Maternidade e Carreira: Como Mulheres Podem Ser Mais Que Mães no Brasil e Evitar a Desistência Profissional

O Desafio de Ser Mulher Além da Maternidade e o Impacto na Trajetória Profissional no Brasil
A sociedade brasileira, historicamente, tende a associar a identidade feminina à maternidade e aos cuidados com o lar. Essa socialização precoce, muitas vezes reforçada por brinquedos e expectativas culturais, pode limitar os horizontes das meninas, desencorajando a ambição e o desejo de conquistar o mundo. A discussão sobre o que mais uma mulher pode ser, além de mãe, torna-se crucial para desconstruir esses padrões.
Essa visão limitada tem consequências diretas na vida profissional das mulheres. Muitas vezes, a decisão pela maternidade, embora pessoal e desejada por algumas, acaba impactando negativamente suas carreiras. A falta de apoio e a sobrecarga de responsabilidades podem levar a um ciclo de invisibilidade e desaceleração profissional, afetando a remuneração e as oportunidades de crescimento.
A neuroplasticidade já desmistificou a ideia de que a maternidade diminui a produtividade. No entanto, a crença cultural de que as tarefas de cuidado são majoritariamente femininas persiste, sobrecarregando as mulheres com triplas jornadas. É fundamental que empresas e a sociedade em geral encarem esses dados e promovam mudanças significativas para garantir que as mães possam prosperar em suas carreiras e em suas vidas pessoais, sem culpa ou exaustão. Conforme aponta Letícia Lins, fundadora da Letícia Lins Consultoria de Diversidade e Inclusão, “o modo como culturalmente reforçamos o combo: mulher e mãe, como se fizesse parte natural da nossa vida, acarreta várias questões na vida profissional feminina”.
A Realidade Pós-Licença-Maternidade no Mercado de Trabalho Brasileiro
Os números revelam um cenário desafiador para as mães no Brasil. Dados do E-social indicam que, entre 2020 e 2025, mais de 380 mil mulheres foram demitidas sem justa causa em até dois anos após o fim da licença-maternidade. Além disso, um relatório da Women in the Workplace 2025 aponta que apenas uma em cada quatro mulheres se sente apoiada pela liderança ao retornar ao trabalho após o período de licença.
A Economia do Cuidado e a Sobrecarga Feminina
A pesquisa “Políticas para a Corresponsabilidade no Mundo do Trabalho” (MDS + OIT) destaca que as mulheres dedicam, em média, 9,8 horas a mais por semana do que os homens ao trabalho de cuidado não remunerado. Essa disparidade reflete uma falsa crença de que mulheres se tornam menos produtivas após a maternidade, e a crença cultural de que a responsabilidade pelos cuidados é primariamente feminina.
Empresas e Lideranças: Um Papel Fundamental na Retenção e Desenvolvimento de Mães
Para combater a invisibilidade, a desaceleração de carreira e o desligamento de mães do mercado de trabalho, é essencial que as empresas abordem o tema da maternidade com maturidade, escuta e responsabilidade institucional. A criação de espaços seguros para discutir o retorno ao trabalho, a culpa, a exaustão e a reorganização da rotina é um passo fundamental.
Desmistificando a Maternidade e Promovendo a Igualdade de Gênero
A desromantização da maternidade e o enfrentamento sério dessa pauta por todas as instituições sociais são cruciais. É necessário criar redes de apoio institucionais e sociais para equalizar a economia do cuidado entre os gêneros. Somente assim as mulheres poderão ser mães e alcançar seus objetivos profissionais e pessoais de forma plena, feliz e sem sobrecarga, exercendo o direito de serem mulheres em sua totalidade.