Alta de 7,8% na produção de veículos anima indústria automotiva em 2025

A indústria automobilística brasileira registrou um crescimento expressivo de 7,8% na produção de veículos no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024.

Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta terça-feira (9), reforçando a tendência de recuperação gradual do setor após anos de instabilidade e desaceleração provocada por fatores econômicos e logísticos.

Alta de 7,8% na produção de veículos anima indústria automotiva em 2025. Foto: Reprodução

Ao todo, foram produzidas 1.228.635 unidades entre janeiro e junho, entre automóveis de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus.

O resultado sinaliza não apenas um avanço frente ao desempenho recente, mas também uma possível retomada da confiança dos consumidores e do setor produtivo.

Retomada após crise

O crescimento da produção reflete um ambiente econômico mais estável, com a inflação sob controle, queda gradual da taxa básica de juros (Selic), e maior disponibilidade de crédito.

Além disso, a normalização da cadeia global de suprimentos — fortemente impactada nos últimos anos por problemas logísticos e escassez de semicondutores — tem permitido às montadoras operarem com maior previsibilidade.

Para o presidente da Anfavea, Mário de Lima, o resultado é animador. “Estamos vendo uma melhora consistente. A indústria começa a se reerguer após enfrentar a maior crise de fornecimento das últimas décadas. Ainda há desafios, mas o cenário é mais promissor do que nos anos anteriores”, afirmou durante coletiva de imprensa.

Automóveis de passeio lideram crescimento

Entre os segmentos avaliados, os automóveis de passeio foram os que mais impulsionaram o desempenho geral. Foram produzidas cerca de 930 mil unidades no semestre, o que representa um crescimento de 9,2% em relação ao mesmo período de 2024.

Esse avanço é atribuído, em parte, ao aumento da procura por modelos populares e compactos, impulsionados por programas de incentivo governamentais e novas linhas de financiamento.

O Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), lançado em 2024, tem sido uma das principais ferramentas de estímulo ao setor, ao oferecer benefícios fiscais às montadoras que investem em eficiência energética e tecnologia sustentável.

Veículos comerciais e pesados também sobem, mas em ritmo mais moderado

No caso dos veículos comerciais leves, como picapes e furgões, a produção somou 215 mil unidades, um crescimento de 6,5% em relação ao primeiro semestre de 2024. Já a produção de caminhões cresceu 3,1%, com pouco mais de 52 mil unidades fabricadas. Os ônibus, por sua vez, tiveram alta de 4,9%, totalizando 30 mil unidades.

Embora o crescimento nesse segmento seja mais modesto, ele é considerado positivo pelos analistas. “O transporte de cargas e o transporte coletivo ainda estão se ajustando a um novo patamar de demanda.

A renovação das frotas tem acontecido de forma cautelosa, mas com sinais consistentes”, explica a economista do setor automotivo, Carla Mendes.

Exportações ainda abaixo do esperado

Apesar da alta na produção, o volume de exportações ainda segue abaixo do que o setor considera ideal. No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 187 mil veículos, uma queda de 12,4% na comparação com o mesmo período de 2024.

As principais causas dessa retração estão na desaceleração de economias da América Latina, como Argentina e Colômbia — importantes compradores do setor automotivo brasileiro — além da valorização do real frente ao dólar, que encarece os produtos brasileiros no mercado externo.

Segundo a Anfavea, a expectativa é de que os embarques melhorem no segundo semestre, com a retomada parcial de contratos e novas negociações com países da África e Oriente Médio.

Emprego no setor também avança

Outro ponto de destaque no relatório da Anfavea foi o aumento no número de empregos diretos na indústria automobilística. Em junho, o setor empregava 104,7 mil trabalhadores, o que representa um acréscimo de 2,3% em comparação com dezembro de 2024.

Esse crescimento está relacionado não só ao aumento da produção, mas também ao retorno de investimentos em inovação e novos modelos.

Algumas montadoras, como Volkswagen, Stellantis e BYD, anunciaram recentemente a contratação de novos funcionários para ampliar suas linhas de montagem e desenvolvimento de veículos híbridos e elétricos.

Sustentabilidade ganha protagonismo

Um dos vetores mais relevantes para o crescimento do setor tem sido o foco crescente em sustentabilidade. Com o avanço da eletrificação, veículos híbridos e elétricos começam a ganhar espaço na produção nacional.

Embora ainda representem uma fatia pequena, a Anfavea aponta que já houve um aumento de 64% na produção de veículos eletrificados no semestre.

A maior parte desse volume corresponde aos modelos híbridos flex, que têm se mostrado mais adequados à infraestrutura atual do Brasil, além de oferecerem menor custo de adaptação para as montadoras.

O governo federal, por meio do Programa Mover, também tem sinalizado interesse em fortalecer políticas que incentivem a adoção de tecnologias mais limpas, o que pode se traduzir em ainda mais investimentos no curto e médio prazo.

Desafios ainda presentes

Apesar do desempenho positivo, a Anfavea destacou que o setor ainda enfrenta desafios significativos. Entre eles estão:

  • Carga tributária elevada, que reduz a competitividade da indústria brasileira frente a outros países;

  • Custos logísticos internos, especialmente no transporte rodoviário e na infraestrutura portuária;

  • Insegurança jurídica, que pode inibir investimentos de longo prazo;

  • Baixa previsibilidade regulatória, sobretudo no que diz respeito às metas de emissões e incentivos fiscais.

“A indústria precisa de um ambiente de negócios mais estável e confiável. Isso é fundamental para atrair investimentos e consolidar o crescimento”, reforça o presidente da Anfavea.

Perspectivas para o segundo semestre

A projeção da Anfavea para o segundo semestre de 2025 é otimista. A entidade estima que a produção de veículos possa atingir 2,4 milhões de unidades ao final do ano, representando um crescimento total de cerca de 8,5% em relação a 2024.

Fatores como a possível continuidade da queda da Selic, melhora na confiança dos consumidores e novos acordos comerciais internacionais podem contribuir para esse cenário. Além disso, a expectativa é de que o crédito continue se expandindo, favorecendo as vendas de veículos financiados.

“Temos sinais consistentes de recuperação. O mercado interno está respondendo, os investimentos estão voltando, e a inovação está se tornando uma marca da indústria nacional. Ainda há muito a fazer, mas o caminho está sendo trilhado”, concluiu Mário de Lima.

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