Greve dos Correios: 20% dos funcionários paralisados impactam entrega de encomendas e geram protestos - Brasa Noticias

Greve dos Correios: 20% dos funcionários paralisados impactam entrega de encomendas e geram protestos

A greve dos funcionários dos Correios, iniciada na última quinta-feira (10), já afeta a distribuição de cartas e encomendas em todo o país. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos e Similares do Estado de Minas Gerais (Sintect-MG), a adesão à paralisação tem crescido, com protestos ocorrendo em diversas cidades, incluindo em frente à sede dos Correios em Belo Horizonte.

O presidente do Sintect-MG, Robson Silva, informou que a greve tende a impactar principalmente as áreas de distribuição e o funcionamento das agências. Apesar da mobilização, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, em caráter liminar, que 80% do efetivo seja mantido em cada unidade para garantir a continuidade dos serviços essenciais da cadeia postal.

A empresa, por sua vez, alega que apenas 20% dos funcionários estão em greve, o que, segundo o sindicato, tecnicamente cumpre a determinação judicial. Os Correios afirmam ter acionado um Plano de Continuidade de Negócios para mitigar os impactos, incluindo a mobilização de empregados administrativos e o remanejamento de veículos. O caso segue em negociação e aguarda julgamento de dissídio coletivo no TST.

Principais Reivindicações dos Trabalhadores

A principal demanda dos trabalhadores é o **fim do processo de retirada do plano de saúde**, proposto pela empresa. Atualmente, os Correios arcam com 60% do custo do plano, e os funcionários com os 40% restantes. A proposta da estatal é deixar de ser a mantenedora do benefício, o que geraria um impacto financeiro considerável para os empregados.

Outro ponto crucial é a **recomposição salarial**. O sindicato considera insuficiente a proposta de reajuste de 60% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), argumentando que não cobre a inflação dos últimos 12 meses. A exigência é pela recomposição integral da inflação e a manutenção das cláusulas do acordo coletivo.

Outros Direitos Históricos em Risco

Além do plano de saúde e da recomposição salarial, os trabalhadores reivindicam a **manutenção de direitos históricos**, como o pagamento de 200% sobre o repouso ou feriado trabalhado, que a empresa propõe reduzir pela metade. Essa cláusula é vista como um importante mecanismo para evitar a convocação excessiva de funcionários em dias de descanso.

Há também a solicitação de um **complemento de 70% nas férias**, em vez dos atuais um terço mais 40%. A suspensão do tíquete de alimentação extra, concedido em negociação de 2003, e o retorno da empresa à mesa de negociações com propostas mais favoráveis também estão na pauta.

Postura da Empresa e Críticas à Gestão

O sindicato avalia que a empresa demonstra **falta de disposição para o diálogo**, considerando as propostas inviáveis. A greve, segundo o Sintect-MG, pode se estender até o julgamento do dissídio coletivo, marcado para o dia 21. A classe também solicita a saída do atual presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, e da diretora de gestão de pessoas, Natália Teles da Mota.

Críticas são feitas ao atual processo de reestruturação, visto como uma forma de **privatização velada**, com o fechamento de mil agências. O sindicato argumenta que essa medida prejudicará o sistema dos Correios, especialmente em cidades do interior, e transferirá receitas para a iniciativa privada. A falta de convocação de novos concursados há 15 anos, enquanto o quadro atual envelhece, também é um ponto de preocupação.

Os Correios, por sua vez, afirmam que ainda é possível haver acordo e reafirmam o respeito ao direito de greve, mas destacam o momento sensível da empresa, que enfrenta desafios econômico-financeiros e busca otimizar operações e gerar novas receitas.

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