Diversidade nas Empresas: Especialista Desmistifica, Afirma que Inovação Sem Inclusão “Não é Inovação de Verdade”

Especialista em diversidade e inclusão, Adrielly Honório, defende que empresas devem enxergar a inclusão como motor estratégico para inovação e crescimento, impactando positivamente o negócio.
Em um cenário cada vez mais complexo, a discussão sobre diversidade e inclusão ganha força, saindo do campo social para se consolidar como um pilar estratégico para os negócios. Adrielly Honório, consultora e palestrante renomada na área, participou do HackTown 2026 e, em conversa para o podcast Na Boa, parceria do Diário do Comércio, compartilhou suas visões sobre o tema.
Honório expressou seu incômodo pessoal com a expressão “recursos humanos”, argumentando que pessoas não devem ser tratadas como meros insumos. Para ela, o primeiro passo para uma cultura organizacional mais inclusiva é o reconhecimento de que todos carregam preconceitos, mas a diferença reside na consciência e na atitude para não permitir que estes ditem comportamentos.
A especialista enfatiza que a diversidade é, antes de tudo, uma **vantagem competitiva comprovada**. Estudos recentes indicam que equipes diversas possuem maior potencial criativo e solucionam problemas de forma mais ágil. Ignorar essa realidade, segundo ela, é perder oportunidades valiosas.
Diversidade como Estratégia de Negócios, Não Caridade
O principal argumento de Adrielly Honório em prol da diversidade nas empresas não é de ordem moral, mas sim estratégico. Ela ressalta que, há cerca de uma década, já é comprovado que times diversos são **significativamente mais criativos** e eficientes na resolução de problemas do que equipes homogêneas. “Não existe mais desculpa para falar que não consigo contratar uma pessoa com deficiência porque não encontro. Você não encontra porque não está procurando”, afirmou.
Inovação e Futuro do Trabalho Andam de Mãos Dadas com a Diversidade
Para Honório, é impossível dissociar inovação do conceito de diversidade. Inovar, por definição, é criar o novo, e esse processo é intrinsecamente coletivo. Em uma sociedade que, segundo ela, tende a valorizar o individualismo, a introdução de novas tecnologias sem considerar a diversidade levanta questionamentos sobre quem realmente se beneficia dessa inovação e se ela atende às necessidades locais.
Ela exemplifica o risco de impor soluções pensadas em um contexto específico, como São Paulo, a uma realidade distinta, como Santa Rita do Sapucaí, sem considerar o olhar local. A verdadeira inovação surge da **soma de diferentes perspectivas**, unindo pessoas de diversas regiões e origens para gerar ideias disruptivas e inesperadas.
Mercado Aberto, Mas Ano Eleitoral Impacta Iniciativas
A consultora observou que o mercado tem se mostrado mais receptivo à diversidade em comparação a anos anteriores. No entanto, ela aponta que o cenário de ano eleitoral tende a **desacelerar as ações** de inclusão nas empresas. Apesar disso, Honório reitera a importância do tema, que transcende modismos, mesmo reconhecendo que algumas empresas adotaram a diversidade por “efeito manada”.
Diante de empresas resistentes, Adrielly Honório utiliza um argumento direto: mesmo que o objetivo inicial não seja puramente humanitário, a diversidade **impacta positivamente a marca**, o alcance e o engajamento interno, devendo ser tratada como cultura, negócio e estratégia. Ela instiga gestores a reconhecerem que já possuem os elementos básicos: pessoas, cultura e um time, sugerindo que basta dar o primeiro passo.
A Importância de Sair do “Eu” para o “Nós”
A mensagem final de Adrielly Honório, levada do HackTown, é a **coletividade como único caminho**. Ela lamenta a falta de conexão em seu próprio condomínio, onde vive em um prédio com centenas de apartamentos e conhece apenas alguns vizinhos, perdendo a oportunidade de conhecer centenas de histórias.
Inspirada pelo conceito de “bem viver” de povos originários latino-americanos, que prega o equilíbrio individual, coletivo e com o território, Honório defende que a cura e o crescimento não são processos solitários. “O mundo tá adoecendo, e a cura não vai ser só minha. Se eu me curar e você não se curar, qual impacto eu tô pegando na minha vida?”, questionou, reforçando que quem encontra um caminho de transformação deve também auxiliar outros a trilhá-lo. Adrielly Honório está presente no Instagram (@adrielly.honorio) e LinkedIn (adrielly-honorio).