Peruca de R$ 10 mil e Hotel de Luxo: Detalhes dos Gastos da Produção de 'Dark Horse' Vêm à Tona - Brasa Noticias

Peruca de R$ 10 mil e Hotel de Luxo: Detalhes dos Gastos da Produção de ‘Dark Horse’ Vêm à Tona

Gastos milionários da produção de ‘Dark Horse’, filme sobre Bolsonaro, são detalhados em investigação da PF.

Documentos apresentados à Polícia Federal pela produtora Go Up Entertainment revelam despesas expressivas com o ator Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro no filme ‘Dark Horse’. Os valores incluem o aluguel de uma peruca que custou R$ 10 mil e hospedagem de luxo, totalizando ao menos R$ 700 mil.

As informações constam de comprovantes bancários e notas fiscais que integram o inquérito que apura o financiamento do longa, ligado ao caso Banco Master. A investigação ganhou novos contornos com a recente decisão do ministro André Mendonça, do STF, de retirar o sigilo de parte dos processos.

A Procuradoria-Geral da República havia solicitado a publicidade de todos os inquéritos relacionados ao caso, o que levou à divulgação desses detalhes financeiros. A origem dos recursos para a produção do filme tem sido um ponto central nas apurações.

Detalhes das despesas com o ator principal

A transferência para o aluguel da peruca, utilizada por Jim Caviezel, foi realizada em dezembro de 2025, com a Go Up Entertainment identificada como pagadora. A descrição do pagamento foi clara: “Locação Peruca Jim”.

No que diz respeito à hospedagem, seis notas fiscais do hotel Unique, em São Paulo, somam R$ 663.165,50. Estes valores se referem à estadia de James Patrick Caviezel, o nome completo do ator, de seu agente Nathon Lewis, e de Richard Dobrich. Adicionalmente, outras duas notas, totalizando R$ 68.835,60, cobriram a hospedagem de Keith Billiot, identificado como segurança do ator.

Um pagamento adicional de R$ 298.350,49 foi feito ao hotel em 30 de dezembro de 2025, descrito como “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”. Contudo, não há nota fiscal específica para este valor, nem detalhamento de como ele foi distribuído entre os serviços, o que levanta questionamentos na investigação.

Custos com transporte e outros detalhes da produção

Além das despesas de hospedagem, uma fatura separada registra R$ 54.332,46 referentes à passagem aérea de Caviezel, incluindo tarifa, taxas e extras, para o período de novembro a dezembro de 2025. Este valor não está incluído nos custos totais de hotelaria.

A produção também arcou com despesas de beleza para as atrizes. Quatro serviços de manicure somaram R$ 2.045, sendo R$ 995 para Lynn Collins e R$ 1.050 para Camille Guaty, que interpreta Michelle Bolsonaro no filme.

Para a caracterização das personagens, a Go Up Entertainment desembolsou R$ 3.000 pela locação de apliques para a personagem Michelle e outros R$ 5.500 por uma peruca para um dublê e um kit de dreadlocks para outra atriz, sem discriminação de preço individual.

Investigação e a resposta da produtora

Toda essa documentação foi entregue à PF em setembro, em resposta a um ofício que solicitava esclarecimentos sobre as finanças do filme. A Polícia Federal buscava informações sobre a origem dos recursos, contratos com profissionais estrangeiros, como Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, e comprovantes de despesas.

A representante legal da Go Up, Karina Ferreira da Gama, solicitou apoio ao produtor Michael Davis, que se identifica como sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC nos EUA. Davis, no entanto, informou que, por orientação de seus advogados, não autorizaria o envio de documentos da empresa mantidos nos EUA às autoridades brasileiras, sugerindo o uso de canais diplomáticos.

Contexto da investigação do caso Banco Master

O financiamento de ‘Dark Horse’ entrou no radar da investigação do caso Banco Master após negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o então banqueiro Daniel Vorcaro. Documentos da PF indicam que Flávio era o interlocutor de Vorcaro para os investimentos, enquanto Eduardo Bolsonaro estaria envolvido na gestão dos recursos.

A polícia apura a suspeita de que parte do dinheiro tenha sido utilizada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Tanto Flávio quanto Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade.

Em junho, a defesa da Go Up Entertainment afirmou que a produção foi financiada com recursos privados. Um laudo contratado pela defesa indicou um custo de US$ 13,4 milhões e não encontrou indícios de dinheiro público nos documentos analisados, embora a perícia se limitasse ao material apresentado.

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