Dólar Cede Terreno Após Alta, Mas Mantém Tensão Acima de R$ 5,20 com Olho em Juros e Eleições

Dólar tem respiro e cai 0,36%, mas fecha acima de R$ 5,20 em dia de volatilidade

Após uma semana marcada por forte valorização, o dólar apresentou um recuo de 0,36% no mercado local nesta segunda-feira (17), fechando cotado a R$ 5,2012. A moeda, no entanto, segue em patamar elevado, acumulando alta de 2,58% em agosto, o que reflete as incertezas do cenário econômico e político.

Operadores do mercado atribuem a recuperação do real, ao menos momentânea, a um ambiente externo mais favorável às divisas de países emergentes. A divisa brasileira registrou um dos melhores desempenhos entre as moedas mais líquidas no dia, impulsionada por um ajuste técnico após a recente escalada.

As informações são da Agência Estadão. A busca por um ambiente de maior estabilidade cambial é constante, mas fatores domésticos e internacionais continuam a ditar o ritmo da moeda americana frente ao real, exigindo atenção de investidores e analistas.

Cenário Externo e Recuperação Técnica do Real

Durante a sessão, o dólar chegou a ensaiar um movimento de maior queda, aproximando-se do piso de R$ 5,18, com mínima registrada em R$ 5,1813. Contudo, a trajetória de baixa perdeu força no período da tarde, acompanhando uma mudança no comportamento dos mercados internacionais.

A escalada das taxas dos Treasuries nos Estados Unidos, em sintonia com a aceleração dos preços do petróleo Brent, que superou os US$ 90 o barril, trouxe de volta um certo grau de aversão ao risco. Esse movimento, segundo operadores, tende a sobrepor qualquer melhora nos termos de troca do Brasil, mesmo com a valorização de commodities.

Juros, Inflação e a Influência do Banco Central

A perspectiva futura para o dólar está intrinsecamente ligada às decisões de política monetária. Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil, avalia que a continuidade dos cortes na taxa Selic pelo Banco Central é um fator crucial. Ele acredita que o BC manterá o ciclo de redução de juros até o final do ano, diante de sinais de perda de fôlego na atividade econômica e na inflação.

Em relação aos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve (o banco central americano) não promova altas em sua taxa de juros neste ano. No entanto, Bacelar ressalta que qualquer elevação, caso ocorra, seria negativa para o real, aumentando a atratividade do dólar.

Impacto das Eleições Presidenciais no Câmbio

O cenário eleitoral brasileiro também adiciona uma camada de incerteza para o futuro do real. Bacelar prevê dias mais difíceis para a moeda, independentemente do resultado da corrida presidencial. A reeleição do atual presidente pode sinalizar dificuldades na área fiscal, o que pressionaria o câmbio.

Por outro lado, uma eventual vitória da oposição, com um ajuste fiscal mais robusto, poderia abrir espaço para maiores cortes na Selic. Essa dinâmica, segundo o gestor, também poderia diminuir a atratividade do real. Ele compara a situação a uma possível estrutura fiscal mais apertada com política monetária mais frouxa, que historicamente resulta em uma moeda mais depreciada.

Atuação do Banco Central e Indicadores Econômicos

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgou um recuo de 0,64% em junho em relação a maio, na série com ajuste sazonal. Este dado ficou abaixo das projeções de mercado e reforça a percepção de um arrefecimento da atividade econômica no país.

Além disso, o Banco Central atuou no mercado de câmbio, realizando a rolagem de swaps e vendendo a oferta integral de US$ 1 bilhão em linha para rolagem de vencimento. Essa intervenção visa a estabilizar o mercado e gerenciar a volatilidade da moeda.

Dólar em Perspectiva Global e Futuro da Taxa Americana

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operava em leve baixa, mas mantinha uma valorização acumulada no ano. A perspectiva majoritária entre os analistas é de manutenção da taxa básica de juros americana em setembro, com a ata do último encontro do Federal Reserve, a ser divulgada nesta quarta-feira (19), podendo confirmar divisões internas sobre a necessidade de novas altas.

Economistas como Jan Hatzius, do Goldman Sachs, apontam que, apesar de uma ala mais “falcão” ter ganhado força no Fed, dados mais recentes de emprego e inflação nos EUA podem dificultar a mudança de posição a favor de novas altas de juros neste ano, o que seria um alívio para moedas emergentes como o real.

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