Lula Ganha Força com Independentes e Mulheres: Disputa Eleitoral Segue Apertada contra Flávio Bolsonaro, Aponta Pesquisa Genial/Quaest

Nova pesquisa Genial/Quaest revela que eleitores independentes e mulheres impulsionam a aprovação do governo Lula, enquanto a disputa eleitoral para 2026 permanece acirrada entre o presidente e o senador Flávio Bolsonaro.
A mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (13), indica uma virada positiva na aprovação da gestão federal. Após meses de trajetória negativa, o índice de aprovação do governo Lula registrou um aumento, enquanto a desaprovação recuou, diminuindo o saldo negativo entre os dois indicadores.
O cenário eleitoral, contudo, não apresenta mudanças drásticas, mantendo-se em uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A pesquisa, que ouviu eleitores em todo o país, traz nuances importantes sobre os segmentos que mais influenciam essas movimentações.
Conforme informação divulgada pela Agência Estadão, a aprovação da gestão federal saltou de 43% em abril para 46% em maio. Paralelamente, a desaprovação caiu de 52% para 49%. Essa inversão resultou na redução do “saldo” de avaliação do governo, que passou de nove pontos porcentuais negativos para apenas três pontos negativos em um único mês.
Eleitores Independentes e Mulheres Lideram a Recuperação de Lula
A melhora na avaliação do governo Lula foi significativamente impulsionada pelos eleitores considerados independentes. Nesse grupo, a aprovação da gestão federal cresceu de 32% em abril para 37% em maio. A desaprovação, por sua vez, diminuiu de 58% para 52% no mesmo período.
O cientista político Hilton Fernandes, professor da FESPSP, destacou a importância dessa movimentação. “O principal resultado da pesquisa Quaest foi a movimentação positiva na avaliação do governo Lula. Apesar de ser uma variação pequena, é possível perceber que ela ocorre com mais força em determinados segmentos, como no eleitorado feminino e entre aqueles que a empresa classifica como independentes”, avaliou.
Entre as mulheres, a aprovação do governo Lula também apresentou um crescimento notável, passando de 45% para 48%. A desaprovação entre elas recuou de 49% para 44%, fazendo com que o saldo de aprovação e desaprovação, que era negativo em abril, voltasse a ficar positivo.
Fernandes acrescentou que “a melhora entre as mulheres é particularmente interessante, pois pode refletir uma resistência ao discurso de ódio, base da polarização, e aponta para fatores que podem ser decisivos na eleição. Será importante compreender como esse grupo se comportará nas próximas rodadas de pesquisa”.
Disputa Eleitoral em Empate Técnico e Segmentação de Votos
No cenário eleitoral, a pesquisa aponta para um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, Lula aparece numericamente à frente, com 42% das intenções de voto contra 41% do senador. Contudo, a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais, sendo o terceiro levantamento consecutivo a indicar essa paridade.
O desempenho de Lula entre o eleitorado independente também oscilou positivamente, interrompendo uma tendência negativa que se estendia desde janeiro. Felipe Nunes, CEO da Quaest, ressalta que esse segmento é crucial para o resultado eleitoral. Em janeiro, Lula liderava com folga nesse grupo, mas em março o cenário se inverteu, com Flávio assumindo a dianteira numérica.
Atualmente, a diferença entre eles nesse segmento voltou a diminuir, com o senador aparecendo com 31% e Lula com 29%. A pesquisa também detalha a distribuição dos votos por região e perfil demográfico.
Lula Forte no Nordeste, Flávio Cresce entre Evangélicos
Lula mantém uma vantagem expressiva no Nordeste, além de liderar entre eleitores de menor renda e escolaridade, católicos e beneficiários do Bolsa Família. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro lidera nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste/Norte, e também se destaca entre os evangélicos.
Flávio Bolsonaro alcançou seu melhor desempenho entre os evangélicos desde janeiro, com 61% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Lula obteve seu pior patamar no grupo, com 24%. Entre os católicos, porém, Lula avançou cinco pontos porcentuais, e Flávio recuou quatro.
No eleitorado feminino, Lula também conseguiu inverter uma tendência negativa, passando de 42% em abril para 45% nas intenções de voto contra Flávio em maio. O senador bolsonarista oscilou de 37% para 36%. Entre os homens, o cenário permaneceu estável, com Flávio mantendo uma vantagem de oito pontos sobre o petista.
Estratégias para o Voto Feminino e a Influência do Noticiário
Ambos os pré-candidatos têm intensificado suas estratégias para atrair o voto feminino. Lula sancionou recentemente um pacote de leis contra a violência contra a mulher, enquanto Flávio tem incluído sua esposa em agendas de campanha e utilizado símbolos como a camiseta “pai de menina”.
Flávio também cogita a deputada federal Simone Marquetto como possível vice, visando atrair o eleitorado feminino e católico. Marquetto é vista como uma representante da Igreja Católica no Congresso e atua como influenciadora religiosa nas redes sociais.
A pesquisa Quaest também aponta uma melhora na percepção geral do noticiário sobre o governo. O percentual de brasileiros que afirma ter ouvido mais notícias favoráveis ao governo saltou de 23% em abril para 32% em maio, enquanto a parcela que relata ouvir mais notícias negativas recuou de 48% para 43%.
O encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi amplamente divulgado, com 70% dos eleitores tendo conhecimento do evento. Dentre eles, 43% consideram que Lula saiu fortalecido da reunião, e 60% avaliam o encontro como positivo para o Brasil.
Jairo Pimentel, cientista político, avalia que a recuperação de Lula está mais ligada a uma melhora do ambiente conjuntural e do noticiário do que a uma mudança estrutural no eleitorado. Ele observa que os segmentos onde a recuperação é mais forte, como moderados, independentes e mulheres, tendem a ser mais sensíveis ao clima político. No entanto, Pimentel alerta que o presidente ainda está longe de uma zona de conforto eleitoral, citando fragilidades persistentes na economia, como a percepção de alta nos preços dos alimentos.
A percepção sobre a economia mostra uma redução do pessimismo, com menos brasileiros acreditando que a economia vai piorar nos próximos 12 meses. O quadro geral, segundo Pimentel, sugere que Lula conseguiu interromper uma trajetória de desgaste e retornar a uma posição competitiva para 2026, mas sem ainda garantir uma vantagem consolidada.