Enchentes Afetam Consumo: Zona da Mata de MG Registra Menor Alta em Supermercados Mineiros e Supermercados Sentem Impacto.

Enchentes derrubam consumo na Zona da Mata e região registra menor alta entre supermercados mineiros

Dados divulgados pela Associação Mineira de Supermercados (Amis) revelam um cenário desafiador para o setor na Zona da Mata de Minas Gerais. No primeiro quadrimestre deste ano, o consumo nos estabelecimentos da região apresentou um crescimento tímido de apenas 2,48%, o menor índice registrado entre as diversas regiões mineiras.

Em contraste, o Sul de Minas e as regiões do Triângulo e Alto Paranaíba se destacaram, com crescimentos de 3,22% e 3,15%, respectivamente. A diferença percentual pode parecer pequena, mas reflete impactos significativos na economia local.

O presidente-executivo da Amis, Antônio Claret Nametala, avalia que os impactos das fortes chuvas no início do ano são os principais responsáveis por esse desempenho mais modesto na Zona da Mata, especialmente nos resultados de fevereiro. Uma tragédia de tamanha magnitude afeta toda a economia, compromete a logística e o abastecimento, e naturalmente, reflete nos supermercados. Contudo, Nametala ressalta que a diferença não é alarmante e a região já demonstra sinais de recuperação.

Doações em Massa e Impacto nas Vendas

Higino Barbosa, proprietário do mercado Uemar em Matias Barbosa, na Zona da Mata, aponta que o alto volume de doações recebidas após as enchentes pode ter contribuído para a desaceleração do consumo. Ele explica que cidades como Juiz de Fora e Ubá, severamente atingidas pelas chuvas de fevereiro, receberam uma quantidade expressiva de alimentos essenciais.

“Carretas abastecidas de itens como óleo, papel higiênico e açúcar chegaram nas cidades imediatamente após as enchentes. Conheço várias pessoas que, ao receberem as cestas básicas, ficaram de quatro a cinco meses sem fazer compras”, relata Barbosa. Essa situação fez com que a demanda por produtos básicos, como o leite, só começasse a se reaquecer em seu estabelecimento nos últimos 30 dias.

O empresário, que tem um faturamento médio mensal de R$ 900 mil, espera um aumento de 3% a 4% no consumo no próximo quadrimestre, em comparação com o período de janeiro a abril.

Supermercado em Ubá Fechado por 33 Dias

Em Ubá, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes, Eron Vieira, proprietário do Vieirão Supermercado, sentiu de perto os efeitos devastadores. Sua loja, localizada no centro da cidade, precisou ficar fechada por 33 dias devido aos danos físicos causados pela tragédia das chuvas.

“Nosso movimento ainda não voltou ao normal. Antes das enchentes atendíamos uma média de 2000 clientes por dia. Hoje esse número caiu para cerca de 1100, queda de 45%“, afirma Vieira. Assim como Barbosa, ele também acredita que a grande quantidade de doações recebidas pelas famílias desabrigadas impactou diretamente a demanda nos supermercados.

Amis Avalia Recuperação Gradual

Apesar dos desafios, o presidente-executivo da Amis, Antônio Claret Nametala, demonstra otimismo. Ele ressalta que a Zona da Mata é tradicionalmente uma região com forte desempenho no setor supermercadista. A queda pontual, na avaliação da associação, está ligada diretamente aos eventos climáticos extremos.

“É uma diferença que não nos preocupa, por estar apenas 0,42 ponto percentual abaixo da média estadual. Além disso, a região já demonstrou recuperação nos resultados de março e abril e deve continuar crescendo de forma sustentada”, conclui Nametala, indicando que os supermercados da Zona da Mata devem retomar seu ritmo de crescimento nos próximos meses.

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