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"title": "Copa do Mundo: Empresas se preparam para jogos com telões e ajustes de escala, mas legislação não obriga liberação de funcionários",
"subtitle": "Bares e restaurantes esperam aumento de faturamento, enquanto entregadores de aplicativo enfrentam dilema entre trabalho e futebol. Setores essenciais buscam flexibilização.",
"content_html": "<h2>A atmosfera da Copa do Mundo já toma conta do ambiente corporativo e comercial no Brasil, com empresas buscando formas de engajar funcionários e clientes durante os jogos. Desde a instalação de telões em áreas comuns até a organização de eventos temáticos, o objetivo é criar um clima festivo e, em alguns casos, otimizar a experiência de trabalho.</h2>nn<p>A proximidade da Copa do Mundo impulsiona diversas estratégicas no mercado brasileiro. Empresas de diferentes setores se movimentam para se adaptar ao calendário de jogos, buscando conciliar as atividades de trabalho com a paixão nacional pelo futebol. Essa preparação envolve desde a implementação de medidas para que colaboradores acompanhem as partidas até a expectativa de aumento no movimento em estabelecimentos comerciais.</p>nn<p>Enquanto alguns funcionários poderão desfrutar de momentos de descontração assistindo aos jogos, outros, como os motoristas de aplicativo, enfrentam decisões difíceis que podem impactar diretamente sua renda. A legislação trabalhista, por sua vez, estabelece limites claros sobre a obrigatoriedade de liberação para acompanhar as partidas.</p>nn<p>A adaptação das empresas aos dias de jogos da Copa do Mundo reflete a importância cultural do evento no país. Conforme informações divulgadas pelo Diário do Comércio, a Foundever, uma empresa do setor de serviços, preparou uma programação especial para seus colaboradores, incluindo quizzes, campeonatos internos e transmissões das partidas em áreas comuns, tanto para quem atua presencialmente quanto em home office.</p>nn<h3>Saúde e corporativo: flexibilidade em meio à rotina</h3>nn<p>No setor da saúde, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz informou que manterá sua operação assistencial e escalas de trabalho sem alterações durante o torneio. Para os colaboradores das áreas corporativas, a exibição dos jogos do Brasil em telão no auditório e em televisores espalhados pelos refeitórios e outros espaços internos busca oferecer um momento de lazer. Pacientes e acompanhantes também terão a opção de acompanhar as partidas pelas TVs nos quartos e áreas comuns.</p>nn<h3>Bares e restaurantes: aposta no aumento de movimento</h3>nn<p>Para bares e restaurantes, a Copa do Mundo representa uma oportunidade de crescimento. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP) estima que cerca de metade dos estabelecimentos transmitirá as partidas, com uma expectativa de aumento de aproximadamente <b>20% no faturamento</b> ao longo do torneio. Gabriel Pinheiro, diretor da entidade, destaca que muitos estabelecimentos se tornam o ponto de encontro para funcionários que saem mais cedo do trabalho para assistir aos jogos.</p>nn<p>O restaurante Espetinhos Paulista, em Cajamar (Grande SP), por exemplo, investiu em telões e decoração temática. O garçom Aureliano Santos, com seis anos de experiência no local, relata que a Copa melhora o clima do negócio, deixando os clientes mais animados e unidos. Ele afirma que a equipe consegue acompanhar parte dos lances pelos telões sem prejudicar o atendimento, com a proprietária, Lanny Mattos, organizando o revezamento da equipe para garantir a operação e a participação nos momentos de jogo.</p>nn<h3>Motoristas de aplicativo: o dilema entre o jogo e a renda</h3>nn<p>Entregadores e motofretistas de aplicativo enfrentam um dilema: assistir aos jogos ou continuar trabalhando. Segundo a Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (Amabr), em Copas anteriores, os pedidos diminuíam durante os 90 minutos de jogo, com picos antes e depois das partidas. Estima-se que um profissional que opte por assistir ao jogo possa ter uma <b>perda de renda entre 20% e 30%</b> no dia.</p>nn<p>A entidade alerta que períodos offline podem afetar o desempenho e a posição dos profissionais nos rankings dos aplicativos, impactando futuras corridas. Gilberto dos Santos, presidente do SindimotoSP, menciona que sindicatos e empresas buscam estratégias como promoções, bonificações e abatimento de metas individualizadas para incentivar o trabalho durante os jogos, tornando o custo de "ficar em casa" financeiramente alto.</p>nn<p>O iFood lançou a campanha “O jogo começa na rua”, com sorteios, distribuição de itens oficiais da CBF e 41 pontos de apoio com transmissão dos jogos, brindes e espaços de convivência para os entregadores em 12 cidades. A empresa ressalta que respeita a autonomia de cada entregador para decidir quando se conectar à plataforma, inclusive durante os jogos.</p>nn<h3>Legislação trabalhista: sem obrigatoriedade de liberação</h3>nn<p>A legislação trabalhista brasileira <b>não obriga</b> as empresas a liberarem seus funcionários para assistir aos jogos da Copa do Mundo. Daniel Ribeiro, advogado e sócio do VLF Advogados, explica que a decisão depende da política interna de cada empregador, de acordos coletivos ou de negociações específicas. Quando a empresa autoriza ou promove a transmissão de jogos durante o expediente, esse período é considerado como tempo à disposição do empregador, com o trabalhador recebendo normalmente, sem descontos salariais. A compensação de horas só ocorre se houver previsão em acordo interno ou coletivo.</p>nn<p>Setores essenciais ou que demandam funcionamento contínuo geralmente possuem menor margem para flexibilizações. No entanto, mesmo nesses casos, podem ser adotados mecanismos como escalas diferenciadas, revezamentos e ajustes de jornada para permitir o acompanhamento das partidas sem comprometer a operação.</p>"
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