Dia da Cachaça: Nova Geração de Produtoras em Salinas, MG, Renova Tradição e Impulsiona o Setor Nacional - Brasa Noticias

Dia da Cachaça: Nova Geração de Produtoras em Salinas, MG, Renova Tradição e Impulsiona o Setor Nacional

Salinas, MG, se consolida como polo da cachaça com nova geração impulsionando a tradição e a qualidade, refletindo a força de Minas Gerais no cenário nacional.

Neste Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro, Minas Gerais reafirma sua hegemonia no setor produtivo brasileiro. O estado abriga 564 estabelecimentos elaboradores registrados, representando expressivos 36,7% do total nacional, conforme dados do Anuário da Cachaça 2026, compilado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Em Salinas, a tradição da cachaça ganha novos ares com a força da sucessão familiar. As irmãs Daniele Sarmento e Leila Dayse Sarmento assumiram a produção iniciada por seu pai, Antônio Sarmento, conhecido como “Seu Tonico”, e trouxeram um capítulo inovador para a história da Cachaça Salineira.

A iniciativa das irmãs é um exemplo de como a nova geração está revitalizando o setor. Em 2021, uma homenagem aos 30 anos da Cachaça Salineira se transformou em um marco, com um lote comemorativo de mil garrafas que conquistou Duplo Ouro em um renomado concurso. Esse reconhecimento impulsionou a decisão de dar continuidade e expandir o legado familiar.

Da Homenagem à Reativação da Produção

“Foi a partir do prêmio que reativamos a fazenda, recuperamos tudo o que tinha lá e recomeçamos. Fizemos um novo canavial para recomeçar a produção, sabendo dessa qualidade e também do terroir de Salinas, que já tem esse ponto positivo a nosso favor”, relembra Leila Sarmento.

O processo de sucessão, no entanto, iniciou-se gradualmente. Em 2019, com o afastamento de Seu Tonico por questões de saúde, Daniele assumiu a gestão e as decisões comerciais. Leila, que atuava no setor bancário, integrou-se de forma definitiva à administração após a premiação de 2021.

A primeira produção totalmente conduzida pela nova geração foi lançada em 2023, mantendo a tradição da colheita manual da cana e a fermentação natural. O primeiro lote chegou ao mercado em 2024, com foco na qualidade.

“A nossa produção continua sendo colheita manual, porque nós só produzimos anualmente 15 mil litros de cachaça. O nosso foco é a qualidade, e não a quantidade. Então, para um canavial de dois hectares, a colheita deve ser manual”, explica Leila, enfatizando o cuidado artesanal.

Inovações Técnicas e Qualidade Superior

A fermentação natural da cachaça ganhou um reforço tecnológico com a introdução de leveduras selecionadas. Este projeto, desenvolvido em parceria com a UFMG, utilizou leveduras nativas de Salinas, visando aumentar a produtividade, reduzir a acidez e aprimorar a qualidade final da bebida.

“Mudamos um pouco e implantamos as leveduras selecionadas. Foi um projeto feito pela UFMG, que capturou as próprias leveduras de Salinas, e a gente investiu nesse projeto para que obtivesse maior produtividade ao final, menor acidez e mais qualidade na cana”, afirma Leila.

Essa adaptação representa uma das principais evoluções em relação ao processo original herdado do pai. A utilização de leveduras selecionadas otimiza o tempo de produção, tornando-o mais eficiente sem comprometer a excelência.

Salinas Lidera o Ranking Nacional de Cachaçarias

O município de Salinas se destaca no cenário nacional, recuperando em 2025 a liderança em estabelecimentos elaboradores registrados, com 27 unidades. A cidade também concentra 319 produtos de cachaça registrados, o maior número entre as cidades brasileiras e 10,9% do total de Minas Gerais.

No estado, o número de cachaças registradas atingiu 2.922, correspondendo a 34,9% do total nacional, com um aumento de 430 produtos em relação ao ano anterior. Minas Gerais também viu suas marcas registradas crescerem, passando de 3.478 em 2024 para 4.043.

A família Sarmento, com suas marcas como a Valiosa (em versões branca, blend e envelhecida em carvalho), acumula sete medalhas em concursos nacionais, evidenciando a qualidade de suas produções.

“A qualidade não está apenas nas cachaças novas. Está em todas as edições. É um produto que carrega um legado”, pondera Leila, ressaltando a importância de manter o padrão construído por Seu Tonico.

Mercado Externo em Expansão e Potencial de Valorização

O mercado de cachaça também tem ampliado sua presença internacional. Em 2025, o Brasil exportou 7,96 milhões de litros, um aumento de 19,4% sobre 2024, com um valor de US$ 17,07 milhões, crescimento de 17,4%. A bebida foi enviada para 76 países.

Os Estados Unidos lideraram em valor exportado, enquanto o Paraguai se destacou em volume. Alemanha e Estados Unidos figuram como os principais destinos por quantidade. Apesar do crescimento geral, o preço médio da cachaça exportada apresentou uma leve queda.

Sérgio Maciel, diretor-presidente da Anpaq, destaca o potencial de valorização das bebidas de maior valor agregado. “Imaginem o potencial que temos quando as nossas cachaças de alambique, especialmente as cachaças premium, conquistarem o mercado brasileiro e, principalmente, o internacional. Os valores para Minas e para o Brasil serão muito além, bem mais significantes. Minas Gerais tem tudo para liderar esse movimento”, afirma.

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