Lucro da Sigma Lithium dispara 135% no 1º Trimestre: Custo de Produção em Queda e Preços do Lítio em Alta Impulsionam Resultados

Sigma Lithium celebra trimestre de sucesso com lucro líquido de US$ 11,1 milhões, um salto de 135,4% em relação ao ano anterior.
A Sigma Lithium, gigante na produção de lítio com operações no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, divulgou resultados financeiros robustos para o primeiro trimestre de 2026. O lucro líquido da companhia atingiu a expressiva marca de US$ 11,1 milhões, representando um aumento de 135,4% quando comparado ao mesmo período do ano passado.
Este desempenho notável é reflexo de uma combinação de fatores positivos, incluindo a elevação dos preços do lítio no mercado global e uma significativa redução nos custos de produção. A empresa também celebrou suas maiores margens históricas, consolidando sua posição no setor.
Os detalhes foram apresentados em balanço divulgado nesta sexta-feira (15), onde a Sigma Lithium detalhou os números que sustentam seu crescimento. Conforme informação divulgada pela produtora de lítio, o Ebitda ajustado da companhia apresentou um acréscimo de 46,2%, totalizando US$ 16,7 milhões.
Margens Recordes e Custos em Declínio
A lucratividade da Sigma Lithium atingiu patamares inéditos, com margens Ebitda em torno de 39% e margens líquidas próximas a 26%. Esses resultados expressivos foram impulsionados pela estratégia da empresa em otimizar sua produção e pela dinâmica favorável do mercado.
Um dos principais pilares desse sucesso foi o aumento substancial do preço realizado do lítio. Entre janeiro e março deste ano, o preço médio alcançou US$ 2.150 por tonelada (t) de concentrado de óxido de lítio com 6% de teor, um salto impressionante em relação aos US$ 930/t registrados no primeiro trimestre de 2025.
Paralelamente, a empresa conseguiu uma redução drástica nos custos de produção. O custo dos produtos vendidos diminuiu de US$ 34,2 milhões para US$ 16,8 milhões, demonstrando a eficiência operacional da Sigma Lithium.
Produção e Vendas: Adaptação ao Cenário
Apesar dos resultados financeiros positivos, a produção e as vendas da Sigma Lithium apresentaram recuos na comparação interanual. A produção caiu 65,4% e as vendas recuaram 61,8%, totalizando 23,6 mil toneladas equivalentes, ajustadas para um teor de 5% de óxido de lítio. Essa variação ocorreu devido à maior presença de concentrados de menor teor no período.
A receita da companhia, no entanto, mostrou resiliência, registrando uma redução de apenas 11,3% e alcançando US$ 42,3 milhões, que representa o maior valor trimestral em um ano, evidenciando a capacidade da empresa em gerar receita mesmo com menores volumes.
Retomada das Operações e Planos de Expansão
A mineradora concluiu a retomada total de suas operações de mineração, que haviam sido paralisadas em setembro do ano passado. A paralisação ocorreu após o cancelamento do contrato com a terceirizada Fagundes Construção e Mineração, o que impactou os volumes produzidos e comercializados.
Após uma reestruturação, as atividades foram retomadas gradualmente em fevereiro deste ano, e a empresa anunciou a conclusão deste processo neste mês. Com a normalização das operações, a Sigma Lithium está no caminho para atingir sua meta de produção anual de 240 mil toneladas.
Atualmente, a mineradora possui uma planta industrial com capacidade para produzir 270 mil toneladas anuais de concentrado de lítio. No entanto, os planos de expansão são ambiciosos, com a previsão de construção de uma segunda e uma terceira unidade, o que elevaria a capacidade total para 770 mil toneladas.
Financiamento Estratégico e Futuro Promissor
A próxima unidade a ser construída, com capacidade de produção de 250 mil toneladas, contará com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição destinará R$ 486,7 milhões do novo Fundo Clima para viabilizar o empreendimento.
“O reinício e a estabilização das operações de mineração garantem uma base sólida e confiável para a expansão da Fase 2”, afirmou a Sigma em trecho do balanço. A empresa continua avançando com os preparativos para o início da construção em 2026, sujeito ao alinhamento final da prontidão operacional e do cronograma de investimentos.
A companhia reforçou que seguirá refinando o cronograma da Fase 2 em linha com o progresso operacional, mantendo-se preparada para avançar nas atividades críticas conforme o plano original de desenvolvimento, visando consolidar seu crescimento no mercado de lítio.