MEI pode se aposentar com mais de um salário mínimo? Descubra como aumentar seu benefício

Nos últimos anos, o Microempreendedor Individual (MEI) se consolidou como uma das principais portas de entrada para a formalização de trabalhadores autônomos no Brasil.

Com mais de 15 milhões de registrados, segundo dados do Governo Federal, a categoria representa hoje uma fatia significativa da economia, garantindo benefícios previdenciários e acesso a linhas de crédito com juros menores.

Entretanto, quando o assunto é aposentadoria, muitos microempreendedores ainda acreditam que, ao pagar mensalmente o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS-MEI), estarão automaticamente garantidos com uma renda suficiente no futuro.

O que poucos sabem é que, na regra atual, a contribuição do MEI dá direito apenas a um salário mínimo como aposentadoria.

A boa notícia é que é possível ampliar o valor do benefício. Mas, para isso, o microempreendedor precisa adotar estratégias de contribuição extra ao INSS, planejando desde cedo a sua previdência.

Aposentadoria do MEI: como funciona

O DAS-MEI reúne três tributos principais:

  • INSS (Previdência Social) – 5% do salário mínimo;

  • ISS (Imposto sobre Serviços) – R$ 5,00, quando a atividade é de prestação de serviços;

  • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) – R$ 1,00, quando há comércio.

Ou seja, em 2025, com o salário mínimo fixado em R$ 1.502, a contribuição previdenciária do MEI é de apenas R$ 75,10 por mês (5% do mínimo).

Esse valor dá acesso a benefícios como:

  • Aposentadoria por idade;

  • Auxílio-doença;

  • Salário-maternidade;

  • Pensão por morte e auxílio-reclusão para dependentes.

No entanto, a aposentadoria por idade do MEI segue a regra da Previdência Social:

  • Homens: 65 anos de idade + 15 anos de contribuição;

  • Mulheres: 62 anos de idade + 15 anos de contribuição.

O problema está no valor: quem contribui apenas como MEI terá direito ao benefício de um salário mínimo, independentemente da média de rendimentos da vida laboral.

Como ampliar a aposentadoria sendo MEI

Apesar da limitação inicial, o microempreendedor pode aumentar a sua aposentadoria de diferentes formas. Veja as principais estratégias:

1. Complementar contribuição ao INSS

O próprio MEI pode contribuir com um valor adicional ao INSS para garantir aposentadoria maior que o salário mínimo.

  • Isso é feito por meio da Guia da Previdência Social (GPS);

  • O empreendedor paga a diferença entre os 5% já recolhidos no DAS e a alíquota de 20% sobre o salário de contribuição desejado.

Exemplo prático:

  • O MEI paga 5% (R$ 75,10 em 2025);

  • Se quiser contribuir com base em R$ 2.000,00, deverá recolher mais 15% (R$ 300,00);

  • Assim, sua aposentadoria futura será calculada considerando essa média maior.

Essa é a forma mais direta de transformar o recolhimento básico do MEI em uma aposentadoria mais robusta.

2. Contribuir em outra categoria do INSS

O microempreendedor também pode se registrar como contribuinte individual e recolher sobre um valor maior do que o mínimo. Nesse caso, continua MEI para fins tributários, mas adota outra categoria para previdência.

Isso pode ser útil, por exemplo, para quem tem renda mensal mais alta e deseja ter um benefício compatível no futuro.

3. Previdência privada

Outra alternativa é recorrer à previdência privada, que funciona como uma poupança de longo prazo.

  • Existem planos de Previdência Aberta (PGBL e VGBL) oferecidos por bancos e seguradoras;

  • E também a Previdência Fechada, voltada a associações ou cooperativas.

A previdência privada pode complementar a aposentadoria do INSS, garantindo uma renda extra que depende dos aportes feitos ao longo dos anos.

4. Investimentos independentes

Além das opções previdenciárias, o MEI pode construir seu próprio plano de aposentadoria por meio de investimentos, como:

  • Tesouro Direto (Tesouro IPCA, ideal para aposentadoria);

  • Fundos de investimento;

  • CDBs e LCIs;

  • Fundos imobiliários;

  • Ações de empresas sólidas.

Essa é uma maneira de garantir liberdade financeira e não depender exclusivamente do sistema público.

Vale a pena complementar como MEI?

Muitos microempreendedores se perguntam se realmente vale a pena pagar mais ao INSS. A resposta depende do perfil e dos objetivos.

Vantagens de complementar contribuição

  • Garantia de benefício maior que o salário mínimo;

  • Aposentadoria por tempo de contribuição pode se tornar viável;

  • Proteção para dependentes em caso de falecimento.

Desvantagens

  • A carga mensal pode pesar no orçamento do pequeno empreendedor;

  • O retorno pode demorar, já que depende da idade e tempo de contribuição;

  • Em alguns casos, investir em previdência privada ou ativos financeiros pode trazer mais rendimento.

Especialistas em finanças pessoais recomendam que o MEI faça um planejamento previdenciário individualizado. Muitas vezes, combinar contribuições adicionais ao INSS com previdência privada pode ser a melhor estratégia.

Passo a passo para aumentar a aposentadoria do MEI

Para quem decidiu complementar, o caminho é simples:

  1. Emitir a GPS (Guia da Previdência Social): disponível no site da Receita Federal ou aplicativo Meu INSS.

  2. Escolher a categoria de contribuição: código 1910 para contribuição complementar.

  3. Definir o salário de contribuição: o valor sobre o qual incidirão os 20% de alíquota.

  4. Efetuar o pagamento mensalmente: assim, o sistema da Previdência registrará os aportes maiores.

É importante sempre guardar os comprovantes e verificar no extrato do INSS se os recolhimentos estão sendo contabilizados corretamente.

MEI e aposentadoria por tempo de contribuição

Atualmente, a regra da Reforma da Previdência (2019) extinguiu a aposentadoria apenas por tempo de contribuição. Porém, quem já contribuía antes dessa mudança pode ter direito a regras de transição.

No caso do MEI, como a contribuição básica é reduzida (5%), só é possível contar para aposentadoria por tempo se houver o pagamento complementar. Portanto, se o objetivo for se aposentar antes da idade mínima, é indispensável recolher mais que o valor do DAS.

Exemplos práticos

Para ilustrar melhor, vejamos três perfis distintos:

  • Maria, 35 anos, MEI de artesanato: paga apenas o DAS-MEI. Se mantiver assim, quando completar 62 anos, terá direito a uma aposentadoria de 1 salário mínimo.

  • João, 40 anos, MEI de tecnologia: decide complementar para R$ 3.000,00 de salário de contribuição. No futuro, terá aposentadoria proporcional a essa média.

  • Ana, 30 anos, MEI de estética: opta por previdência privada, aportando R$ 400 por mês. Ao longo de 30 anos, terá uma renda extra que pode superar o benefício do INSS.

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