Vale é a Queridinha de Junho: Analistas Apostam na Gigante do Minério e Bancos Fortes em Carteiras de Investimento

Vale se destaca como a ação mais recomendada em junho, atraindo analistas em busca de resiliência e bons fundamentos em um cenário de mercado volátil.
A mineradora Vale assumiu a liderança entre as ações mais indicadas pelas principais corretoras e casas de análise do Brasil para junho de 2026. Pela primeira vez neste ano, o papel da empresa apareceu em todas as carteiras analisadas, consolidando um movimento de busca por ativos considerados mais robustos diante da instabilidade dos mercados.
Este cenário de destaque para a Vale ocorre após um mês de maio particularmente desafiador para a Bolsa brasileira. O Ibovespa registrou uma queda de 7,22%, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023, influenciado pela saída de capital estrangeiro, aumento das incertezas eleitorais e revisões nas expectativas para a trajetória da taxa Selic.
Em resposta a esse ambiente de cautela, as instituições financeiras têm priorizado empresas com forte geração de caixa, resultados previsíveis e avaliações consideradas atrativas após a recente correção do mercado. Conforme levantamento realizado com dez instituições financeiras, a Vale lidera com ampla vantagem, seguida pelo Itaú Unibanco e outras empresas dos setores de energia, petróleo, locação de veículos e aviação. As informações foram divulgadas em levantamento que considerou carteiras de Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA, Monte Bravo, Terra Investimentos e XP Investimentos.
Por que a Vale voltou a ser unanimidade entre os analistas
A principal razão para a liderança da Vale reside na combinação de um desempenho operacional sólido com um valuation considerado descontado. Enquanto o Ibovespa enfrentou forte correção em maio, a mineradora conseguiu encerrar o mês em alta de 2,02%, demonstrando uma notável resiliência em um contexto desfavorável para a maioria dos ativos brasileiros. O minério de ferro continua sendo o grande sustentáculo dos resultados da companhia, com a commodity mantendo-se próxima de US$ 110 por tonelada, um patamar considerado confortável para a rentabilidade da Vale.
Analistas também observam sinais de recuperação da atividade industrial chinesa, um fator crucial para a demanda global pelo produto. A expectativa de diversas casas de análise é que os preços do minério permaneçam acima de US$ 100 por tonelada ao longo de 2026, um cenário apoiado por fatores como a demanda chinesa e a disciplina na oferta. Mesmo após a valorização acumulada no ano, muitos especialistas ainda consideram que a Vale negocia abaixo de seu potencial, com a percepção de que uma melhora adicional nos preços das commodities metálicas pode destravar valor para os acionistas nos próximos meses.
Itaú Unibanco se consolida como favorito no setor bancário
O Itaú Unibanco figura como a segunda ação mais recomendada para junho, reforçando sua posição como a principal escolha dentro do setor bancário. A instituição voltou a integrar carteiras importantes após apresentar resultados considerados consistentes no primeiro trimestre. O banco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com um retorno sobre patrimônio de aproximadamente 25%. Esses números destacam a capacidade do Itaú de manter alta rentabilidade mesmo em cenários econômicos desafiadores, além de uma qualidade de carteira de crédito e gestão de riscos conservadora.
As projeções de mercado indicam um crescimento entre 12% e 14% no lucro líquido do Itaú ao longo de 2026. O múltiplo preço/lucro do banco permanece abaixo da média histórica do setor, um fator que aumenta o interesse de investidores em busca de empresas com fundamentos sólidos. O Itaú Unibanco demonstra estabilidade e solidez, características muito valorizadas pelos investidores em tempos de incerteza.
Axia Energia e Petrobras: Resiliência e Dividendos em Destaque
A Axia Energia, apesar de ter registrado a maior queda entre as ações mais recomendadas em maio com perdas de aproximadamente 15,5%, manteve-se em seis carteiras para junho. A correção ocorreu após resultados trimestrais ligeiramente abaixo das expectativas, mas o mercado vê nessa queda uma oportunidade interessante para investidores de longo prazo. A empresa se beneficia de fatores como a demanda resiliente por energia e a expectativa de melhora nos indicadores setoriais.
A Petrobras continua entre as principais recomendações, mesmo após um mês difícil com recuo de 14,43% em maio, refletindo a queda do petróleo no mercado internacional. Apesar da volatilidade, a estatal atrai investidores devido à sua relevância estratégica, potencial de exploração e produção, e a atratividade dos dividendos, que permanecem no radar. Diversas casas de análise projetam um retorno atrativo por meio da distribuição de proventos, mantendo a Petrobras como uma posição relevante para quem busca renda passiva e exposição ao setor de energia.
Localiza e Embraer completam a lista de favoritas
A Localiza aparece empatada com Petrobras e Axia Energia em número de recomendações. Apesar de uma queda de 8,47% em maio, os fundamentos da companhia continuam bem avaliados. Os resultados do primeiro trimestre mostraram um avanço de aproximadamente 45% no lucro líquido, com o retorno sobre o capital investido (ROIC) atingindo 15,9%, o maior nível desde 2022. Esses números reforçam a percepção de que a empresa está em um processo de recuperação operacional.
A Embraer fecha o ranking das ações mais recomendadas para junho. Embora acumule queda superior a 17% em 2026, a fabricante de aeronaves desperta interesse devido à sua robusta carteira de pedidos, que totaliza aproximadamente US$ 32 bilhões, oferecendo previsibilidade de receitas para os próximos anos. Analistas acreditam que o segundo semestre pode ser decisivo, com a conversão de estoques em vendas e a melhora do capital de giro contribuindo para uma recuperação gradual dos resultados.
A composição das carteiras recomendadas para junho evidencia uma estratégia clara das instituições financeiras, priorizando empresas que combinam resiliência operacional, geração de caixa consistente, valuation atrativo e potencial de valorização. A predominância de nomes como Vale, Itaú, Petrobras e Localiza demonstra o foco em ativos considerados mais defensivos, sem descartar o potencial de ganhos caso o mercado brasileiro retome força. Com a volatilidade e as discussões sobre juros e cenário político em alta, empresas com fundamentos sólidos tendem a continuar em destaque.