Temer: “Não aplaudo” liberação de bets em seu governo e critica Vorcaro, do Banco Master

Temer reflete sobre legado e decisões de seu governo, admitindo falhas na liberação das apostas esportivas e comentando sua atuação em caso envolvendo o Banco Master.

O ex-presidente Michel Temer (MDB) concedeu entrevista nesta segunda-feira (6), abordando diversos temas de seu período na Presidência da República. Temer expressou arrependimento em relação à liberação das apostas esportivas durante seu mandato, afirmando que “não aplaudo aquele meu ato”.

A decisão, segundo ele, foi vista como um “mal menor” diante da forte pressão pela liberação de cassinos no país, medida que enfrentava grande resistência. Temer defende agora uma “regulamentação rigorosa” e “fiscalização especialíssima” para o setor.

Temer também comentou sua atuação como advogado do Banco Master antes da crise que envolveu a instituição. Ele explicou que sua função era buscar uma composição com agentes do mercado financeiro, visando uma “liquidação privada” e não uma intervenção pública pelo Banco Central.

Conforme informações divulgadas pela Folhapress, o ex-presidente relatou não ter obtido sucesso em sua tentativa de acordo e, por isso, se afastou do caso. Ele mencionou que o banco não quitou integralmente o valor acordado, citando dados da Receita Federal que indicam o pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de Temer em 2025.

Visão sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master

Ao ser questionado sobre Daniel Vorcaro, do Banco Master, Temer descreveu o empresário como uma figura “muito doce” em sua percepção pessoal. No entanto, ele ressaltou a importância de separar a impressão individual das ações empresariais.

“Uma coisa é ser a figura suave e outra coisa são as atitudes”, declarou Temer, admitindo que Vorcaro “exagerou, evidentemente”. Ele reiterou que sua contratação visava apenas uma composição, não uma intervenção do Banco Central.

Relações políticas e eventos recentes

O ex-presidente também abordou suas relações com o atual presidente Lula (PT) e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Temer afirmou que não conversa com Lula desde que o petista retornou ao poder, tendo um breve contato apenas durante a campanha eleitoral e na posse de Alexandre de Moraes no TSE.

Ele declarou entender que Lula utilize o termo “golpe” para satisfazer parte de sua base eleitoral. Sobre Dilma, Temer disse que não voltou a falar com ela desde o impeachment, acrescentando que ela “nunca mais falou comigo”.

Temer comentou ainda sobre sua relação com Joesley Batista, empresário que o gravou em 2017. Ele indicou que só aceitaria um novo encontro mediante “retratação pública”, ironizando que a conversa deveria ocorrer em um ambiente reservado para evitar novas gravações.

Análise dos atos de 8 de janeiro

O ex-presidente classificou os atos de 8 de janeiro como uma “tentativa de golpe”, mas ponderou sobre a participação direta de Jair Bolsonaro (PL). Ele enfatizou que a invasão visou os prédios que abrigavam os Poderes da República.

Temer lançou recentemente o documento “Estrada Para o Futuro”, com propostas para diversos setores, incluindo segurança pública e educação. Ele mencionou que pré-candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema agradeceram pelo envio do material, que sugere medidas como a infiltração policial em organizações criminosas e a ampliação do ensino em tempo integral.

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