Aluguel Residencial em Junho: Taxa de Reajuste Cai para 0,10%, Menor que em Maio, Afeta São Paulo e Outras Capitais

Aluguel residencial desacelera em junho com alta de 0,10%, após reajuste de 0,33% em maio

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), registrou uma alta de 0,10% em junho, um ritmo menor comparado aos 0,33% observados em maio. Essa moderação no aumento dos aluguéis residenciais reflete um cenário econômico em que a taxa de juros ainda restritiva e a redução em índices como IPCA e IGP-M limitam a capacidade de repasse de custos por parte dos locadores, ao mesmo tempo em que oferecem um piso menor para os reajustes.

A desaceleração observada em junho é significativamente influenciada pelo recuo nos aluguéis residenciais em São Paulo, a cidade com maior peso na composição do IVAR. Mesmo com reajustes positivos em outras capitais pesquisadas, o movimento em São Paulo foi suficiente para conter o resultado agregado e interromper a trajetória de aceleração que vinha sendo vista no mês anterior. Essa dinâmica impacta diretamente o bolso de quem procura ou já reside em imóveis alugados.

O IVAR é uma ferramenta importante para entender a evolução dos valores de aluguéis residenciais no Brasil, pois se baseia em contratos efetivamente assinados entre locadores e locatários, com intermediação de administradoras de imóveis. Diferentemente de índices baseados em anúncios, o IVAR capta os valores reais negociados no mercado, oferecendo um retrato mais fiel da situação. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 7.

Desempenho das Capitais: São Paulo Lidera a Queda de Reajustes

Em São Paulo, o aluguel residencial passou de um aumento de 0,22% em maio para um recuo de 0,19% em junho, marcando o fim de doze altas consecutivas. Essa reversão em São Paulo foi crucial para a desaceleração geral do índice. Em contrapartida, outras capitais apresentaram elevações, embora em ritmos variados.

No Rio de Janeiro, o índice de reajuste do aluguel residencial passou de 0,34% em maio para 0,35% em junho. Em Belo Horizonte, a alta foi de 0,64% para 0,34% no mesmo período. Já em Porto Alegre, o avanço foi de 0,32% para 0,33%.

Acumulado Anual: Variações Significativas nas Principais Cidades

Analisando o acumulado em 12 meses até junho, os aluguéis em São Paulo apresentaram uma alta de 3,95%, uma redução considerável em relação aos 7,56% registrados até maio. No Rio de Janeiro, o acumulado é de 5,87%, enquanto em Belo Horizonte a elevação chega a 7,07%. Porto Alegre acumula uma alta de 3,06% no mesmo período.

Impacto da Taxa de Juros e Inflação nos Aluguéis

O economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, explicou que a manutenção de uma taxa de juros ainda restritiva dificulta o repasse de custos por parte dos locadores. Paralelamente, a moderação em índices como o IPCA e o IGP-M contribui para reduzir o piso dos aumentos, favorecendo uma maior estabilidade nos valores dos aluguéis residenciais.

IVAR: Um Índice Focado em Contratos Reais

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) foi desenvolvido para medir a evolução mensal dos valores de aluguéis residenciais com base em informações obtidas diretamente de contratos firmados entre locadores e locatários, sob a intermediação de empresas administradoras de imóveis. Essa metodologia garante que os dados reflitam os valores efetivamente negociados no mercado imobiliário brasileiro.

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