INSS identifica contratos de crédito consignado para beneficiários com mais de 120 anos
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou a existência de 86 contratos ativos de crédito consignado para aposentados ou pensionistas com idade superior a 120 anos.
Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e revelam uma situação curiosa e alarmante dentro do sistema previdenciário brasileiro.
Um número ínfimo, mas inquietante para o INSS
Apesar de representar uma fração ínfima – apenas 86 contratos em meio a 57,3 milhões de registros ativos – o fato levanta sérias questões. Afinal, é improvável que indivíduos nessa faixa etária ainda estejam vivos.
Essa inconsistência levanta suspeitas de erros cadastrais, fraudes ou até mesmo golpes envolvendo identidades fictícias.
O que dizem as entidades financeiras
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) repudiou a concessão de empréstimos para beneficiários nessa faixa etária sem o devido rigor técnico.
A entidade ressaltou que “não há registro sobre pessoas vivas com 120 anos ou mais” e classificou os casos como inimagináveis, sugerindo falhas graves nos processos de validação.
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) afirmou que cada instituição segue seus próprios critérios de concessão, mantendo-se na defensiva ao evitar comentar práticas discriminatória.
Impactos na transparência e segurança do sistema
A descoberta foi acompanhada por especialistas que expressam preocupação sobre a qualidade da base de dados do INSS, visto que erros numéricos ou omissões podem representar vulnerabilidades exploráveis.
Uma advogada previdenciária ouvida pela Folha classificou a situação como “bastante curiosa” e manifestou receio quanto a possível fraude ou irregularidades nos contratos consignados.
Adicionalmente, o fato de haver 2,5 milhões de contratos ativos para pessoas entre 80 e 120 anos—uma faixa etária na qual o crédito se torna mais arriscado—acende alertas sobre a necessidade de monitoramento e análise criteriosa, especialmente por conta do risco de mortalidade e inadimplência.
Contexto mais amplo: fraudes e falhas no sistema consignado
O caso ocorre em meio a uma série de denúncias envolvendo falhas no crédito consignado do INSS, incluindo fraudes massivas em descontos não autorizados.
Em 2025, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal investigam esquemas conhecidos como Operação Sem Desconto, que apontaram desvios bilionários por meio de descontos ilegítimos na folha de pagamento de pensionistas e aposentados.
Além disso, o sistema enfrenta críticas por inconsistências nos cadastros: são milhões de benefícios com CPFs duplicados, ausência de informações completas ou mesmo emissão de benefícios para pessoas já falecidas.
Dados que merecem atenção
| Faixa etária | Contratos ativos | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| +120 anos | 86 contratos | Possível erro, fraude ou inconsistência |
| 80 a 120 anos | ~2,5 milhões | Risco elevado de inadimplência ou mortalidade |
Repercussão jurídica e institucional
A advogada do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário) questionou: “Esses beneficiários estão vivos ou são benefícios fraudados?” e alertou que múltiplos contratos podem estar vinculados a um único beneficiário, o que exige investigação rigorosa.
O episódio pode desencadear revisões internas no INSS e pressões por maior integração com a Dataprev, responsável pela base de dados de benefícios. Também pode motivar ajustes regulatórios para reforçar políticas de segurança e evitar abusos, especialmente em relação ao crédito consignado.
Conclusão
A identificação de 86 contratos de crédito consignado ativos para beneficiários com mais de 120 anos acende um alerta sobre potenciais falhas no sistema do INSS — desde erros de cadastro até possíveis fraudes envolvendo dados de beneficiários.
Ainda que a quantidade de casos pareça pequena frente ao universo de concessões, o impacto simbólico e prático é significativo, sobretudo em um contexto já repleto de denúncias sobre fraudes e descontos indevidos.
A situação reforça a urgência de ações corretivas, como auditorias, melhorias no sistema de verificação de dados (via Dataprev), reforço regulatório e transparência nas informações.
O Brasil precisa assegurar que os benefícios cheguem a quem de fato tem direito — com segurança, precisão e respeito.