BH Verde Contra Enchentes: Parque Ciliar, Jardins de Chuva e Rotas Verdes Transformam a Paisagem Urbana

Belo Horizonte aposta em um futuro mais verde para combater enchentes com o programa BH Cidade Viva, integrando natureza e comunidade.

A capital mineira lançou o ambicioso programa BH Cidade Viva – A Natureza Protegendo o Nosso Futuro, uma iniciativa que promete revolucionar o enfrentamento das enchentes na cidade. Ao invés de focar apenas em estruturas de concreto, o projeto prioriza soluções baseadas na natureza, buscando “desconcretar” Belo Horizonte e torná-la mais resiliente às mudanças climáticas.

O programa, que conta com apoio internacional e mais de R$ 15 milhões em doações para estudos e projetos, prevê uma série de intervenções urbanas inovadoras. O objetivo é não apenas mitigar os alagamentos recorrentes, mas também criar um ambiente urbano mais saudável, fresco e com maior qualidade de vida para os seus habitantes.

As ações incluem a criação de parques ciliares agroflorestais, a implantação de jardins de chuva em escolas e equipamentos públicos, e a transformação de pátios em áreas verdes. Essas medidas buscam infiltrar a água da chuva no solo, reduzindo o volume que chega aos bueiros e córregos, além de amenizar o calor das ilhas urbanas. Conforme divulgado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o programa visa preparar a cidade para eventos climáticos extremos através de um trabalho preventivo e contínuo.

Venda Nova Ganha Parque Ciliar e Modelo de Renda Sustentável

Um dos destaques do BH Cidade Viva é a criação de um parque ciliar agroflorestal com mais de 350 mil metros quadrados na região de Venda Nova. Este espaço será destinado ao cultivo de hortas, frutas e outras espécies agroflorestais, com a proposta de que a produção seja comercializada pelos moradores locais. A iniciativa busca conciliar a preservação ambiental com a geração de renda e a segurança alimentar da comunidade.

Além do parque, o programa prevê a implantação de quase 13 quilômetros de rotas verdes, que consistem em caminhos arborizados e sombreados, qualificando os trajetos entre residências, escolas e equipamentos públicos. Esta medida visa incentivar a mobilidade ativa e proporcionar espaços mais agradáveis para a circulação de pessoas.

Equipamentos Públicos se Tornam Oásis Verdes

Quatro equipamentos públicos em Belo Horizonte passarão por uma profunda transformação. Duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef), uma Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) e o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Lagoa terão seus pátios desconcretados. Em seu lugar, serão criadas áreas verdes com jardins, telhados verdes e sistemas de captação de água da chuva.

Ao todo, serão implantados mais de 37 mil metros quadrados dessas estruturas, que têm a função de armazenar e facilitar a infiltração da água das chuvas no solo. Essa ação é fundamental para reduzir alagamentos, diminuir o escoamento superficial e contribuir para a diminuição das ilhas de calor, tornando esses espaços mais frescos e resilientes.

Jardins de Chuva e Campos Hídricos: Inovações no Combate às Chuvas

O programa BH Cidade Viva também contempla a implantação de dois campos de futebol hídricos. Estes campos são projetados com uma estrutura que permite a absorção da água das chuvas, ajudando a reduzir o volume que escoa para o sistema de drenagem. A primeira entrega física do programa foi um jardim de chuva na Escola Municipal Professor Moacyr Andrade, em Venda Nova, desenvolvido de forma colaborativa.

Os jardins de chuva são soluções baseadas na natureza que captam, armazenam e infiltram água pluvial diretamente no solo. Além de combater alagamentos, funcionam como filtros naturais, melhoram a qualidade da água, reduzem o calor urbano e ampliam as áreas verdes, favorecendo a biodiversidade. A PBH destacou que o programa também prevê a criação de corredores ecológicos, parques ciliares e a recuperação de nascentes.

Cooperação Internacional e Governança Participativa

O lançamento do BH Cidade Viva contou com a presença de autoridades municipais, representantes de parceiros internacionais como a C40 Cities Finance Facility (CFF) e a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), além do Consulado Britânico e do Consulado Honorário da Alemanha. A cooperação internacional já garantiu mais de R$ 15 milhões em doações para os estudos e projetos que guiarão as intervenções.

O Prefeito Álvaro Damião ressaltou a importância do programa para a cidade, afirmando que o objetivo é “desconcretar Belo Horizonte”. O programa estabelece um modelo de governança participativa, buscando envolver moradores, escolas, universidades e instituições parceiras na implantação e manutenção das ações, garantindo que as soluções verdes sejam duradouras e eficazes.

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