Queijo da Canastra Regenerativo: Fazenda Inova com Agroecologia e Impacto Ambiental Positivo

Fazenda em Piumhi se destaca pela produção agroecológica e regenerativa de queijo artesanal, promovendo sustentabilidade e bem-estar animal.

Em Piumhi, na icônica região da Canastra, a Faz o Bem Queijaria nasceu com um propósito claro: produzir queijo artesanal com um impacto ambiental positivo, priorizando o bem-estar animal e pensando nas futuras gerações. A unidade se destaca pela produção de queijo agroecológico, onde cada etapa do processo é guiada por práticas regenerativas, de sustentabilidade e de recuperação ambiental.

O projeto, iniciado em 2019, evoluiu de uma produção orgânica para a implementação cada vez mais profunda de técnicas agroecológicas e regenerativas. O engenheiro agrônomo e produtor Vinícius Soares explica que, mesmo mantendo a maioria das práticas orgânicas, como a ausência de venenos e o controle biológico de pragas, o foco atual é no desenvolvimento de um sistema que vai além.

“Trabalhamos com a produção orgânica certificada até meados de 2025, mas seguimos com a maioria das práticas e estamos, cada vez mais, implementando e desenvolvendo as práticas agroecológicas e regenerativas”, afirma Soares.

Conforme informações divulgadas pelo Diário do Comércio, a propriedade destina cerca de 45% de sua área à preservação de mata nativa, superando o exigido pela legislação e demonstrando um forte compromisso com a conservação ambiental.

Integração Agroflorestal para Conforto e Nutrição Animal

Uma das práticas inovadoras é a pastagem integrada com sistemas agroflorestais. Linhas de árvores são plantadas nas bordas dos piquetes, oferecendo sombra e conforto para o gado. Essas áreas também fornecem forrageiras nutritivas para os animais e, simultaneamente, produzem alimentos para consumo humano, como banana, mamão e mandioca.

Aproveitamento Integral do Soro: Ciclo Virtuoso na Fazenda

O soro, um subproduto da produção de queijo, encontra um destino sustentável na Faz o Bem Queijaria. Ele é destinado, por gravidade, para alimentar suínos da raça Piau. Essa prática transforma um potencial resíduo em um insumo valioso, reduzindo o impacto ambiental e integrando a produção animal ao ciclo da queijaria. Os porcos criados dessa forma, soltos a pasto, ainda auxiliam na preparação da área para o plantio de milho crioulo vermelho.

Resultados Tangíveis: Regeneração Ambiental e Biodiversidade

Vinícius Soares destaca que essas práticas resultaram em uma notável regeneração ambiental. Observa-se o recarregamento do lençol freático, a perenidade de nascentes e um expressivo aumento da biodiversidade. Animais como tamanduás e lobos-guarás retornaram à região, e a presença de pássaros e abelhas se tornou mais frequente, evidenciando a recuperação do ecossistema local.

Reconhecimento e Valor Agregado no Mercado de Queijos Artesanais

A produção do queijo ecológico tem sido reconhecida no mercado, permitindo a agregação de valor. Mesmo sendo uma produção recente, o queijo da Faz o Bem Queijaria é comercializado a preços comparáveis aos de produtores renomados da região, atraindo e fidelizando clientes que valorizam o consumo consciente. A queijaria produz cerca de 10 peças diárias, utilizando aproximadamente 100 litros de leite, oferecendo o Queijo Minas Artesanal da Canastra, o Canastra casca florida natural e o queijo autoral Tardezinha.

Desafios e Oportunidades na Produção Sustentável

Apesar dos sucessos, a produção agroecológica enfrenta desafios. A menor produtividade em comparação com sistemas tradicionais, a necessidade de maior reconhecimento do consumidor para produtos de maior valor agregado e a falta de estruturação e dados sobre este mercado são pontos críticos. A concorrência desleal com queijos irregulares e a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada no campo também são obstáculos significativos. Soares ressalta a importância do Selo Arte para a comercialização nacional, mas lamenta a presença de queijos sem inspeção na região, que prejudicam a imagem do produto artesanal de qualidade.

O Dia dos Queijos Artesanais de Minas, celebrado em 16 de maio, reforça a importância cultural e econômica desses produtos. O 8º Festival do Queijo Artesanal de Minas, que ocorrerá de 4 a 6 de junho de 2026 em Belo Horizonte, reunirá representantes de 13 regiões produtoras, destacando a diversidade e o fortalecimento da cadeia produtiva, que movimentou cerca de R$ 243 milhões entre 2019 e 2026, com o preço médio do produto subindo de R$ 16,01 para R$ 25,61 no mesmo período, segundo dados do Sistema Faemg Senar.

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