Ibovespa acumula 6ª semana de perdas com incertezas eleitorais e juros altos; dólar ultrapassa R$ 5,00

Mercado financeiro reage a cenário eleitoral e a sinais de juros altos nos EUA, com Ibovespa em contramão semanal

A Bolsa de Valores brasileira, representada pelo Ibovespa, encerrou a semana em baixa, acumulando a sexta retração consecutiva. Nesta sexta-feira, 22, o índice caiu 0,81%, fechando aos 176.209,61 pontos. A semana também foi negativa, com uma perda de 0,61%. O volume negociado foi de R$ 21,0 bilhões.

O cenário foi marcado pela volatilidade, com o Ibovespa oscilando entre 174.893,37 e 177.648,58 pontos ao longo do dia. Apesar de ter registrado altas nas duas sessões anteriores, a tendência de curto prazo se manteve pessimista, com o índice acumulando um recuo de 5,93% no mês de maio. O avanço no ano, contudo, ainda é positivo, em 9,36%.

A pressão sobre o mercado brasileiro vem de duas frentes principais: a incerteza política interna, com foco nas eleições, e o cenário externo, especialmente as sinalizações sobre a política monetária dos Estados Unidos. Esses fatores combinados criam um ambiente de cautela para os investidores. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, o Ibovespa acumula perdas em mais de dois terços das últimas 26 sessões, desde meados de abril.

Federal Reserve e a perspectiva de juros altos no radar global

Nos Estados Unidos, a posse de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed) trouxe declarações que reforçaram a possibilidade de juros mais altos por um período prolongado. O diretor do Fed, Christopher Waller, e o próprio presidente Donald Trump, comentaram sobre a necessidade de restaurar a confiança no banco central americano, com Trump afirmando que “crescimento econômico não significa alta da inflação”.

Warsh, por sua vez, admitiu não ser “ingênuo quanto aos desafios que enfrentamos”, mas também declarou que “inflação pode ser mais baixa e crescimento forte”, e que irá liderar um Fed voltado para reformas institucionais. No entanto, as falas, somadas à divulgação de dados da Universidade de Michigan, que indicaram piora na confiança do consumidor e alta nas expectativas de inflação, contribuíram para a elevação dos juros futuros, tanto no Brasil quanto no exterior.

Cenário político doméstico e o impacto nas ações

No front doméstico, a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha adicionou tempero ao debate eleitoral. O levantamento mostrou uma perda de terreno para o candidato da oposição, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a revelação de recursos destinados por Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, ao filme “Dark Horse”, que aborda a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, Flávio Bolsonaro segue em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Correligionários do senador interpretaram o resultado como um sinal de que a campanha permanece competitiva, contrariando expectativas de analistas políticos. O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, destacou em redes sociais que o pré-candidato a presidente “permanece variando dentro da margem de erro; continua plenamente viável e altamente competitivo”, mesmo sob “forte ataque nos últimos 7 dias”.

Setores em destaque e o desempenho do dólar

Na B3, o setor metálico mostrou resiliência, com algumas ações se destacando positivamente. A Vale (ON) fechou em alta de 0,57%, enquanto Gerdau (PN) subiu 2,17%, e especialmente CSN (ON) e Usiminas (PNA) registraram ganhos expressivos de 6,15% e 5,61%, respectivamente. No lado oposto, nomes como Petrobras (ON -0,30%, PN -1,05%) e os principais bancos, como Itaú PN (-1,72%), Santander Unit (-1,78%), Bradesco ON (-0,96% e PN -1,56%), sofreram com a correção.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, além das siderúrgicas, a Azzas (+3,86%) também chamou atenção. No lado negativo, Minerva (-6,20%), MBRF (-4,05%) e Cyrela (-3,93%) apresentaram as maiores quedas. O dólar, refletindo a aversão ao risco, fechou em alta de 0,54%, cotado a R$ 5,02.

Perspectivas para a próxima semana e a influência do cenário externo

A incerteza em múltiplas frentes divide as opiniões do mercado sobre o desempenho da Bolsa brasileira na próxima semana. Uma parcela significativa de profissionais do mercado espera queda ou estabilidade para o Ibovespa, enquanto apenas uma minoria aposta em alta. A geopolítica, especialmente o conflito no Oriente Médio e seu impacto no preço do petróleo, continua sendo um fator de volatilidade.

Jucelia Lisboa, economista e sócia da Siegen, aponta que as incertezas em relação à inflação global e às trajetórias de juros afetam mercados emergentes como o Brasil. Em um ambiente de juros mais altos nas economias desenvolvidas, países como o Brasil tendem a se tornar “relativamente menos atrativos”, intensificando a pressão sobre o mercado local.

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