Dólar Tem Semana de Alta e Baixa: Entenda o Que Afetou a Moeda Americana no Brasil e No Mundo

Dólar fecha semana com leve alta, apesar de recuo diário impulsionado pelo petróleo e atuação do BC
A divisa americana apresentou um leve recuo de 0,20% nesta sexta-feira, 26 de julho, refletindo uma tendência de baixa no cenário internacional. Contudo, o acumulado da semana aponta para uma ligeira valorização de 0,05% frente ao real, demonstrando a volatilidade recente da moeda.
Fatores como a queda nos preços do petróleo e a intervenção do Banco Central (BC) atuaram para conter a valorização do dólar. No entanto, a força da moeda americana em junho e a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos ainda pesam no radar dos investidores.
Análises econômicas indicam que, apesar das correções recentes, o dólar pode ter dificuldades em romper patamares mais altos, enquanto o real busca sustentação. Acompanhe os detalhes que movimentaram o mercado cambial.
Cenário Externo e Petróleo: Impacto na Moeda Americana
A continuidade do alívio nos preços do petróleo, mesmo diante de atritos entre Estados Unidos e Irã, tem um efeito direto na inflação e nas expectativas de juros do Federal Reserve (o banco central americano). A queda nas cotações do barril de petróleo Brent, que acumulou desvalorização de quase 10% na semana, reduz pressões inflacionárias e diminui as chances de um aperto monetário mais agressivo nos EUA.
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, explica que a correção no câmbio está ligada ao cenário externo, com o recuo do petróleo enfraquecendo o dólar globalmente e ajudando na percepção de risco. Essa dinâmica contribui para a queda das taxas de juros curtas nos EUA, como a dos Treasuries de 2 anos, que fecharam na casa de 4,08%.
Intervenção do Banco Central e Estabilidade do Real
Nesta sexta-feira, o Banco Central atuou no mercado com a venda simultânea de US$ 1 bilhão de moeda à vista e de 20 mil contratos de swap cambial reverso. Embora essa ação não tenha efeito direto na taxa de câmbio, o chamado “casadão” visa evitar distorções pontuais e, indiretamente, dar sustentação ao real.
O diretor de Tesouraria do Travelex Bank, avalia que essas operações do BC parecem ser uma medida preventiva para evitar estresse no fim de semestre, período que geralmente envolve aumento de remessas ao exterior e redução de posições em bancos por parte de investidores.
Desempenho do Dólar e Perspectivas Futuras
Após atingir a mínima de R$ 5,1563 pela manhã, o dólar reduziu seu ritmo de queda, fechando o dia a R$ 5,1676, uma baixa de 0,20%. No entanto, a semana terminou com ligeira valorização de 0,05%. Em junho, o dólar acumula alta de 2,47% frente ao real, e no ano, as perdas, que chegaram a ser superiores a dois dígitos no início de maio, agora são de 5,86%.
O índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas fortes, recuava, mas termina a semana com ganhos de 2,40%. Para Francesco Pesole, estrategista de câmbio do banco ING, após dados de inflação nos EUA virem em linha com as expectativas, os próximos indicadores, como o payroll e o índice de preços ao consumidor (CPI), serão cruciais para as expectativas de juros. Ele observa que muitos aspectos positivos para o dólar global já parecem precificados, o que pode fortalecer o argumento para uma correção da moeda no curto prazo.
Projeções para a Taxa de Câmbio
O Itaú elevou suas projeções para a taxa de câmbio. A estimativa para 2026 passou de R$ 5,15 para R$ 5,30, e para 2027, de R$ 5,35 para R$ 5,50. Essa revisão se deve, principalmente, à expectativa de juros mais elevados nos EUA, fortalecimento do dólar globalmente, deterioração dos termos de troca com a queda do petróleo e aumento do prêmio de risco no Brasil.
Embora o diferencial de juros ainda ofereça algum suporte ao real no curto prazo, o conjunto desses fatores aponta para uma trajetória de depreciação da moeda brasileira à frente, conforme análise do banco Itaú.