Governo LULA anuncia nova taxação para altas rendas a partir de 2026

O governo federal sancionou, no fim de novembro de 2025, uma reforma no Imposto de Renda (IR) que entrará em vigor em 2026 e altera profundamente a tributação sobre rendas elevadas no Brasil.
A medida prevê, entre seus principais pontos — e que mais repercute — a criação de uma taxação de 10% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre lucros e dividendos iguais ou superiores a R$ 50 mil por mês, de uma mesma empresa.
Hoje, muitos desses rendimentos escapam à tributação — uma brecha que favorecia profissionais “pejotizados” (que recebem como pessoa jurídica) e detentores de altos rendimentos. A nova regra busca corrigir essa distorção, impondo tributação mais rígida sobre quem aufere remunerações elevadas.
Além disso, a reforma amplia a faixa de isenção do IR para salários mensais de até R$ 5.000, com redução gradual para quem ganha até R$ 7.350 — uma medida que deve beneficiar muitos trabalhadores de renda baixa ou média.
Detalhes da reforma do Imposto de Renda
Quem será beneficiado
Trabalhadores com salário até R$ 5.000 mensais estarão isentos de pagar IR a partir de 2026.
Quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 passará por uma tributação reduzida, gradativa, com alíquotas menores que as vigentes hoje.
A expectativa do governo: cerca de 10 a 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar IR ou terão redução no que pagam.
Quem será atingido
Para quem recebe lucros ou dividendos iguais ou superiores a R$ 50 mil por mês de uma mesma empresa, haverá retenção de 10% na fonte.
No caso de rendimentos elevados no ano — acima de R$ 600 mil anuais, equivalentes a R$ 50 mil mensais — a reforma institui uma tributação mínima. A alíquota cresce progressivamente com a renda, podendo alcançar até 10% para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão por ano.
A expectativa é que cerca de 140 mil brasileiros de alta renda sejam diretamente impactados pela tributação mínima.
Importante notar: rendimentos como ganhos de capital, heranças, doações, poupança isenta, aposentadorias por moléstia grave e indenizações ficam fora da base da nova tributação.
Objetivos do governo com a nova taxação
O governo afirma que a reforma busca corrigir o que considera “injustiça tributária” — ou seja, aliviar a carga sobre trabalhadores e assalariados de baixa e média renda, enquanto exige maior contribuição de quem ganha muito.
Segundo a equipe econômica, a ampliação da isenção e a redução de impostos sobre salários menos elevados tem caráter social, com o intuito de aumentar a renda disponível, favorecer o consumo e aliviar a carga sobre a classe trabalhadora.
Ao mesmo tempo, a taxação de dividendos e rendimentos elevados deve compensar a perda de arrecadação provocada pela isenção ampliada — de modo a manter o equilíbrio fiscal do governo.
Especialistas que defendem a reforma apontam que essa combinação de medidas — isenção para rendas menores, tributos maiores para rendas elevadas — pode ajudar a reduzir a desigualdade econômica no Brasil e tornar mais justa a distribuição da carga tributária.
O que o trabalhador deve observar a partir de 2026
Quem ganha até R$ 5.000 por mês deve verificar a isenção e entender como isso impacta seu contracheque líquido no próximo ano.
Para quem está entre R$ 5.000 e R$ 7.350, vale checar a nova tabela de alíquotas e calcular a diferença no valor retido.
Profissionais autônomos ou aqueles que recebem dividendos e lucros de empresas devem acompanhar atentamente os limites (R$ 50 mil mensais de uma mesma empresa) para evitar surpresas com a retenção de 10%.
Quem possui rendimentos elevados deve planejar com cuidado — contadores e consultores fiscais serão fundamentais para organizar declarações e evitar erros.