Alerta de Energia: ONS aciona plano inédito para cortar geração solar e evitar apagões em 2025

ONS implementa plano emergencial inédito para conter excesso de energia e garantir estabilidade do sistema elétrico brasileiro.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tomou uma medida sem precedentes ao acionar um plano emergencial para reduzir a geração de energia no país. A ação foi necessária devido à previsão de um volume de eletricidade significativamente maior do que o consumo esperado para este domingo, 7 de janeiro. O objetivo é evitar riscos de desequilíbrio no sistema elétrico, que poderiam levar a desligamentos e apagões.

Esta é a primeira vez que o ONS utiliza este mecanismo desde sua aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025. O sistema elétrico exige um equilíbrio constante entre a produção e o consumo de energia, e um excesso de geração pode sobrecarregar equipamentos e causar interrupções no fornecimento.

Em comunicado oficial, o ONS informou que a previsão para o domingo apontava para uma carga reduzida, indicando baixo consumo. Inicialmente, o Operador determinou a redução da geração de usinas sob sua coordenação direta. No entanto, essa medida não foi suficiente para mitigar o risco, levando à ativação do plano emergencial, conforme divulgado pela Folhapress.

Corte foca em pequenos geradores e energia solar

O plano emergencial acionado, denominado “Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição”, tem como alvo principal a redução da geração proveniente de usinas solares de pequenos e microgeradores. Esses produtores não possuem conexão gerenciada diretamente pelo ONS, o que justifica a aplicação deste novo instrumento regulatório.

O ONS reitera que seguirá monitorando e coordenando ações no Sistema Interligado Nacional (SIN), gerenciando os recursos disponíveis conforme a demanda da sociedade e em comunicação com os agentes do setor. A nova regulamentação surge em resposta a alertas anteriores do próprio ONS sobre o crescente risco de excedentes de energia em períodos de baixa carga, uma realidade cada vez mais presente com o avanço das fontes renováveis distribuídas.

Como funciona o novo plano emergencial

O procedimento estabelecido segue etapas claras. O ONS realiza o monitoramento do sistema com até sete dias de antecedência, podendo emitir alertas preliminares às distribuidoras. Na véspera da operação, a necessidade da restrição é confirmada, e o montante de energia a ser reduzido é informado. As distribuidoras, por sua vez, comunicam os geradores afetados.

É importante destacar que o ONS não seleciona diretamente as usinas a serem desligadas. Essa responsabilidade recai sobre as distribuidoras. A metodologia prevê a escolha de usinas com maior previsão de geração para o período e um sistema de rodízio, garantindo que os cortes não recaiam sempre sobre os mesmos geradores.

Geração solar é o principal alvo

A geração solar fotovoltaica é o principal foco desta medida. O problema dos excedentes de energia se manifesta justamente nos horários de maior produção solar, geralmente entre o fim da manhã e o meio da tarde. Em dias de menor consumo, como domingos com baixa atividade econômica, as usinas solares tendem a gerar volumes expressivos de energia quando o sistema menos necessita dela.

Além das usinas solares de pequeno porte, o plano emergencial também pode prever o desligamento de pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa e parques eólicos de menor porte, caso a necessidade de corte de geração se mantenha.

Contexto da nova regra e alertas do ONS

A criação desta nova regra regulatória foi motivada por uma série de alertas emitidos pelo próprio ONS nos últimos anos. O Operador vinha sinalizando o aumento do risco de excedentes de energia em períodos de baixa demanda, uma consequência direta do crescimento da capacidade instalada de fontes intermitentes, como a solar e a eólica, no Brasil.

O ONS já realiza cortes de geração há anos, especialmente em usinas eólicas e grandes usinas solares. O que diferencia a situação atual é a necessidade de utilizar um novo instrumento regulatório para alcançar pequenos geradores conectados às redes das distribuidoras, expandindo o alcance das ações de gestão do sistema elétrico nacional.

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