Dólar Cede com Inflação dos EUA Sob Controle: Núcleo do CPI Abaixo do Esperado Alivia Tensões e Beneficia o Real

Dólar fecha em leve queda com núcleo de CPI dos EUA subindo menos do que o esperado

O dólar encerrou a quarta-feira em leve baixa, após um dia volátil, com o real mostrando sinais de recuperação. A divulgação do núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que apresentou uma alta menor do que o esperado, reduziu as preocupações sobre um aperto adicional na política monetária americana, aliviando a pressão sobre o mercado de câmbio.

Apesar das ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã, o dado de inflação americana foi o fator preponderante para a reversão da tendência de alta da moeda norte-americana no período da tarde. O dólar à vista fechou em baixa de 0,09%, cotado a R$ 5,1726, após oscilar entre máxima de R$ 5,1976 e mínima de R$ 5,1596.

Conforme informação divulgada pelo Agência Estadão, a percepção de que a guerra no Oriente Médio poderia se intensificar havia impulsionado o dólar mais cedo. A promessa de Trump de novos ataques ao Irã, após bombardeios na madrugada, e o fechamento do Estreito de Ormuz aumentaram o temor de um aumento nos preços do petróleo e, consequentemente, da inflação global, com reflexos no Brasil.

Inflação Americana Abaixo do Previsto Alivia Pressão sobre Juros

O núcleo do CPI dos Estados Unidos, que exclui os componentes mais voláteis como alimentos e energia, apresentou uma alta menor do que o esperado. Este indicador é fundamental para o Federal Reserve (Fed) na definição da taxa de juros americana. Uma inflação mais controlada diminui a probabilidade de aumentos mais agressivos nos juros, o que é positivo para mercados emergentes como o Brasil.

Jaqueline Neo, especialista em câmbio e crédito da be.smart, destacou que a inflação americana é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado, pois influencia diretamente nos juros do Federal Reserve. Nesse sentido, uma alta menor no núcleo do CPI é uma notícia bem-vinda.

Tensões Geopolíticas e o Impacto no Mercado Cambial

As ameaças de Donald Trump em relação ao Irã geraram incerteza no início do dia. José Carreira, operador de câmbio da Fair Corretora, observou que a expectativa inicial era de uma alta mais expressiva do dólar devido aos ataques americanos ao Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, o que poderia elevar o preço do petróleo e gerar inflação global.

Contudo, Carreira também ponderou que as declarações de Trump podem ser mais retóricas do que efetivas, o que pode ter levado o mercado a reavaliar o impacto real dos eventos. A incerteza sobre a real magnitude da resposta americana contribuiu para a volatilidade observada no câmbio.

Fluxo Cambial Positivo e o Papel do Brasil como Exportador de Commodities

O fluxo cambial em junho, até o dia 5, registrou um saldo positivo de US$ 2,588 bilhões, elevando o acumulado do ano para US$ 16,6 bilhões, segundo o Banco Central. Este fluxo positivo contribui para a valorização do real.

Além disso, a alta de cerca de 2% no preço do petróleo nesta quarta-feira pode ter beneficiado o real, visto que o Brasil é um exportador líquido de commodities. Oliver Levingston, estrategista de câmbio e juros do Bank of America (BofA) Securities, apontou que, embora a incerteza em torno do choque de oferta de petróleo tenha diminuído o apetite por operações de carry trade em moedas emergentes, o Brasil, por ser exportador, pode se beneficiar dessa dinâmica.

O real, que havia apresentado uma das piores performances entre as moedas emergentes na semana passada, com uma depreciação de 2,6%, conforme lembrado pelo economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, mostra agora sinais de recuperação, impulsionado por esses fatores.

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