Dólar: Guerra no Oriente Médio e Fed Ameaçam Real, Mas Moeda Brasileira Aguenta Firme na Semana

Dólar registra alta diária em meio a tensões globais, mas cede terreno na semana

O dólar americano encerrou a sessão da última sexta-feira, 22, com uma valorização de 0,54%, alcançando R$ 5,0282. Contudo, ao longo da semana, a moeda registrou uma desvalorização de 0,78% frente ao real. Investidores demonstraram maior cautela antes do fim de semana, buscando refúgio na moeda norte-americana.

Essa busca por segurança foi impulsionada por incertezas quanto aos avanços nas negociações de paz no Oriente Médio e por declarações mais firmes de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. As falas do Fed indicam preocupação com a piora das expectativas de inflação no país.

O desempenho do real na semana foi inferior ao de outras moedas de países exportadores de commodities, como o dólar australiano e o canadense. Operadores atribuem essa performance mais fraca a possíveis saídas de capital da bolsa brasileira e a um cenário eleitoral em redesenho.

Fatores Locais e o Cenário Eleitoral Pressionam o Real

A desidratação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), abalada por recentes episódios, também é apontada como um fator de influência. A revelação de que Flávio Bolsonaro teria pedido recursos para uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, conhecida como “Flávio Day 2.0”, gerou repercussão.

Uma pesquisa Datafolha divulgada na tarde de sexta-feira indicou uma perda de fôlego do senador, embora não tenha causado alterações significativas imediatas na taxa de câmbio. A avaliação entre operadores é que o quadro atual de fragilidade da candidatura ainda não justifica apostas em um naufrágio completo.

A pesquisa aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma vantagem de 9 pontos sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com 40% das intenções de voto contra 31%. No segundo turno simulado, Lula aparece com 47% e o senador com 43%, o que configura um empate técnico dentro da margem de erro.

Eduardo Aun, gestor de fundos multimercados da AZ Quest, observa que o real tem apresentado desempenho inferior a seus pares após o “Flávio Day 2.0”. Isso pode indicar um aumento da influência de fatores domésticos na formação da taxa de câmbio. “A questão eleitoral está muito ligada à perspectiva de manutenção da política fiscal atual, que não garante a sustentabilidade da dívida pública”, afirma Aun.

Perspectivas Globais e o Futuro do Real

Apesar de já acumular uma alta de 1,52% no mês, o dólar ainda registra uma desvalorização de 8,39% em relação ao real no ano. O real se destaca como uma das três moedas com maiores ganhos no período, ao lado do novo shekel israelense e do rublo russo.

A atratividade do real é sustentada por dois pilares: a melhora da balança comercial, impulsionada pela alta do petróleo, e o atrativo do carry trade, beneficiado por cortes modestos na taxa Selic. No entanto, a sustentabilidade desses fatores pode ser desafiada.

Uma dúvida que paira é como o real reagirá nos próximos meses caso se confirme um cenário eleitoral desfavorável à oposição ou um fortalecimento global da moeda americana. A recente alta nas taxas de juros nos Estados Unidos, decorrente de dados de atividade mais fortes e da piora das expectativas de inflação, é um ponto de atenção.

Fed Mais Vocal e o Impacto na Moeda Americana

O mercado de trabalho americano robusto e a persistência da inflação acima da meta de 2% levam o Fed a adotar uma postura mais assertiva. O diretor do Fed, Christopher Waller, defendeu a manutenção das taxas de juros no curto prazo e não descartou futuros aumentos caso a inflação não ceda.

A pesquisa da Universidade de Michigan mostrou uma queda acentuada na confiança do consumidor americano em maio, acompanhada por um avanço nas expectativas de inflação para os próximos 12 meses e cinco anos. O analista Matheus Spiess, da Empiricus Research, destaca que “a inflação permanece persistentemente acima da meta de 2%, o mercado de trabalho continua relativamente sólido e os efeitos do petróleo elevado começam a contaminar expectativas inflacionárias”.

A volta do apetite pelo setor de tecnologia dos EUA e a possibilidade de um impulso fiscal mais forte no país podem reviver a tese do “excepcionalismo americano”, diminuindo o fluxo de capital para mercados emergentes. Essa combinação de fatores globais representa um desafio para a valorização contínua do real.

Mercados Internacionais em Atenção

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, oscilou próximo à estabilidade, subindo 0,04% e fechando em 99,291 pontos. No ano, o índice acumula valorização de cerca de 1%.

As taxas dos Treasuries americanos de dois e dez anos apresentaram alta modesta em um pregão reduzido antes do feriado de Memorial Day. As cotações do petróleo registraram leve recuo, com o barril do Brent em baixa de 0,94%, a US$ 103,54, apesar das incertezas em torno das negociações entre EUA e Irã.

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