dia, também em Capelinha, onde os cafés da marca oferecem uma experiência sensorial única ao consumidor, com harmonizações de produtos locais.
“Essa jornada mostra que alimento é algo sério. Trabalhamos com muita responsabilidade para garantir ao consumidor segurança e qualidade em cada produto que chega à mesa”, finaliza Moreira. O café do Vale do Jequitinhonha, que antes enfrentava desafios, agora se consolida como um símbolo de prosperidade e qualidade, unindo o campo à xícara com sucesso.