Indústria de Fundição em Alerta: Queda de 35% na Demanda Sinaliza Risco de Desindustrialização em Minas Gerais

Indústria de Fundição em Minas Gerais Projeta Queda Drástica na Demanda e Acende Sinais de Desindustrialização

A indústria de fundição de Minas Gerais enfrenta um cenário preocupante, com projeções de uma queda de 35% na demanda interna para 2026. A situação é agravada pela persistência de juros elevados e a falta de perspectivas de melhora no mercado, o que já se reflete em medidas como a redução de turnos e o corte de investimentos por parte das empresas do setor. O alerta de desindustrialização ganha força diante desse quadro desafiador.

Segundo Bráulio Campos, presidente do Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), o setor não vislumbra uma retomada iminente, especialmente em segmentos mais robustos como a linha agrícola amarela. “Muitas empresas estão reduzindo ritmo, cortando turnos e adiando investimentos. Com os juros em patamares elevados, até linhas de financiamento acabam ficando caras, o que torna novos projetos inviáveis”, explicou Campos.

A perda de competitividade frente aos concorrentes asiáticos é apontada como um dos principais entraves. A produtividade da fundição brasileira, de acordo com o presidente do Sifumg, ainda está aquém da registrada por países como China, Índia e Coreia do Sul. Esses países têm enviado ao Brasil máquinas e equipamentos a preços inferiores aos custos de produção nacional, intensificando a pressão sobre as empresas locais.

O Impacto do “Custo Brasil” e a Dificuldade de Exportação

O chamado “Custo Brasil” agrava ainda mais a situação. A elevada carga tributária sobre consumo, trabalho e comércio, somada ao alto preço da matéria-prima, comprime as margens de lucro das empresas. A dificuldade em repassar esses aumentos para um mercado já fragilizado impede a recuperação. “Os custos subiram, mas o mercado não absorve um novo reajuste. Abrir uma empresa de fundição hoje, no Brasil, é praticamente inviável, e quem já está no jogo só consegue reduzir”, ressaltou Campos.

As exportações também se tornam um desafio considerável. A falta de competitividade em preço impede que o setor dispute espaço em mercados importantes como os Estados Unidos, onde sobretaxas americanas encarecem ainda mais os produtos brasileiros, e a Europa, que possui medidas de proteção à sua própria indústria. “Não temos mais preço para competir lá fora e isso diminui nossa competitividade”, lamentou o presidente do Sifumg.

Produção Reduzida e Esforços para Manter Empregos

O impacto desse cenário é visível nos números de produção, com diversas unidades em Minas Gerais operando com metade de sua capacidade ociosa, especialmente na linha agrícola. A ausência de uma agenda clara em Brasília para enfrentar os juros altos, a carga tributária e a entrada de importados preocupa o setor. O risco, segundo Campos, transcende um ano ruim, podendo levar à perda permanente de capacidade produtiva.

“Acredito que mudanças estão descartadas neste ano. Com as eleições, Brasília está parada e não tem quem reivindicar”, explicou o dirigente. Problemas externos e internos, como o “tarifaço” dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, já vinham afetando o setor desde o segundo semestre do ano passado, levando ao corte de horas extras e turnos de trabalho.

Manutenção do Quadro de Empregos como Prioridade

Apesar das dificuldades, a indústria de fundição em Minas Gerais tem se articulado para evitar demissões em massa. A dependência de mão de obra treinada, que demanda tempo e investimento para sua formação, leva a maioria das empresas a priorizar a manutenção de seus quadros de funcionários, mesmo diante do cenário desafiador.

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