Campanha de Flávio Bolsonaro Pede STF para Investigar Vazamento de Conversas sobre Filme com Banco Master

Campanha de Flávio Bolsonaro solicita ao STF investigação sobre vazamento de conversas relativas a negociação com Banco Master.

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que as autoridades investiguem o vazamento de conversas telefônicas entre o senador e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O pedido foi formalizado pelo coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), após a divulgação de diálogos onde Flávio Bolsonaro negociava um patrocínio milionário para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O vazamento, divulgado pelo site Intercept Brasil, revelou que o Banco Master teria se comprometido a investir R$ 134 milhões para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. As negociações teriam envolvido Flávio Bolsonaro, o deputado federal Mário Frias e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, além de intermediários. A divulgação desses áudios gerou preocupação na campanha de Flávio, que alega um vazamento seletivo com o intuito de prejudicá-lo.

Rogério Marinho se reuniu com o ministro relator do caso Master no STF, André Mendonça, para apresentar a demanda. Segundo Marinho, o ministro teria se comprometido a apurar o ocorrido. A autenticidade das conversas foi confirmada por fontes ligadas à investigação, que indicam que os diálogos fazem parte do material apreendido pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, em uma fase da Operação Compliance Zero.

Preocupação com vazamento seletivo e segurança da investigação

Em declarações à CNN Brasil, Rogério Marinho expressou a apreensão da campanha com a forma como as informações estão sendo divulgadas. “Disse a ele que estamos preocupados com o vazamento seletivo contra Flávio e com a maneira como as coisas estão acontecendo, gerando insegurança sobre os rumos da investigação”, afirmou o senador. Marinho destacou a existência de quase 7 terabytes de informações sobre o caso Master, ressaltando a necessidade de apurar a origem e a divulgação desses vazamentos.

O senador também mencionou que a campanha solicitou ao STF que o vazamento seja devidamente apurado, buscando garantir a lisura e a imparcialidade do processo investigativo. A expectativa é que o Supremo Tribunal Federal tome as medidas cabíveis para esclarecer a origem e a divulgação dos áudios.

Flávio Bolsonaro admite negociação, mas nega irregularidades

Após a divulgação dos áudios, Flávio Bolsonaro emitiu uma nota oficial admitindo as negociações com Daniel Vorcaro para o patrocínio do filme. No entanto, ele refutou qualquer irregularidade, classificando a operação como uma busca por patrocínio privado para um projeto cinematográfico pessoal. “No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, declarou a nota.

A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que a iniciativa visava obter recursos privados para a produção de um filme que retrataria a vida de Jair Bolsonaro, sem qualquer envolvimento de verbas públicas ou mecanismos como a Lei Rouanet. A campanha busca dissociar a negociação de qualquer ato ilícito, focando na natureza privada do empreendimento.

Áudios revelam cobrança e tensão nas negociações

Um dos áudios divulgados pelo Intercept Brasil mostra Flávio Bolsonaro cobrando Daniel Vorcaro sobre o pagamento de despesas relacionadas ao filme, intitulado provisoriamente de “Dark Horse”. “Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, diz o senador no áudio. Essa gravação sugere um certo grau de pressão e urgência nas negociações.

Outra mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro, enviada em novembro de 2025, três meses após o escândalo do Banco Master vir à tona, demonstra proximidade e um pedido de “luz” ao empresário. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”, escreveu o senador. No dia seguinte à mensagem, Daniel Vorcaro foi preso sob suspeita de operações fraudulentas envolvendo o Banco Master, que foi liquidado poucos dias depois. Essas datas e eventos levantam questionamentos sobre o timing das negociações e os riscos envolvidos.

Investigação do caso Master e o papel do STF

O caso Master envolve diversas apurações da Polícia Federal sobre supostas fraudes e operações financeiras irregulares. A apreensão de um grande volume de dados, como os 7 terabytes mencionados por Rogério Marinho, indica a complexidade das investigações. O pedido da campanha de Flávio Bolsonaro ao STF busca garantir que a apuração dos vazamentos não comprometa o andamento principal do caso.

O Supremo Tribunal Federal, como instância máxima da justiça brasileira, tem a responsabilidade de julgar casos que envolvam autoridades com foro privilegiado, como senadores. A atuação do ministro André Mendonça na relatoria do caso Master é crucial para definir os próximos passos da investigação sobre os vazamentos e suas possíveis consequências. A campanha de Flávio Bolsonaro espera que a apuração traga clareza e restabeleça a confiança no processo.

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