Dólar Dispara: Geopolítica no Oriente Médio e Queda de Gigantes da Tecnologia Pressionam o Real Brasileiro

Fuga de Risco Impulsiona Dólar e Pressiona Real Brasileiro em Dia de Turbulência Global
O dólar encerrou a sexta-feira (17) em leve alta ante o real, refletindo um cenário internacional de aversão ao risco. A escalada de ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, somada à queda expressiva nas ações de fabricantes de chips, levou investidores a buscarem ativos considerados mais seguros, como a moeda norte-americana.
Essa dinâmica global impactou diretamente o mercado brasileiro, com o dólar à vista fechando o dia em alta de 0,25%, alcançando R$5,1109. Apesar da variação semanal ter se mantido praticamente estável, com uma modesta alta de 0,06%, o acumulado do ano mostra o dólar com uma desvalorização de 6,89%.
O dia foi marcado por um típico comportamento de “risk-off”, onde índices de ações ao redor do mundo registraram quedas, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano diminuíram e o dólar se fortaleceu contra diversas moedas, especialmente as de economias emergentes. O preço do petróleo Brent também apresentou elevação, voltando a ser negociado na faixa dos US$87 o barril.
Tensão no Oriente Médio e Setor de Tecnologia Ditando o Ritmo
A escalada de conflitos no Oriente Médio foi um dos principais fatores de pressão. Os Estados Unidos intensificaram sua campanha de bombardeios contra o Irã, atingindo infraestruturas importantes como pontes e um aeroporto. Em resposta, o Irã realizou ataques a bases americanas na região, incluindo um centro de operações especiais na Síria, marcando o primeiro ataque iraniano conhecido ao território sírio desde o início do conflito.
Paralelamente, investidores demonstraram preocupação com a sustentabilidade dos investimentos no setor de tecnologia, especialmente em empresas ligadas à inteligência artificial e fabricantes de chips. A liquidação de posições nesses ativos contribuiu para a busca por refúgios seguros, impulsionando o dólar.
Impacto nas Moedas Emergentes e Declaração de Lula
O cenário de aversão ao risco se traduziu em uma ampla desvalorização das moedas de países emergentes e exportadores de commodities. O peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real brasileiro foram exemplos de divisas que sentiram o impacto, com um fluxo intensificado de busca pelo dólar, conforme ressaltou Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad.
Durante a sexta-feira, o dólar à vista atingiu seu pico intradia de R$5,1346 (+0,71%) pela manhã. No entanto, na parte da tarde, a moeda reduziu seus ganhos, chegando à mínima de R$5,1050 (+0,13%), à medida que alguns investidores zeraram posições no fechamento da semana, ainda assim, terminando o dia em leve alta.
No Brasil, a notícia sobre a possível cobrança de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos também gerou atenção. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que só se pronunciará sobre o assunto após manifestação do presidente americano, Donald Trump, enfatizando a importância de uma comunicação clara e verdadeira.
Indicadores Econômicos e Intervenção do Banco Central
Em relação aos indicadores econômicos domésticos, o Banco Central informou que o Índice de Atividade (IBC-Br) apresentou uma alta de 0,1% em maio, na série com ajuste sazonal. Este resultado representa uma desaceleração em comparação com a alta revisada de 0,4% registrada em abril, e ficou abaixo das projeções de economistas, que esperavam um resultado nulo para maio. Na comparação anual, sem ajuste sazonal, o IBC-Br subiu 0,8% em maio.
Para conter a volatilidade, o Banco Central atuou no mercado, vendendo 50.000 contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento de 3 de agosto. Essa medida visa a gerenciar a liquidez e a estabilidade da moeda no mercado.
Mercado Global em Alerta: Dólar Forte Contra Divisas Globais
O índice do dólar, que mede seu desempenho frente a uma cesta de seis moedas principais, apresentou leve alta, subindo 0,02% e alcançando 100,730. Este movimento reforça a tendência de fortalecimento da moeda americana em um ambiente de incertezas geopolíticas e econômicas globais, impactando moedas de mercados emergentes como o real brasileiro.