Brasil mais conservador: Pobreza ligada à preguiça, apoio à maioridade penal e menos aceitação LGBTQIA+ segundo Datafolha

Datafolha revela brasileiro mais conservador em 2026: Pobreza vista como preguiça, maioridade penal em alta e aceitação LGBTQIA+ em queda

Uma nova pesquisa do Datafolha, divulgada recentemente, apresenta um retrato do eleitor brasileiro que chama a atenção para uma inflexão conservadora na sociedade nos últimos quatro anos. O levantamento, que entrevistou 2.004 pessoas em 139 municípios, abordou percepções sobre pobreza, maioridade penal, impostos e aceitação da homossexualidade, revelando mudanças significativas nas opiniões da população.

Os resultados indicam uma sociedade que parece se afastar de visões mais progressistas em diversos aspectos. A forma como a pobreza é encarada, por exemplo, mudou drasticamente, associando-a mais à falta de vontade de trabalhar do que a questões estruturais. Esse cenário, segundo o Datafolha, reflete um eleitorado com novas prioridades e visões de mundo.

A pesquisa, registrada no TSE sob o número BR-09956/2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais, serve como um termômetro importante para entender o sentimento social e político do país às vésperas de importantes decisões eleitorais. Conforme informação divulgada pelo Datafolha, os dados coletados em junho de 2026 pintam um quadro de transformações importantes.

Pobreza ligada à preguiça: uma visão em ascensão

Um dos dados mais expressivos da pesquisa é a percepção sobre a relação entre pobreza e preguiça. O percentual de brasileiros que associam a pobreza à falta de vontade de trabalhar saltou de 22% em 2022 para 40% em 2026. Este é o maior índice registrado desde 2013, quando o Datafolha começou a questionar sobre o tema. Em contrapartida, a visão de que a pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais, ainda majoritária, viu seu percentual cair de 76% para 58% no mesmo período.

Impostos e serviços: a preferência por menos Estado

Quando o assunto são impostos e serviços públicos, a pesquisa do Datafolha aponta para uma inclinação em favor de um modelo com menor intervenção estatal. Metade dos entrevistados (50%) declarou preferir pagar menos impostos e ter acesso a serviços particulares de saúde e educação, em vez de arcar com uma carga tributária maior em troca de serviços gratuitos. Essa preferência contrasta com os 44% que defendem a opção oposta.

Essa divisão reflete uma mudança em relação a quatro anos atrás, quando as opções estavam em empate técnico. A pesquisa também destacou uma diferença de gênero: 56% dos homens preferem pagar menos impostos, enquanto 44% das mulheres compartilham dessa opinião. Para 6% dos entrevistados, a resposta foi de “não souberam responder”.

Maioridade penal: apoio crescente à punição de jovens

O debate sobre a redução da maioridade penal também mostra uma tendência de aumento no apoio popular. Atualmente, 70% dos entrevistados defendem que a idade para punir infratores seja diminuída, permitindo que adolescentes sejam penalizados pelas mesmas leis que os adultos. Este índice representa um avanço em relação aos 65% registrados em 2022.

Especialistas criticam a medida, apontando sua ineficácia na redução da criminalidade. No entanto, a percepção pública parece caminhar em sentido oposto, fortalecendo a ideia de que a redução da idade penal é uma resposta necessária para lidar com a violência.

Aceitação da homossexualidade em queda e menor dependência do governo

No que diz respeito à aceitação da homossexualidade, a pesquisa do Datafolha indicou uma diminuição no apoio à afirmação “a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade”. O percentual de concordância caiu de 79% em 2022 para 72% em 2026. Entre os católicos, 75% concordam, enquanto entre os evangélicos, o índice é de 61%.

Adicionalmente, a visão sobre a dependência do governo federal também mudou. Sessenta e cinco por cento dos brasileiros concordam com a frase “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida”, um aumento em relação aos 58% de 2022. Por outro lado, apenas 31% acreditam que “quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida”, contra 38% em 2022. Esses dados, coletados pelo Datafolha, pintam um quadro de um país que busca maior autonomia e se mostra mais cauteloso em relação a intervenções estatais e temas sociais.

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