Augusto Cury promete manter Pix com adaptações e defende autonomia brasileira em negociações internacionais - Brasa Noticias

Augusto Cury promete manter Pix com adaptações e defende autonomia brasileira em negociações internacionais

Candidato à Presidência, Augusto Cury, afirma que pretende manter o Pix, mas com possíveis adaptações, e discute política externa brasileira.

Em campanha pelo país, o candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, declarou em 7 de setembro de 2026 que, caso eleito, pretende manter o sistema de pagamentos instantâneos Pix. No entanto, Cury indicou que a ferramenta poderá passar por mudanças durante seu eventual governo, embora não tenha especificado quais seriam essas alterações.

A declaração surge em um momento crucial, onde o Pix se consolidou como uma peça fundamental do sistema financeiro brasileiro e também se tornou tema em debates comerciais internacionais, especialmente entre Brasil e Estados Unidos. A ausência de detalhes sobre as adaptações deixa em aberto como essas possíveis mudanças poderiam impactar consumidores, empresas e o setor bancário.

Essa fala de Augusto Cury sobre o Pix ocorre em meio a uma crescente visibilidade do candidato nas pesquisas eleitorais. Ele tem apresentado um salto em intenções de voto, figurando como um nome relevante na chamada “terceira via”, com dois dígitos em levantamentos recentes. Conforme informação divulgada pelo Datafolha em setembro, Cury apareceu com 8% das intenções de voto no primeiro turno, mostrando um avanço em relação a pesquisas anteriores.

Pix: Continuidade com possíveis reformulações

Durante uma caminhada em Copacabana, no Rio de Janeiro, Augusto Cury reiterou que o Pix não seria eliminado em um eventual governo seu. Contudo, ele sinalizou a intenção de promover “adaptações” na ferramenta. A falta de um plano específico para essas mudanças impede, no momento, a compreensão de como elas poderiam afetar a segurança, o funcionamento das transações, a fiscalização ou o relacionamento com as instituições financeiras.

A força do Pix no cenário nacional

Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se tornou rapidamente uma das principais formas de pagamento no Brasil. O sistema oferece transferências e pagamentos instantâneos, operando em tempo integral. Os números oficiais demonstram sua dimensão: mais de 170 milhões de pessoas físicas já utilizaram o Pix, o que representa cerca de 80% da população brasileira. Em janeiro de 2026, foram registradas mais de 7 bilhões de transações.

O Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), administrado pelo Banco Central, é a infraestrutura responsável pela liquidação dessas operações. Em 1º de setembro de 2026, por exemplo, o SPI liquidou mais de 266 milhões de Pix, movimentando aproximadamente R$ 158 bilhões. Esses dados evidenciam o impacto significativo que qualquer alteração no sistema pode ter sobre a economia e os usuários.

Pix e o debate comercial Brasil-EUA

A declaração de Cury sobre o Pix também se insere em um contexto de discussões internacionais. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos entrou no debate comercial entre Brasil e Estados Unidos, com questionamentos do governo norte-americano sobre os possíveis efeitos da política brasileira em empresas estrangeiras do setor. Cury, ao prometer manter o sistema, ainda não detalhou como suas propostas de adaptação poderiam responder a esse cenário global.

É fundamental distinguir a existência do Pix de eventuais mudanças em sua regulamentação. O sistema é uma infraestrutura robusta, gerenciada pelo Banco Central, com regras próprias e a participação de centenas de instituições. Em agosto de 2026, havia 889 participantes do Pix, em diferentes modalidades de participação, conforme dados do BC.

Autonomia nas relações internacionais e o comércio brasileiro

Augusto Cury também aproveitou o evento no Rio de Janeiro para expor sua visão sobre política externa. Ele afirmou que um futuro governo buscaria preservar a autonomia do Brasil para negociar diretamente com outras nações, citando a intenção de conversar com o presidente argentino, Javier Milei, e com líderes dos países do Brics. Cury criticou as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, argumentando que prejudicam as exportações brasileiras.

A proposta de Cury seria combinar diplomacia com independência nas relações internacionais. Para as empresas brasileiras, a política comercial externa é crucial, influenciando exportações, importações e acesso a mercados. No entanto, as declarações de Cury até o momento são de caráter político e não detalham um plano econômico ou comercial concreto para lidar com tarifas internacionais ou impulsionar exportações.

O que falta detalhar sobre a proposta para o Pix

A principal incerteza deixada pela declaração de Cury reside no significado de “adaptações” para o Pix. Para uma análise objetiva da proposta, seria necessário conhecer quais regras seriam modificadas, quais problemas o candidato pretende solucionar e como essas alterações seriam implementadas. Também é importante saber se as mudanças afetariam usuários, empresas, bancos, instituições de pagamento ou apenas procedimentos regulatórios.

Enquanto esses detalhes não forem apresentados, a posição conhecida de Augusto Cury resume-se à defesa da continuidade do Pix, acompanhada da intenção de modificar algum aspecto de seu funcionamento, mantendo a ferramenta como um pilar financeiro nacional.

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