Bradesco Otimista para 2026 com Desemprego Baixo, Mas Alerta para Risco Fiscal e Impacto no FGC

Bradesco prevê cenário econômico mais favorável em 2026, impulsionado por baixa taxa de desemprego e aumento da massa salarial, mas aponta desafio fiscal

O presidente executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, expressou um otimismo cauteloso em relação ao cenário econômico brasileiro para 2026. Segundo ele, a perspectiva é de um ambiente mais favorável, em grande parte devido ao controle da taxa de desemprego no país, que se mantém em níveis baixos.

Noronha destacou que o Brasil tem apresentado uma massa salarial crescente, o que contribui para um ambiente econômico mais robusto. Essas declarações foram feitas durante um evento com jornalistas em São Paulo, onde o executivo compartilhou as visões do banco sobre o futuro.

Apesar das projeções positivas, o Bradesco também levanta um alerta importante sobre a necessidade de atenção à política fiscal do país. A sustentabilidade das contas públicas é vista como um fator crucial para a consolidação de um crescimento econômico duradouro. Conforme informação divulgada pela Reuters, o executivo enfatizou que o grande desafio do país é a política fiscal, afirmando: “Não dá para você ter uma relação dívida/PIB crescente.”

Projeções de Crescimento para o Crédito

O setor de crédito no Brasil também deve apresentar um desempenho acima do esperado, segundo as projeções do Bradesco. O executivo estima que o crescimento da carteira de crédito no país possa atingir cerca de 7% em 2026, um número superior às previsões anteriores, que apontavam para aproximadamente 6%. Para 2025, o banco já prevê uma expansão entre 4% e 8% na sua própria carteira de crédito.

Desafio Fiscal e a Relação Dívida/PIB

Apesar do otimismo com o mercado de trabalho e o crédito, Marcelo Noronha fez questão de ressaltar a importância da responsabilidade fiscal. A trajetória da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é um ponto de atenção constante para o banco. A manutenção de uma política fiscal sólida é vista como essencial para garantir a estabilidade econômica e a confiança dos investidores.

Caso Banco Master e o Futuro do FGC

Durante o evento, Noronha evitou comentar especificamente sobre a liquidação do Banco Master e seus possíveis reflexos no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC é uma entidade crucial para a segurança do sistema financeiro, e o Bradesco é um dos seus maiores contribuintes. O executivo declarou que o banco irá analisar a situação quando houver alguma formalização oficial sobre o caso.

Quando questionado sobre a possibilidade de mudanças nas regras do FGC após o episódio do Banco Master, Noronha indicou que “é preciso mudar, para evitar que haja problema”. No entanto, ele ressaltou que qualquer alteração nesse sentido é uma decisão que cabe ao regulador do mercado financeiro. O caso do Master, que teve um crescimento acelerado com base em títulos de alto rendimento comercializados como cobertos pelo FGC, levanta discussões sobre a adequação e a sustentabilidade do fundo em cenários de maior volatilidade.

O FGC informou que o valor das garantias a serem pagas aos credores do Master foi estimado em R$ 41 bilhões. Até setembro, o patrimônio total do FGC somava R$ 160 bilhões, com R$ 122 bilhões em recursos líquidos disponíveis. O FGC também destacou que a grande maioria dos investidores brasileiros possui valores abaixo do limite de R$ 250 mil, e o prazo médio para o início dos pagamentos a esses clientes é de 30 dias.

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