Selic em 13,75% até 2026? Mercado mantém projeção e Copom sinaliza cautela com juros

Mercado financeiro mantém projeção de Selic em 13,75% ao final de 2026, aponta relatório Focus, e BC reforça cautela com juros em cenário de incertezas.

A taxa Selic no fim de 2026 deve permanecer em 13,75% ao ano, de acordo com a mediana das projeções do relatório Focus divulgadas nesta segunda-feira (24). Essa estimativa se mantém estável pela terceira semana consecutiva, indicando uma expectativa de continuidade no patamar atual dos juros básicos da economia brasileira.

Essa perspectiva surge em meio a um cenário de incertezas globais e domésticas, que têm levado o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa. A guerra no Irã, por exemplo, eleva os riscos sobre a cadeia de suprimentos global, impactando os preços de commodities e, consequentemente, a inflação.

O Banco Central tem reiterado a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária, buscando garantir a convergência da inflação para as metas estabelecidas. O Copom já realizou quatro cortes consecutivos na Selic desde março, reduzindo a taxa de 14,25% para os atuais 14% ao ano, somando um ponto percentual de queda.

A projeção para o fim de 2027 também segue estável, com a mediana do Focus em 12,00% pela décima semana consecutiva. Para o fim de 2028, a expectativa é de 10,50%, e para 2029, de 10,00%, demonstrando uma tendência de queda mais acentuada nos anos seguintes.

Projeções para os próximos anos indicam estabilidade e posterior queda gradual da Selic

O relatório Focus, que compila as estimativas de economistas de instituições financeiras, mostra que a mediana para a Selic ao final deste ano também se manteve em 13,75%. Essa consistência nas projeções sugere que o mercado financeiro não antecipa mudanças significativas na trajetória da taxa de juros no curto prazo.

Considerando as estimativas mais recentes, atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para o fim de 2026 seguiu em 13,75%. Já para o fim de 2027, a mediana das projeções mais sensíveis a novidades se manteve em 12,25%, indicando uma ligeira divergência em relação à estimativa geral para o ano.

Copom mantém discurso de cautela e monitoramento do cenário econômico

Na última reunião, o Copom destacou em sua ata que o cenário atual, com aumento da incerteza e riscos elevados, exige prudência. O colegiado afirmou que continuará incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário para manter a restrição monetária adequada, essencial para assegurar a convergência da inflação à meta.

Essa postura do Banco Central reflete a complexidade do ambiente econômico, onde fatores externos e domésticos podem influenciar as expectativas inflacionárias. A meta de inflação é um dos pilares da política monetária, e sua manutenção é crucial para a estabilidade econômica do país.

Expectativas para 2028 e 2029 apontam para um ciclo de cortes mais acentuado nos juros

As projeções para os anos seguintes indicam uma tendência de queda mais acentuada na taxa Selic. Para o final de 2028, a mediana do mercado aponta para 10,50%, um patamar que se mantém estável há oito semanas. Já para 2029, a expectativa é de 10,00%, consolidando essa projeção pela décima sexta semana consecutiva.

Essas estimativas sugerem que o mercado financeiro projeta um cenário de afrouxamento monetário mais expressivo a partir de 2028, refletindo a confiança em um controle mais efetivo da inflação e na normalização das condições econômicas. No entanto, a Selic em 13,75% para os próximos dois anos evidencia a persistência de desafios no controle inflacionário.

Botão Voltar ao topo