IA no Brasil: Startups Sofrem com Falta de Infraestrutura e Dados Processados no Exterior, Prejudicando Crescimento e Inovação Tecnológica

IA no Brasil: Startups Sofrem com Falta de Infraestrutura e Dados Processados no Exterior, Prejudicando Crescimento e Inovação Tecnológica
A promessa da inteligência artificial (IA) no Brasil esbarra em um obstáculo fundamental: a infraestrutura computacional. Muitas startups brasileiras de IA enfrentam limitações significativas em sua capacidade de processamento, o que impede a expansão de seus negócios e a plena exploração do potencial dessa tecnologia disruptiva.
A situação é crítica, com um número expressivo de empresas já sentindo os efeitos da falta de recursos. A pesquisa da Axia Energia revela um cenário preocupante, onde a demanda por processamento de dados cresce, mas a oferta de infraestrutura não acompanha o ritmo, gerando um gargalo que afeta diretamente a inovação e o desenvolvimento no país.
A dependência de infraestrutura externa para processamento de dados brasileiros é outro ponto de atenção. Essa realidade levanta questões sobre soberania digital e abre um leque de desafios para empresas que buscam manter seus dados e operações dentro do território nacional, como aponta a análise da Axia Energia.
Infraestrutura Insuficiente Limita o Escalonamento de Startups de IA
De acordo com a pesquisa da Axia Energia, três em cada quatro startups brasileiras de inteligência artificial (IA) planejam aumentar o uso de infraestrutura computacional nos próximos 12 meses. No entanto, essa perspectiva de crescimento esbarra na realidade de um mercado com capacidade de processamento limitada. Maiza Pimenta Goulart, diretora do grid de inovação da Axia, alerta para o descasamento entre a demanda crescente e a oferta de infraestrutura no Brasil.
Mais de um terço das 90 empresas consultadas na pesquisa já relataram que a operação de seus negócios foi limitada pela infraestrutura de IA disponível. Goulart destaca que essa limitação se torna mais acentuada no momento de escalar as operações. Para contornar o problema, as startups buscam alternativas, como a criação de infraestrutura própria com unidades de processamento gráfico (GPUs) ou a utilização da infraestrutura diretamente nos ambientes de seus clientes.
Dados Brasileiros Processados no Exterior: Um Desafio para a Soberania Digital
O cenário de falta de infraestrutura local se agrava com a constatação de que uma parcela significativa dos dados brasileiros é processada fora do país. Citando uma estimativa do Ministério da Fazenda, Goulart informa que cerca de 60% dos dados do Brasil são processados em nuvens internacionais. Essa concentração no exterior intensifica o desafio para as empresas que precisam ou preferem manter o processamento e os dados em território nacional, impactando diretamente a soberania digital.
Para que a infraestrutura de IA no Brasil avance, é crucial uma coordenação eficaz entre a expansão dos data centers e a oferta de energia, especialmente de fontes renováveis. Goulart ressalta o potencial do Brasil em oferecer energia limpa, um diferencial competitivo, mas enfatiza a necessidade de planejamento para casar essa oferta com a demanda por processamento de dados, evitando impactos negativos no grid de energia nacional.
Pedidos de Conexão à Rede Elétrica Revelam Potencial, Mas Exigem Garantias
O volume de pedidos de conexão à rede de transmissão para data centers no Brasil totaliza impressionantes 26,2 gigawatts (GW). Esse número representa mais de um quarto da capacidade elétrica nacional atual, conforme dados da Axia. Contudo, nem todos esses pedidos se traduzirão em capacidade instalada efetivamente.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) considera atualmente uma fila válida de 10,3 GW de projetos de data centers. Essa redução se deve à exigência de garantias financeiras pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), um passo importante para assegurar a viabilidade dos empreendimentos. Alexandre Zucarato, diretor de planejamento do ONS, explica que o sistema leva em conta não apenas os projetos com contratos de uso da transmissão assinados, mas também aqueles que obtiveram parecer de acesso à rede, essenciais para o planejamento elétrico.
Critérios de Escolha de Fornecedores de Infraestrutura de IA Vão Além do Preço
A pesquisa da Axia Energia também revela que o preço não é o único fator determinante na escolha de fornecedores de infraestrutura de IA pelas startups. O custo por hora de processamento, token ou gigabyte é citado por 71% das empresas como um critério crucial. No entanto, uma parcela semelhante, 70%, considera a confiabilidade e o nível de serviço (SLA) como igualmente relevantes.
Apesar de 59% das startups se mostrarem abertas a migrar de provedor, o custo dessa mudança é apontado por 70% como um fator preponderante que dificulta a transição. Essa percepção indica que, embora a flexibilidade seja desejada, os entraves financeiros e a complexidade da migração representam barreiras significativas para a adoção de novas soluções de infraestrutura de IA no Brasil, limitando ainda mais o crescimento do setor.