Crédito de R$ 30 Bilhões para Motoristas de App e Táxis: Locadoras em Alerta com Impacto Levemente Negativo

Novo crédito para motoristas de aplicativo e taxistas gera impacto levemente negativo para locadoras

O governo federal lançou a Medida Provisória nº 1.362/2026, liberando R$ 30 bilhões em crédito extraordinário para financiar a renovação de frotas de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa visa facilitar a compra de carros novos, o que, segundo analistas, pode impactar o mercado de aluguel de veículos.

A expectativa é de juros atrativos, com taxas de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, além de carência de seis meses e prazo de pagamento estendido em até 72 parcelas. O financiamento abrange apenas veículos novos, com valor limite de R$ 150 mil, que atendam a critérios de sustentabilidade e sejam produzidos por montadoras participantes do programa Mover.

Para ter acesso ao crédito, o motorista precisa comprovar, no mínimo, 12 meses de atividade e 100 corridas em um mesmo aplicativo. Estima-se que o programa possa viabilizar a venda de cerca de 250 mil veículos novos, considerando um preço médio de R$ 120 mil por unidade.

Conforme relatórios do Itaú BBA e do JP Morgan, a medida pode levar a uma redução na procura por carros alugados, afetando diretamente empresas como a Localiza&Co. A divisão de aluguel de carros dessas empresas pode sentir uma perda de demanda, caso motoristas de aplicativo optem pela compra em vez do aluguel.

Impacto nas locadoras: volatilidade e ajustes de mercado

O Itaú BBA avalia o impacto como potencialmente negativo, prevendo volatilidade nas projeções de resultados e no consenso do mercado. Contudo, o banco ressalta que essa situação não altera a tese de investimento na Localiza, vista como um ativo de alta qualidade com boa sensibilidade ao ciclo econômico. A recomendação de compra para as ações da empresa é mantida, com preço-alvo de R$ 54 ao fim de 2026.

Estimativas do Itaú Unibanco indicam que a Localiza possui entre 30 mil e 40 mil carros alugados para motoristas de aplicativo, o que representa aproximadamente 10% da receita da divisão de locação de carros ou 5% da receita total de locação. A desaceleração nas vendas de seminovos também é uma possibilidade, pois motoristas que buscariam um carro usado para trabalhar com aplicativos podem preferir modelos zero quilômetro, cujas parcelas se aproximam das de usados.

JP Morgan: cenário distinto para locadoras e autopeças

O JP Morgan também considera o anúncio levemente negativo para as locadoras. O serviço Zarp Localiza, voltado para motoristas de aplicativo, que responde por 6% a 7% da frota da empresa, deve ser impactado. A exclusividade para veículos novos no programa limita o crescimento nas vendas de seminovos.

Apesar disso, o banco de investimento vê um ponto positivo: a linha de crédito subsidiada pode estimular a demanda geral por veículos, beneficiando a dinâmica de preços. A Localiza&Co, em nota, reforça que o Zarp Localiza oferece acesso a veículos novos sem comprometer a renda a longo prazo, garantindo flexibilidade e segurança financeira para os motoristas.

A empresa destaca que o aluguel de carros proporciona flexibilidade para devolução a qualquer momento, evitando dívidas de longo prazo em caso de imprevistos como doenças ou férias. O veículo se torna uma ferramenta de trabalho com custos previsíveis, liberando o motorista para focar na geração de renda, com manutenção, seguro e impostos inclusos.

Otimismo para o setor de autopeças impulsionado pela nova medida

Em contrapartida ao cenário para locadoras, o JP Morgan apresenta uma perspectiva positiva para o setor de autopeças. A expectativa é de um impulso de aproximadamente 10% nas vendas de veículos leves em 2026, impulsionado pela nova linha de crédito. Essa projeção se alinha à estimativa da Anfavea de 2,6 milhões de veículos vendidos no ano.

O aumento nas vendas e produção de veículos leves, previsto para 2026, deve beneficiar empresas fornecedoras de autopeças com forte exposição a montadoras nacionais de veículos leves. Entre elas, destacam-se Mahle Metal Leve (cerca de 20% da receita), Iochpe-Maxion (15% da receita) e Nemak (aproximadamente 3% da receita).

A demanda futura deve ser direcionada para veículos elétricos e híbridos (xEV), cuja participação nas vendas de veículos leves já ultrapassa 18% em abril. Essa tendência, aliada ao programa de crédito, reforça o potencial de crescimento para o setor de autopeças nos próximos anos.

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