Ibovespa: Queda de 1,5% na sexta-feira, mas fecha semana em alta com volatilidade de commodities e fluxo estrangeiro em foco

Ibovespa registra queda de 1,5% na sexta-feira, mas garante leve alta semanal em meio a incertezas globais e fluxo de capital.

O Ibovespa encerrou a sessão de sexta-feira (24) em território negativo, com uma desvalorização de 1,52%, impulsionado pela escassez de liquidez e pelas perdas registradas em ações de peso, as chamadas blue chips. Apesar do dia adverso, o índice conseguiu acumular uma modesta valorização semanal de 0,19%, sustentado por uma alta pontual na quarta-feira.

O pregão foi marcado pela instabilidade, com o índice oscilando em torno da marca de 176.719,62 pontos. A baixa performance foi atribuída, em grande parte, à queda nos preços do petróleo e à reduzida entrada de fluxo estrangeiro, fatores que aumentaram a volatilidade do mercado e penalizaram, em especial, as ações de bancos.

As bolsas americanas também não ofereceram um cenário animador, fechando a sexta-feira em baixa. O Dow Jones recuou 0,38%, o Nasdaq cedeu 2,13% e o S&P 500 apresentou queda de 0,61%. Essa performance negativa nos mercados internacionais contribuiu para o sentimento de cautela predominante entre os investidores.

Conforme análise de Pedro Galdi, analista da AGF, a combinação de desvalorização em gigantes como Vale e Petrobras, somada às perdas nos setores bancário e de commodities, foi o principal motor da queda do Ibovespa. Ele destacou que mesmo as ações de empresas ligadas a setores cíclicos tiveram um dia ruim, o que é incomum mesmo diante da queda nos juros futuros.

Petróleo e tensões geopolíticas afetam Petrobras e ações de commodities

As ações da Petrobras, tanto PN quanto ON, registraram perdas de 1,72% e 2,36%, respectivamente. Segundo Galdi, as ações estavam “devolvendo um pouco da gordura, pois haviam subido bastante”. O recuo do petróleo foi influenciado por notícias sobre a possibilidade de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pela China. Embora o barril do Brent tenha fechado acima de US$ 100 na quinta-feira, a perspectiva de resolução dos conflitos é vista como frágil, dada a continuidade das ações militares na região.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, explicou que conflitos como esses geram forte volatilidade nos contratos de petróleo e aumentam a aversão ao risco do investidor estrangeiro. Em períodos de incerteza, observa-se um movimento de fuga de capital de mercados emergentes e mais voláteis, como o Brasil, em direção a mercados mais seguros, como o americano, buscando a proteção do dólar e dos títulos do Tesouro dos EUA.

Vale e setor financeiro sob pressão com saída de fluxo estrangeiro

A Vale também sentiu o impacto da desvalorização, com suas ações recuando 0,58%, influenciadas pela queda moderada nos preços do minério de ferro. O analista Pedro Galdi apontou que os bancos, como Itaú Unibanco (-1,08%) e Bradesco PN (-1,28%), também foram afetados pela saída de fluxo estrangeiro do mercado brasileiro.

O noticiário sobre a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, em investigação sobre trabalho forçado, também esteve no radar do mercado. Embora a medida já fosse esperada, o risco de o Brasil aplicar a Lei de Reciprocidade gerou preocupações, mas o governo indicou que estudará a aplicação da lei como uma estratégia de negociação, sem necessariamente adotá-la.

Desempenho semanal e perspectivas para o mercado

Apesar da queda de 1,52% no fechamento de sexta-feira, o Ibovespa acumulou uma variação positiva de 0,19% na semana. O giro financeiro foi de apenas R$ 16,5 bilhões, indicando um volume de negócios abaixo do esperado. Em julho, o índice acumula ganhos de 1,17%, e no ano, a alta é de 8,02%. A volatilidade e a busca por segurança por parte dos investidores internacionais devem continuar sendo fatores determinantes para o comportamento do mercado nas próximas semanas.

As informações sobre o desempenho do Ibovespa e os fatores que influenciaram o mercado foram divulgadas pela Agência Estadão, com reportagem de Denise Abarca.

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