Quanto deveria valer o salário mínimo no Brasil? Valor vai te surpreender; confira

O valor do salário mínimo oficial no Brasil para 2025 foi fixado em R$ 1.518. No entanto — segundo levantamento mais recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) — esse piso está muito distante do valor considerado necessário para garantir uma vida digna a uma família típica de quatro pessoas.
Conforme o levantamento divulgado em novembro de 2025, para cobrir despesas essenciais — alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência — o salário mínimo deveria se aproximar de R$ 7.156,15. Isso significa que o valor ideal seria cerca de 4,7 a 5 vezes o mínimo atual.
O dado reacende o debate sobre a defasagem do mínimo e a capacidade do Estado e dos trabalhadores de garantir um padrão de vida digno e compatível com o custo real de vida no Brasil.
Como o DIEESE chega a esse valor “ideal” do salário mínimo
O cálculo do DIEESE considera o custo de uma cesta ampla de itens essenciais — não apenas alimentos, mas também habitação, transporte, educação, saúde, vestuário, higiene e lazer — para uma família com dois adultos e duas crianças.
Para 2025, a análise parte de um orçamento familiar baseado em capitais onde a cesta básica custa mais caro, como São Paulo — o que torna o valor ainda mais conservador como “mínimo decente”.
Segundo a pesquisa, o salário mínimo atual cobre menos de 20% dos gastos estimados como essenciais para uma família desse porte.
Esse método de cálculo serve como referência para sindicatos, movimentos sociais e parte do debate público, a fim de quantificar a defasagem entre o piso legal e o salário “realmente necessário”.
A projeção oficial para 2026 e a distância em relação ao valor ideal
Para 2026, a proposta do governo — conforme o Projeto de Lei Orçamentária — prevê um salário mínimo de R$ 1.631, equivalente a um aumento nominal de cerca de 7,4% em relação a 2025.
No entanto, mesmo com esse reajuste, o piso ficaria ainda muito longe do mínimo ideal proposto pelo DIEESE — menos de 25% do total apontado como necessário para uma vida digna para uma família com quatro pessoas.
O debate, portanto, expõe um dilema estrutural: o salário mínimo oficial é definido por regras fiscais e de orçamento público — e não necessariamente com base no custo real de vida.
Por que o salário mínimo oficial não acompanha o “ideal”? Os obstáculos
Há várias razões que explicam essa distância entre o mínimo real e o salário ideal apontado pelo DIEESE:
Limitações fiscais: o reajuste do piso influencia diretamente aposentadorias, pensões e benefícios. Aumentos muito altos podem desorganizar as contas públicas.
Regra de correção rígida: o reajuste do mínimo oficial combina inflação (INPC) mais um ganho real limitado, o que nem sempre acompanha o aumento dos custos de vida ou o custo das cestas básicas.
Desigualdade regional: o custo de vida varia muito entre estados e capitais — isso complica a adoção de um piso nacional que seja “ideal” para todo o país.
Impactos na competitividade e emprego: aumentos muito expressivos do mínimo podem representar custo extra para empresas, especialmente pequenas, o que pode afetar emprego formal, contratação e manutenção de postos de trabalho — argumento levantado por parte do setor empresarial.
A necessidade de repensar políticas salariais e sociais
O conflito entre o salário mínimo oficial e o valor considerado ideal mostra que o debate precisa ir além de reajustes automáticos. É necessário pensar em políticas complementares:
Indexação real dos benefícios sociais à inflação e aos custos de vida — não apenas ao piso mínimo.
Políticas de renda, habitação, transporte, saúde e educação que considerem o custo real de vida nas diferentes regiões.
Incentivo à formalização do emprego e combate à precarização — para que trabalhadores tenham acesso ao mínimo legal, mas com garantia de dignidade real.
Fortalecimento do diálogo entre governo, sindicatos, empregadores e sociedade civil para buscar soluções equilibradas, que combinam justiça social e viabilidade econômica.