Minas Gerais: 3º Maior Déficit Habitacional do Brasil Revela Crise com 506 Mil Moradias em Falta e Juros Altos Pressionando Famílias

Minas Gerais enfrenta um grave déficit habitacional, com mais de meio milhão de moradias em falta, afetando diretamente a vida de milhares de famílias mineiras.

O estado de Minas Gerais ocupa a preocupante terceira posição no ranking nacional de déficit habitacional, com uma lacuna de 506.419 moradias. Este cenário, divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP) com base em dados do IBGE e CadÚnico, coloca o estado atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

A falta de acesso à moradia digna em Minas Gerais representa 8,77% do déficit total do Brasil, que somou 5.773.983 moradias em falta em 2024. Apesar de um recuo nacional de 3,4% em relação ao ano anterior, o problema em Minas Gerais persiste, exigindo atenção e políticas públicas eficazes.

Um dos principais agravantes é o ônus excessivo com aluguel, que afeta 10,8% dos domicílios brasileiros em Minas Gerais, posicionando o estado em segundo lugar no país nesse indicador. Famílias com renda de até três salários mínimos comprometem mais de 30% de seus ganhos apenas com o aluguel, um reflexo direto da dificuldade de aquisição de imóveis.

Juros Altos e Custo do Financiamento: Os Vilões do Sonho da Casa Própria

Segundo Ariano Cavalcanti, conselheiro da CMI/Secovi-MG, os altos juros e o custo elevado do financiamento imobiliário são os principais responsáveis pelo déficit habitacional em Minas Gerais. Essas despesas inibem a compra de imóveis, mesmo com o setor produtivo tendo capacidade de construção.

“Isso inibe todo o setor porque compromete frontalmente a renda. Com isso, embora o setor produtivo tenha condições de produzir, não há pessoas com renda para alcançar o financiamento”, explica Cavalcanti, ressaltando que as regiões mais afetadas são aquelas com menor renda.

O alto ônus com aluguel está intrinsecamente ligado à dificuldade de acesso à compra. Com juros elevados, adquirir um imóvel se torna mais caro, empurrando mais pessoas para o mercado de aluguel e, consequentemente, aumentando o déficit habitacional. Essa situação se agrava mesmo em programas como o Minha Casa, Minha Vida, que oferece juros subsidiados.

O Mercado Imobiliário e a Pressionante Realidade do Aluguel

Leandro Chaves, vice-presidente do Sindimóveis-MG, reforça a análise, prevendo que o cenário de encarecimento dos aluguéis não mudará no curto prazo. Custos com mão de obra, valorização dos terrenos e taxas de juros para financiamentos continuam elevando o preço dos imóveis.

“Os imóveis estão cada vez mais caros, seja por custos com mão de obra, valor do terreno, taxa de juros para os financiamentos. Então, de fato, ele [aluguel] vai continuar sobrecarregando as famílias mineiras”, afirma Chaves, lembrando que Minas Gerais já apresenta alta inadimplência no aluguel.

A redução do déficit habitacional, que ocorreu nas últimas duas décadas, poderia ser mais acelerada com taxas de juros menores. Cavalcanti aponta que os juros afetam negativamente a poupança e o acesso ao crédito imobiliário, sendo o Minha Casa, Minha Vida o principal motor da diminuição desse déficit.

Soluções Urgentes: Estoque Ocioso e Políticas Públicas Integradas

André Prado, doutor em arquitetura urbana, sugere uma agenda multifacetada para reduzir o déficit habitacional em Minas Gerais. No curto prazo, a maximização da adesão ao Minha Casa, Minha Vida é crucial, com o estado se inserindo mais ativamente no programa.

Para o médio prazo, Prado propõe a ativação do estoque ocioso de imóveis por meio do IPTU progressivo e da regularização fundiária. Ele destaca que Minas Gerais possui cerca de 1,2 milhão de imóveis desocupados, o dobro do déficit habitacional quantificado.

“O Estado tem duas vezes mais imóveis desocupados do que residências necessárias para suprir a demanda. Isso indica que a solução no médio prazo não passa necessariamente pela construção de novas unidades, mas pela mobilização do estoque existente”, ressalta o especialista.

A longo prazo, a construção de um sistema estadual de habitação robusto, com financiamento, capacidade técnica e governança articulada entre Estado, municípios, movimentos sociais e setor privado, é fundamental para traduzir diagnósticos em políticas efetivas e resolver o grave déficit habitacional em Minas Gerais.

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